segunda-feira, 14 de maio de 2018

QUAL É A UTILIDADE DA FILOSOFIA?


terça-feira, 8 de maio de 2018

Professores vencem queda de braços e põem fim à greve

Professores vencem queda de braços e põem fim à greve

Após dez dias de greve, as professoras e professores do setor privado de ensino decidiram voltar ao trabalho a partir deste sábado (5/5), durante assembleia realizada nesta sexta-feira (4/5) no Espaço Democrático da Assembleia Legislativa.

A categoria entendeu que conseguiu vencer a queda de braços com os donos de escolas que queriam impor uma série de retrocessos à convenção coletiva no embalo da reforma trabalhista.

O reajuste salarial será pelo INPC, 1,56%, mas os professores conseguiram fixar a homologação de rescisão dentro da Convenção Coletiva de Trabalho (fato inédito, que compunha a já desfigurada CLT) para após o segundo ano de contrato.

Além disso, ficaram garantidas conquistas históricas que os patrões queriam eliminar ou mudar e ainda conquistamos o pagamento dos dias parados e a garantia de não punição dos grevistas, também prevista de forma inédita como cláusula em uma CCT.

Após as mudanças feitas nesta sexta-feira pelo sindicato patronal, depois da assembleia de seus associados, os professores consideraram o movimento vitorioso, por conseguirem manter seus direitos históricos e alguns avanços.

Segundo Valéria Morato, presidenta do sindicato: “A nossa greve foi vitoriosa. Foi mantida uma convenção coletiva histórica conquistada com muita luta pelos professores. Os professores atenderam ao chamado do sindicato e fizeram um movimento de resistência impondo uma derrota histórica à tentativa de implementação da reforma trabalhista por parte do patronal. Essa greve vira referência para todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A nossa unidade nos fará vencedores!”

Para Gilson Reis, coordenador geral da CONTEE, “A greve dos Professores de Minas  encerra com vitória da categoria e derrota dos donos de escola. Manutenção de todos os direitos conquistados. Homologação no Sindicato, que não era prevista em Convenção, reajuste salarial pelo INPC, nenhuma retaliação e punição aos grevistas e uma ampla unidade dos trabalhadores que entraram unidos na greve e saíram unidos e fortalecidos”.

Essa foi considerada uma das maiores greves do setor privado de educação desde a década de 1990 e teve uma característica muito positiva de englobar estudantes e pais/mães no apoio da categoria de professores.

Nenhum direito a menos! Nossos direitos, nossa luta!

quarta-feira, 2 de maio de 2018

MENSAGEM AOS PAIS/RESPONSÁVEIS E ALUNOS

Professoras e professores decidem manter greve










Reunidos em assembleia, professoras e professores do setor privado de ensino de Minas decidiram estender a greve até esta quarta-feira, 2/5, quando voltam a avaliar o desenrolar das negociações às 18h, no hall da Assembleia Legislativa.

A categoria entendeu que as negociações com o sindicato patronal no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que duraram mais de sete horas, pouco evoluíram e, por isso, decidiu continuar parada.

Os principais pontos que os professores exigem são:

1.Continuidade das homologações das rescisões no sindicato. A homologação é um momento em que o professor está fragilizado e precisa da presença do Sinpro. Fundamentalmente para conferir suas contas. Não existe ônus para o patronal, logo não existe motivo para recusa da cláusula.

2.Reajuste conforme nossa pauta deliberada em assembleia (INPC + 3%). As mensalidades escolares subiram em média 12% na RMBH, não havendo motivo para não conceder o reajuste pedido que ficou abaixo das mensalidades escolares.

3.Não punição dos grevistas, conforme lei de greve e organização sindical.

4.Contribuição sindical descontada conforme autorização de assembleia (podendo professor se manifestar contra, conforme proposta do desembargador, que a assembleia acatou, porém o Sinep não).

MOBILIZAÇÕES

Às 14h30 desta quarta (2/5) representantes dos trabalhadores e do sindicato patronal retomam às negociações. Depois, às 18h, os docentes vão se reunir em nova assembleia para avaliar o resultado das negociações.

Ficou definido, ainda, que a categoria vai realizar uma vigília a partir das 9h30 diante da sede do sindicato patronal (Sinep), na rua Araguari, 644, no Barro Preto, para pressionar os patrões, que se mostraram intransigentes nas negociações.

Professores e professoras têm recebido a solidariedade de alunos de várias escolas e entidades estudantis, como é o caso do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC Minas, da UBES, UCMG, UEE entre outras inclusive organizações de pais.

Nossos direitos, nossa luta!



quinta-feira, 12 de abril de 2018

SÓCRATES, A ARRAIA-ELÉTRICA


Até os nossos dias, Sócrates permanece um personagem enigmático. O pouco que dele se conhece é que era um filósofo que se comprazia em circular pelas ruas de Atenas para discutir com seus concidadãos a respeito de temas como a virtude e a justiça e que foi sentenciado à morte  sob a acusação de corromper a juventude – num julgamento em praça pública, em que a maioria dos cidadãos atenienses decidiu em favor de sua condenação. Sócrates não deixou nada escrito – a sua filosofia, digamos assim, é um trabalho de reconstrução dos seus discípulos, como Platão, que procurou reproduzir o pensamento do mestre em muitos dos seus famosos diálogos.
Conforme pode ser lido nos textos de Platão, Sócrates denominava-se a si mesmo como um “moscardo”, uma “parteira” e também foi chamado de “arraia-elétrica”, um peixe que paralisa e entorpece aqueles que o tocam. Sócrates definia-se como um moscardo porque esforçava-se em “ferroar” os cidadãos, retirando-os do entorpecimento e despertando-os para o pensamento, uma atividade sem a qual, na sua concepção, a vida não valia a pena ser  vivida.
E ele chamava a si próprio de uma parteira porque trazia à luz os pensamentos alheios – a filósofa Hannah Arendt comenta que esses pensamentos tratavam-se, na maioria das vezes, de “falsos fetos”. Na verdade, Sócrates “purgava” as pessoas dos preconceitos não examinados que as impediam de pensar. A comparação com a arraia-elétrica é porque ele transmitia suas próprias incertezas aos outros – lembremos da famosa frase atribuída ao ele, “só sei que nada sei”. Ou seja, apesar de estimular seus concidadãos a refletir sobre questões como justiça e piedade, ele próprio nunca oferecia respostas acabadas para essas questões.

A comparação com a arraia-elétrica é porque ele transmitia suas próprias incertezas aos outros

Portanto, o fato de  Sócrates deixar seus interlocutores confusos e aturdidos com suas perguntas desconcertantes não ocorria em razão de ele já ter as respostas prontas e querer deliberadamente, com sua atitude desafiadora, desmascarar a ignorância alheia, expondo-a ao ridículo. Como se pode perceber, por exemplo, pela leitura de Mênon, um dos textos de Platão, se, ao longo das conversas com o filósofo, as pessoas iam aos poucos abandonando suas certezas e ficavam atônitas, tal situação se dava porque elas eram “contaminadas” pela própria perplexidade de Sócrates.

É nesse diálogo sobre o significado da virtude que Mênon, um jovem seguidor dos sofistas, ao ver suas convicções caírem por terra, usa a metáfora da arraia-elétrica para descrever o “método” de Sócrates. De forma irônica, Mênon diz a Sócrates que ele parece, tanto na aparência física quanto no modo de agir, com aquele “peixe marinho achatado”, a arraia-elétrica. “Pois tanto ela entorpece quem dela se aproxima e a toca, quanto tu pareces ter-me feito agora algo desse tipo. (…) estou entorpecido, na alma e na boca, e não sei o que te responder”, admite Mênon.
Sócrates, por sua vez, responde que a arraia-elétrica só entorpece os outros porque ela se encontra entorpecida – exatamente o mesmo fenômeno que ocorre com ele. “Também agora, a propósito da virtude, eu não sei o que ela é; tu, entretanto, talvez anteriormente soubesses, antes de me ter tocado.  Contudo, estou disposto a examinar contigo”, diz ele a Mênon.
Ao final do texto, como é comum nos diálogos socráticos, Sócrates e Mênon não conseguem chegar a uma definição do que seja a virtude – é a famosa aporia, aquela encruzilhada a que o filósofo costumava conduzir seus interlocutores e ele próprio. Tudo, então, seria uma perda de tempo, já que nunca se chega a conclusão alguma?
Na opinião de Sócrates, mesmo não se sabendo o que eram a justiça e a virtude em si mesmas, só a oportunidade  de pensar e falar sobre elas já era o bastante para tornar os cidadãos da pólis mais justos e virtuosos. E também a enxergar com mais clareza as iniquidades cometidas em nome de uma concepção equivocada de justiça e virtude.
Se a conduta de Sócrates poderia ser considerada “perigosa”, era justamente porque ele confrontava os preconceitos mais arraigados dos seus concidadãos. Sócrates não morreu porque era um doutrinador, movido pelo objetivo de inculcar ideias subversivas e radicais nos seus jovens e entusiastas seguidores.  Ele morreu porque incitava aqueles com quem conversava a pensar por si mesmos – uma atitude que, tanto há dois mil anos quanto agora, sempre parecerá subversiva e radical a quem não consegue conviver em meio à pluralidade e à diferença.

Fonte: Rosângela Chaves (Jornalista) Acesso 12 de Abril de 2018
Disponível em:  

terça-feira, 27 de março de 2018

Doutor é apenas quem faz Doutorado


Doutor é apenas quem faz Doutorado

No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor.


A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I.


Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo "docentes" e "profissionais" venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos.


Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.


Pois bem!


Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia "baixado um alvará" pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma "lógica" das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: "o senhor é Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?").


1.             Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca!


2.             Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet.

3.             Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo
fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final!


4.             Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há "alvará" como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).


A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.

Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre.

Agora o ato é um "decreto". E o "culpado" é Dom Pedro I (IV em Portugal).

Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição.

Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?!


A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: "Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes".


Traduzindo o óbvio.
A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel.
B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor.
C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular).

Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta.

Senhores.


Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc.

A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados.


Falo com sossego.


Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.


Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.


Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode comprovar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado.


Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes.


Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem.


E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98.

Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto.

Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial: www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Lei_1827.htm


Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação.


Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então.


PROF. DR. MARCO ANTÔNIO RIBEIRO TURA, 41 anos, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil.

Doutor Adovogado e Doutor Médico: até quando?






Doutor Advogado e Doutor Médico: até quando?



Sei muito bem que a língua, como coisa viva que é, só muda quando mudam as pessoas, as relações entre elas e a forma como lidam com o mundo. Exerço, porém, um pequeno ato quixotesco no meu uso pessoal da língua: esforço-me para jamais usar a palavra “doutor” antes do nome de um médico ou de um advogado.

Travo minha pequena batalha com a consciência de que a língua nada tem de inocente. Se usamos as palavras para embates profundos no campo das ideias, é também na própria escolha delas, no corpo das palavras em si, que se expressam relações de poder, de abuso e de submissão. Cada vocábulo de um idioma carrega uma teia de sentidos que vai se alterando ao longo da História, alterando-se no próprio fazer-se do homem na História. E, no meu modo de ver o mundo, “doutor” é uma praga persistente que fala muito sobre o Brasil.

Assim, minha recusa ao “doutor” é um ato político. Um ato de resistência cotidiana, exercido de forma solitária na esperança de que um dia os bons dicionários digam algo assim, ao final das várias acepções do verbete “doutor”: “arcaísmo: no passado, era usado pelos mais pobres para tratar os mais ricos e também para marcar a superioridade de médicos e advogados, mas, com a queda da desigualdade socioeconômica e a ampliação dos direitos do cidadão, essa acepção caiu em desuso”.

Historicamente, o “doutor” se entranhou na sociedade brasileira como uma forma de tratar os superiores na hierarquia socioeconômica – e também como expressão de racismo. Ou como a forma de os mais pobres tratarem os mais ricos, de os que não puderam estudar tratarem os que puderam, dos que nunca tiveram privilégios tratarem aqueles que sempre os tiveram. O “doutor” não se estabeleceu na língua portuguesa como uma palavra inocente, mas como um fosso, ao expressar no idioma uma diferença vivida na concretude do cotidiano que deveria ter nos envergonhado desde sempre.

A resposta para a atualidade do “doutor” pode estar na evidência de que, se a sociedade brasileira mudou bastante, também mudou pouco. A resposta pode ser encontrada na enorme desigualdade que persiste até hoje. E na forma como essas relações desiguais moldam a vida cotidiana.

O “doutor” médico e o “doutor” advogado, juiz, promotor, delegado têm cada um suas causas e particularidades na história das mentalidades e dos costumes. Em comum, têm algo significativo: a autoridade sobre os corpos. Um pela lei, o outro pela medicina, eles normatizam a vida de todos os outros. Não apenas como representantes de um poder que pertence à instituição e não a eles, mas que a transcende para encarnar na própria pessoa que usa o título.

Se olharmos a partir das relações de mercado e de consumo, a medicina e o direito são os únicos espaços em que o cliente, ao entrar pela porta do escritório ou do consultório, em geral já está automaticamente numa posição de submissão. Em ambos os casos, o cliente não tem razão, nem sabe o que é melhor para ele. Seja como vítima de uma violação da lei ou como autor de uma violação da lei, o cliente é sujeito passivo diante do advogado, promotor, juiz, delegado. E, como “paciente” diante do médico, deixa de ser pessoa para tornar-se objeto de intervenção.

Num país no qual o acesso à Justiça e o acesso à Saúde são deficientes, como o Brasil, é previsível que tanto o título de “doutor” permaneça atual e vigoroso quanto o que ele representa também como viés de classe. Infelizmente, a maioria dos “doutores” médicos e dos “doutores” advogados, juízes, promotores, delegados etc. estimulam e até exigem o título no dia a dia.

(Eliane Brum. Época – 10 set. 2012. Adaptado.)

terça-feira, 6 de março de 2018

Dever de Casa - 9° Ano EF - Arthur Schopenhauer

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
SÉRIE: 9ª ANO EF
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
ATIVIDADE: SCHOPENHAUER

Veja o vídeo "Schopenhauer e o Amor" e responda as questões a seguir.




QUESTÃO 1- Defina de acordo com o vídeo o conceito de Vontade em Schopenhauer. 
QUESTÃO 2- Explique o que é o amor em Schopenhauer.
QUESTÃO 3- O que Schopenhauer escreveu faz sentido nos dias de hoje? 
                   Aponte um argumento a favor ou contra as ideias apresentadas por Schopenhauer.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

DEVER DE CASA: KIERKEGAARD - 9° ANO EF

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
SÉRIE: 9ª ANO EF
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
ATIVIDADE: KIERKEGAARD

QUESTÃO 1- Quais foram as críticas feitas por Kierkegaard à filosofia de Hegel?
QUESTÃO 2- Na filosofia de Kierkegaard, qual é a relação entre possibilidade e angústia?
QUESTÃO 3- Refletindo sobre a pintura.

                                                 Retirantes, pintura de Candido Portinari, 1944. 
                                                 Disponível no Museu de Arte de São Paulo, Brasil.

a) Que impressões a pintura despertou em você? A que elementos da tela essas simples impressões estão associadas?
b) Qual é o estado físico e sentimental dos personagens retratados por Candido Portinari? Você tem ideia da situação de vida das pessoas representadas nessa tela? Qual seria a relação entre essa situação e o título da pintura?
c) Relacione a pintura ao pensamento de Kierkegaard a respeito da vida. 


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

ATIVIDADE: DEVER DE CASA 2ªEM - ESCOLAS HELENÍSTICAS

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
ANO: 2ª SÉRIE EM
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
ATIVIDADE: DEVER DE CASA - AS ESCOLAS HELENÍSTICAS

QUESTÃO 1- Diferencie a Eudaimonia para o Cinismo da Eudaimonia para o Estoicismo.
QUESTÃO 2 - Explique qual a função dos quatro remédios (tetrapharmacon) para Epicuro.
QUESTÃO 3 - Pesquise e conceitue o significado do termo epoché no Ceticismo.
QUESTÃO 4 - Faça a distinção entre o Ceticismo de Pirro (Pirronismo) e o Ceticismo acadêmico.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

CAUSAS DA ORIGEM DA FILOSOFIA - TEXTO PARA A 1ª SÉRIE EM

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
ANO: 1ª SÉRIE EM
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
ATIVIDADE: DEVER DE CASA

TEXTO: CAUSAS DA ORIGEM DA FILOSOFIA

Por que os gregos começaram a explicar o mundo de uma forma diferente da explicação mitológica? Em outros termos, o que tornou possível a passagem da cosmogonia à cosmologia?
Há causas para a origem da Filosofia e, agora, vamos analisar algumas delas. Perceba como cada uma delas operou uma mudança significativa no modo de pensar do homem na Antigüidade grega, permitindo a formação de coisas novas como a Filosofia, segundo Jean-Pierre Vernant.

1) Navegações: uma parte considerável da vida dos gregos relacionava-se com o mar, era de onde, por exemplo, conseguiam obter parte significativa de sua alimentação. Vivendo muito no mar, os gregos não encontraram muitos dos monstros marinhos narrados pela história oral e nem vivenciaram seres e histórias narradas por poetas. Assim, as navegações contribuíram para o que Max Weber chamou mais tarde de “desencantamento do mundo”. Fazia-se necessário um saber que explicasse os fatos ocorridos na natureza que não recorresse a histórias sobrenaturais.

2) Calendário e moeda: viver podendo pensar o tempo abstratamente e quantificando valores para realizar trocas não é algo que sempre ocorreu na história da humanidade. Quando os gregos passaram utilizar o calendário e a moeda, introduzida pelos fenícios, conseguiram abstrair valores como símbolo para as coisas, fazendo avançar a capacidade de matematizar e de representação. Tudo isso favoreceu um desenvolvimento mental muito significativo e com grande capacidade de abstração.

3) Escrita: outro fator que potencializou em grande medida o poder de abstração do homem grego foi transcrever a palavra e o pensamento com símbolos: eis o alfabeto. A escrita permite o pensamento mais aguçado sobre algo quando ficamos lendo e analisando alguma coisa, como, por exemplo, uma lei. Ao ser fixada, a lei fica exposta como um bem comum de toda a cidade, um saber que não é secreto como um saber vinculado ao exercício de um sacerdote, mas propriamente público, além de estabelecer uma nova noção na atividade jurídica, a saber, uma verdade objetiva.

4) Política: esta é a principal causa para a origem da Filosofia (e da Ética), já que, até agora, vimos somente a contribuição das técnicas para isso; porém, havia mais recursos técnicos no Oriente que na Grécia, e a Filosofia é uma invenção genuinamente grega, além do Oriente não ter se libertado dos mitos. Note que a palavra política é formada pelo termo grego pólis, cujo significado é cidade, cidade-estado, conjunto de cidadãos que vivem em um mesmo lugar e uma mesma lei. E o mais importante: são os cidadãos que faziam suas próprias leis mediante uma assembléia. Esta prática teve início com os guerreiros que, juntos, discutiam o melhor modo de vencer ao inimigo, cada um dos guerreiros tinha o direito de falar, bastando para isso ir ao centro do círculo formado na assembléia; ao final da guerra, outras assembléias eram feitas para dividir o que foi ganho. Isto é, ocorre a prática do diálogo para a decisão, dando a todos o direito de falar e a condição de serem iguais uns aos outros e à lei partilhada entre eles. Aquele que conseguir convencer a maioria de que sua proposta é a que aproxima-se mais da verdade de como vencer aos inimigos, receberá maior número de votos. Ora, é esta a prática que o filósofo adotou mais tarde: escrevendo ou discursando, tornava pública suas idéias por considerá-las verdadeiras, por pretender encontrar a harmonia perdida do debate entre opiniões divergentes. Debater, trocar opiniões, argumentar, eis a prática democrática, eis a prática filosófica. A Filosofia nasce como uma filha da pólis, como uma filha da democracia.
Eis o que Jean Pierre Vernant chamou de um “universo espiritual da pólis”[1]: trata-se de um lugar com proeminência da palavra - a palavra aberta a todos e com igualdade no seu uso era o modo de fazer política; com publicidade - separação entre questões privadas e questões públicas, estabelecendo práticas abertas e democráticas em oposição aos processos secretos; com isonomia – todos eram iguais no exercício do poder e diante das leis que criaram. Além disso, este novo universo espiritual esteve acompanhado e propiciou uma “mutação mental”[2] nos homens: agora era possível explicar o mundo abstratamente excluindo o sobrenatural.
Este novo “universo espiritual da polis” foi determinante para a origem da Filosofia. O que falta sabermos, agora, é porque só algumas pessoas tornaram-se filósofos, e não todas.

[1] VERNANT, Jean-Pierre. As Origens do Pensamento Grego. Tradução de Ísis Borges B. da Fonseca, Rio de Janeiro, 11° edição, 2000, p. 41.
[2] ______. Mito e pensamento entre os gregos: estudos de Psicologia Histórica, p. 453.


RESPONDA NO CADERNO

QUESTÃO 1. Explique como as navegações contribuíram com uma mudança no modo de pensar dos homens da Antigüidade Grega.

QUESTÃO 2. Expliquem como a moeda e o calendário contribuíram para o despertar da filosofia.

QUESTÃO 3. a) Por que a política é a principal causa para a origem da Filosofia na Antiguidade Grega?
           b) Relacione as práticas de guerra com o nascimento da democrática.

QUESTÃO 4. O que escritor Jean-Pierre Vernant entende por um novo “universo espiritual da pólis”?

QUESTÃO 5. As navegações, o calendário e a moeda, a escrita e a política contribuíram com a mudança no modo de pensar dos homens na Antiguidade Grega.
Você considera que, hoje, a informática, com a virtualidade, pode está mudando o nosso modo de pensar? Explique.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

6 sinais que uma pessoa possui o vício de jogo

Em que medida os jogos eletrônicos são prejudiciais à saúde?

Abro aqui espaço para as nossas discussões. Atendendo a pedidos de amigos, pais e alunos seguem abaixo duas matérias interessantes sobre o vício em videogames:

I. Vício em videogame já afeta 9% dos usuários


Foto: © Fornecido por El Pais Brasil Isaac Flores jogando um videogame no computador.

O venezuelano Ricardo Quintero, de 29 anos, deu um soco em sua irmã quando tinha 14 por lhe dizer como devia jogar um videogame. “Como fui capaz de fazer isso?”, pergunta-se. Ele acredita que foi o vício em videogame o fez perder o controle. Um vício que o levou a faltar a compromissos, deixar amizades e baixar o rendimento escolar.

Estudos internacionais apontam que até 9% das pessoas que jogam estão viciadas em videogames. Em alguns países asiáticos isso já é considerado um problema de saúde pública. Na China, o gigante da internet Tencent limitou o tempo diário de uso de seu videogame King of Glory para evitar que os mais jovens viciem. Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o vício em videogame na lista de doenças mentais que está sendo preparada para a próxima edição da Classificação Internacional de Doenças (ICD-11, na sigla em inglês). A ESA, associação norte-americana que representa os produtos e distribuidores da indústria do videogame, solicitou que a OMS reconsidere a decisão.

Esse transtorno se caracteriza por um padrão “contínuo ou recorrente”. A OMS vincula a doença ao aumento da prioridade dada aos jogos em prejuízo de outros interesses vitais e atividades diárias. Além disso, os jogadores perdem o controle sobre a frequência e duração.
Quintero trabalhava como publicitário, às vezes não terminava suas tarefas por causa do jogo e mentia para seus clientes. “Dizia [que seriam] cinco minutos e passava quatro horas”, conta. O vício também o afetou no âmbito pessoal. Quintero recorda que quase perdeu a namorada, com quem agora vai ter um filho: “Quando tinha 22 anos, preferia jogar a estar com ela”.

A maioria das pessoas viciadas nos videogames tem uma idade média de 20 anos, poucas habilidades sociais e dificuldade de persistir em seus objetivos. É o que diz Susana Jiménez, psicóloga clínica e coordenadora da unidade de jogo patológico e outros vícios comportamentais do hospital de Bellvitge, em Barcelona. Nessa unidade as consultas relacionadas a videogames cresceram 2% desde 2004. Dos 3.500 casos de pacientes com vícios comportamentais, 5% correspondem a pessoas viciadas em videogames. Especialmente os jogos online, de RPG, em massa e de multijogadores. Mais concretamente o World of Warcraft e o League of Legends (LOL).

Isaac Flores começou a jogar o LOL quando tinha 17 anos. Cada semana passava pelo menos duas noites sem dormir para “melhorar”. Jiménez diz que o fato de esses videogames exigirem uma dedicação de tempo tão importante e não terem fim é o que os torna viciantes. Apesar de Flores ter começado a jogar com amigos, acabou perdendo-os. “Se você está determinado a melhorar, acaba deixando de lado as pessoas que não estão no seu nível”, diz.

Diferentemente de Quintero, o que para ele começou como um vício acabou virando trabalho. Dois anos mais tarde, várias equipes queriam contratá-lo. Assim Pepiinero, como é conhecido no mundo dos esportes, tornou-se um dos melhores jogadores de LOL da Espanha e chegou a ganhar 3.500 euros (13.000 reais) por mês. Mas dedicava mais de dez horas por dia ao jogo: “Você acaba deixando de viver para si e acaba vivendo para o videogame”. Agora, aos 23 anos, perdeu a paixão pelo LOL e trocou os videogames por livros. O último que escolheu foi Coluna de Fogo de Ken Follet. “Foi proveitoso porque ganhei algo em troca, mas tem gente que investe o mesmo tempo ou mais e não chega a lugar nenhum. Muitas vezes fazem isso para provar seu valor”, opina.

Gabriel Rubio, chefe do serviço de Psiquiatria do Hospital 12 de Octubre (Madri), afirma que os videogames permitem melhorar a autoestima. Sua unidade trata principalmente pacientes viciados em jogos com dinheiro. O médico destaca que um em cada três foi viciado videogames e os trocou pelas apostas. Para Jiménez, muitas vezes é mais fácil tratar a ludopatia quando a pessoa está consciente do problema: “O grande desafio do vício em videogames é a pouca consciência que esses jovens têm da doença”. O tratamento é feito em duas etapas: uma intensiva, com uma sessão semanal durante os quatro primeiros meses e outra de acompanhamento, que se estende por dois anos.

A família desempenha um papel fundamental, especialmente na prevenção. “Jogar videogames não tem absolutamente nada de mau, mas é preciso limitar os tempos e proporcionar às crianças diversidade de entretenimento”, afirma Andrés Quinteros, diretor da clínica de psicologia Cepsim. Recomenda-se jogar no máximo duas horas por dia com a luz acesa, não ficar muito perto do monitor e evitar pôr a tela no brilho máximo. Durante o tratamento, o objetivo não é convencer os pacientes de que os videogames são maus, mas fazê-los perceber o que estão perdendo como consequência de jogar mais de oito horas por dia.

Quintero não se submeteu a nenhum tratamento para acabar com seu vício em videogames. Substituiu os jogos por outras ocupações: concentrou-se no trabalho, toca bateria e passa tempo com sua companheira. Hoje ainda joga FIFA e Destiny 2 quatro horas por semana no Play Station 4, mas o que para ele antes era “tudo”, agora é uma válvula de escape. O jovem venezuelano tem consciência de que o vício em videogames fez muitas pessoas perderem tudo: família, trabalho e amigos. Mas lança uma mensagem de esperança: “O bom de chegar ao fundo do poço é que a única opção que resta é subir”.

EL PAÍS - Isabel Rubio
https://www.msn.com/pt-br/entretenimento/jogos/vício-em-videogame-já-afeta-9percent-dos-usuários/ar-AAuRu3m?ocid=spartanntp

II. 6 sinais que uma pessoa possui o vício de jogo

Qualquer jogo, seja video-game, cartas, baralho, e qualquer outra coisa. Veja estes 6 sinais que você, seu cônjuge ou alguém que você conhece precisa de ajuda rápido.

O vício é uma desordem química no cérebro. Hábitos e comportamentos baixam o nível de norepinefrina, ou seja, a pessoa tem que trabalhar mais para obter esses níveis elevados de volta. Com o jogo, a única maneira de manter o nível de norepinefrina é jogando mais tempo, com mais frequência, e jogos mais intensos. Aqui estão alguns sinais de que o jogo se tornou um vício:

1. Jogo compulsivo

Tendo tempo para desfrutar de um jogo com os amigos é uma coisa, mas jogar porque você se sente empurrado para o jogo, isso é compulsão. Jogando por um período curto de tempo para relaxar ou se divertir não é o mesmo que ficar triste ou até mesmo sentir-se com raiva porque você tem que parar ou sentir-se incapaz de parar de jogar.

2. Compromisso da função

Não é mais um jogo, se você tem saído da vida real. Se você é incapaz de completar uma tarefa normal, porque não consegue prender sua atenção, isso significa que o seu cérebro já está mudando de função. Se você é incapaz de ter conversas com aqueles que o rodeiam, o jogo tornou-se uma ilusão de interação. Se você negligenciar o seu cônjuge, filhos ou funções do trabalho por causa do jogo, isso é um sinal de que você já foi longe demais.

3. Isolamento

Se você se retirar de outras atividades, porque muito tempo e energia são dados ao jogo, seu tempo de jogo pode estar fora de equilíbrio. Se você só interagir com os amigos on-line, você vai lutar com a sua capacidade de participar de interações da vida real porque habilidades sociais são inteiramente necessárias.

4. Realização falsa

Alguns jogadores ficam tão perdidos em níveis e em outras realizações dentro do jogo que eles perdem o interesse em realizações da vida real. Eles podem tornar-se apático, desmotivados ou desinteressados na busca de interesses externos e passatempos que desenvolvem outros talentos.

5. Perda de criatividade

Quando os jogos de vídeo e gráficos de alta tecnologia proporcionam a estimulação apenas, os jogadores extremos podem perder algumas das habilidades de sua própria imaginação. Muitas vezes, os jogadores viciados preferem se dedicar somente a um jogo, e assim repetir apenas as habilidades necessárias para aquele jogo com a exclusão de outras habilidades que também necessitam de prática.

6. Mudanças de humor

Por causa da alteração dos níveis de norepinefrina, o jogador viciado deve aumentar o seu vício em tempo e intensidade para atingir os mesmos sentimentos positivos em jogos. Essas mudanças aumentam outros sintomas, também, incluindo crescente isolamento da família, de amigos e de outras atividades por omissão. Sem esses apoios adicionais e com maior intensidade a partir de mais jogos, o jogador viciado pode experimentar variações de humor ou mesmo respostas emocionais explosivas quando pedido para parar ou confrontado sobre o comportamento viciante.

O jogo pode ser um passatempo divertido para muitos, e muitos jogos incluem excelentes oportunidades de aprendizagem. Mas quando os jogos escolhidos são mais intensos e violentos, e são jogados por uma grande quantidade de tempo fazendo com que sejam excluídas do jogador outras interações e atividades, isso pode se encaixar no padrão do comportamento viciante.
Traduzido e adaptado do original How to recognize a gaming addiction, por Jaguaraci Nascimento.

VIDEOGAMES COMO TERAPIA

Cada vez mais profissionais da saúde exploram as possibilidades terapêuticas dos videogames. No Hospital de Bellvitge eles são utilizados como estratégias complementares no tratamento da ludopatia: treinam o paciente a controlar melhor os estados emocionais negativos e o estresse, a irritabilidade e a ansiedade.

Também existem videogames para fazer crianças com câncer terem atitudes mais positivas na quimioterapia ou ajudar na recuperação de queimaduras. “Quando desconectam, melhora o limiar de tolerância à dor”, diz Susana Jiménez. Os videogames também podem ser extremamente positivos se forem usados de forma adequada, já que ajudam a desenvolver habilidades como concentração, atenção e memória.

Emily Christensen
Ph.D, vive com o marido em Oklahoma, Estados Unidos. Recebeu seu Ph.D em terapia de casais e família, e está estudando Hebraico e Estudos Judaicos.
Website: http://www.housewifeclass.com
https://www.familia.com.br/342/como-reconhecer-um-vicio-de-jogo

Pensamentos

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