quinta-feira, 17 de junho de 2010

Educação, uma Emancipação do Olhar

Prezados amigos e colegas,

estou postando um texto de um grande amigo Anderson Manuel de Araújo, vale a pena refletir.

“Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas”. (Nietzsche).

O filósofo Platão nos apresenta em seu livro República, a Imagem da Caverna, mais conhecida como Mito da Caverna. Na Imagem da Caverna, temos uma situação onde se encontram homens presos por correntes, desde crianças, no interior de uma caverna. Eles estão presos de tal modo que não podem mover o pescoço, logo, são obrigados a olhar para frente eternamente. E o que eles vêem, eternamente? Sombras de objetos projetadas por um fogo na parede da caverna. Acontece que um deles é libertado e tem a oportunidade de olhar o mundo a partir de um outro lugar, a saber, fora da caverna. Um prisioneiro é solto e pode conhecer os objetos que eram projetados pelo fogo na parede da caverna, e ele pode ainda mais, sair da caverna e ver o sol.

Ora, o mesmo se passa conosco, afirma Sócrates, a respeito da nossa condição humana. Dizemos condição humana, porque somos homens que vivemos no mundo, e, porque vivemos no mundo, relacionamo-nos com homens no mundo. E, imersos em relacionamentos humanos, no mundo, somos sujeitos a diversas posições a respeito de nós mesmos e do mundo. E essas posições nem sempre são fruto de reflexões, ou de imagens críticas de nós mesmos e do mundo. Muitas vezes, são imagens distorcidas, tomadas como “a verdade”, “o sentido”, “o real”, caracterizadas por serem eleitas na ausência de reflexão.

Assim, não cabe à educação propor a visão de uma verdade ou do real, mas condições de possibilidades que nos permitem ser facilitadores da visão dos diversos sentidos de mundo, diria o educador Paulo Freire. Platão e a Imagem da Caverna nos orientam nesta posição. Pois, estamos falando de uma educação do olhar. Na língua grega há diversos modos do verbo “ver” que se ligam a modos de conhecimento. Assim, o verbo “ver” é utilizado muitas vezes pelos gregos para se referirem às muitas formas de conhecimento.

Retornemos, pois, à caverna. Os prisioneiros eram obrigados a ver sempre as mesmas coisas, tinham o olhar orientado para uma única direção. Eles poderiam refletir sobre o que viam? Sim. No entanto, somente sobre o que lhes era apresentado. Não podiam caminhar e buscar uma outra imagem, não tinham um olhar emancipado. Podiam, talvez, fechar os olhos. A liberdade dos prisioneiros se resumiria, talvez, nesta possibilidade de fechar os olhos. Mas, também, nem não sabiam ou nem quereriam, uma vez que não tinham outras possibilidades de “passar o tempo” e de se divertirem.

Mas, um dos prisioneiros tem a oportunidade de ver “mais”, de conhecer melhor o mundo. E, aqui, apontamos para uma condição de possibilidade de uma educação que emancipa o olhar. É uma educação que oportuniza meios, ou momentos, para que o educando ou o aluno, possa ver “mais”. Não é a idéia de ver muito mais, como adição na matemática. Mas, que oportuniza pelo menos mais de uma visão acerca de si mesmo e acerca do mundo.

A educação assumiria, então, as posições de mãe ou de pai, porque usamos o termo emancipação. No entanto, ela é um pai-mãe “ideal”. É o que o professor, o facilitador ou o educador faz com o seu aluno. A educação seria justamente o contrário de um paternalismo. Ela deve emancipar o olhar do aluno. E o desafio para o professor “facilitador” é o de mostrar para o aluno que ele é sujeito, portanto, homem dotado de uma capacidade reflexiva que o permite conhecer sentidos do mundo, e que o torna capaz de escolher ou não, alguns sentidos do mundo. Educação seria, talvez, mostrar, sutilmente, a possibilidade de uma vida sem os pais, logo, a tarefa do educador é, neste sentido, emancipar o olhar do aluno.

Assim, pensamos que a educação teria, de um lado, o privilégio de poder corrigir o olhar das pessoas. E, por outro lado, o professor teria que ser um polýtropon, palavra grega que significa “aquele que se vira de muitos modos”. O professor teria que, primeiramente, estar, não emancipado, mas no processo de emancipação do olhar. Pois, sabemos que o conhecimento se dá num processo, e não podemos, se estivermos numa atitude reflexiva e, portanto, filosófica, apontar para uma posição totalmente emancipada, segura de si, dogmática.

O professor teria que, então, antes de cuidar para que aconteça a emancipação dos outros, estar, ele mesmo, no processo emancipatório. Ele deve cuidar-se de si, ocupar-se de si. Só então ele poderá ocupar-se dos outros. Assim, a educação assume também um caráter terapêutico, mas despretensioso. Porque não podemos pensar na relação professor-aluno como uma relação de mestre e discípulo, mas numa relação que é construída entre sujeitos. Enquanto possibilito que o outro veja outros sentidos de mundo, também conheço, através dele, outros sentidos de mundo, e, juntos, construímos outros sentidos de mundo.

Assim, uma educação que liberta, e que por isso mesmo é humana, é aquela que se preocupa com o olhar das pessoas. E, para que ela ocorra, faz-se necessário que o professor seja um polýtropon despretensioso, que ele não tenha a intenção de agradar ou de “bajular” o olhar do aluno, mas que se vire de muitos modos para libertar o olhar do aluno de uma única imagem, ou melhor, que ele aponte pelo menos possibilidades que permitam ao aluno escolher se deseja se libertar ou não, de uma imagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BORNHEIM, Gerd. Introdução ao Filosofar. Porto Alegre: Globo, 1978. p.47-80.
NIETZSCHE, F. Humano Demasiado Humano. Os pensadores. Trad. Rodrigues Torres Filhos. São Paulo: Abril, 1974. p. 158.
PLATÃO, A República. Trad. Carlos Alberto Nunes. 3ª ed. Belém: EDUFPA, 2000. p.319-357.

terça-feira, 15 de junho de 2010

BRASIL - RUMO AO HEXA





Vai seleção...!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Alienação e Ideologia

Alienação e Ideologia 



Alienação


Alienação é o fenômeno pelo qual os homens criam ou produzem alguma coisa, dão independência a esta criatura como se ela existisse por si mesma e em si mesma, deixam-se governar por ela como se ela tivesse poder em si e por si mesma, não se reconhecem na obra que criaram, fazendo-a em ser outro, separado dos homens, superior a eles e com poder sobre eles.

Na alienação social, os seres humanos não se reconhecem como produtores de instituições sociopolíticas (como, por exemplo, o Estado, a família, o casamento, a propriedade, o mercado, etc.) e oscilam entre duas atitudes: ou aceitam passivamente tudo que existe, por ser tido como natural, divino ou racional, ou se rebelam individualmente, julgando que, por sua própria vontade e inteligência, pode mais do que a realidade que os condiciona. Nos dois casos, a sociedade é o outro (alienus), algo externo a nós, separado de nós e com poder total ou nenhum poder sobre nós.

A alienação social se exprime numa "teoria" do conhecimento espontânea, formando o senso comum da sociedade. Por seu intermédio, são imaginadas explicações e justificativas para a realidade tal como é diretamente percebida e vivida.

Um exemplo desse senso comum aparece no caso da "explicação" da pobreza, em que o pobre é pobre por sua própria culpa (preguiça, ignorância) ou por vontade divina ou por inferioridade natural. Esse senso comum social, na verdade, é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita pelos pensadores ou intelectuais da sociedade – sacerdotes, filósofos, cientistas, professores, escritores, escritores, jornalistas, artistas -, que descrevem e explicam o mundo a partir do ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante da sua sociedade.

Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum social é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista, as opiniões e as idéias de uma das classes sociais – a dominante e a dirigente – tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda a sociedade.

A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da ideia de "humanidade", ou da ideia de "nação" e "pátria", ou da ideia de "raça", etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social de classes, mas por diferenças individuais de talentos e de capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc.

A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as idéias.

Adaptado de CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995. p. 170-174.


Ideologia


O termo foi criado por Destut De Tracy (Idéologie, 1801) para indicar " a análise das sensações e das idéias", segundo o modelo de Condillac. A ideologia foi a corrente filosófica que assinalou a transição do empirismo iluminista ao espiritualismo tradicionalista que floresceu na primeira metade do século XIX.

Dado que alguns ideólogos franceses lhe foram hostis, Napoleão adotou o termo em sentido depreciativo, chamando de "ideólogos" aos "doutrinários", ou seja, as pessoas privadas de sentido político e, em geral, sem contato com a realidade.

Neste momento se inicia o significado moderno do termo que se aplica, não a uma espécie qualquer de analise filosófica, senão a uma doutrina mais ou menos privada de validade objetiva, porém mantida pelos interesses evidentes, ou escondidos dos que a utilizam.

A noção de Ideologia, neste sentido, resulta, na segunda metade do século XIX, fundamental para o marxismo é um de seus maiores instrumentos polêmicos contra a cultura denominada "burguesa". Marx afirmou a dependência das crenças religiosas, filosóficas, políticas, morais, das relações de produção e de trabalho, tal como se constituíram em toda fase da história econômica – é a tese do materialismo histórico. Por essa concepção entende-se ideologia como o conjunto dessas crenças, enquanto não tem outra validade que a de expressar uma determinada fase das relações econômicas e, portanto, de servir à defesa e aos interesses que prevalecem em cada fase dessas relações de produção.

Em 1916, Vilfrido Pareto. A noção de ideologia corresponde, em Pareto, a uma teoria não-científica, ou seja, uma teoria não lógico-experimental. Ciência e ideologia pertencem assim a dois campos separados que nada têm em comum: a primeira ao campo da observação e da razão, a segunda ao campo do sentimento e da fé. Conclui que a ideologia tem como função, em primeiro lugar, persuadir, isto é, dirigir a ação.

Mannheim, outro teórico da ideologia, distingue um conceito particular e um geral do termo ideologia. No sentido particular se entende "ao conjunto das imitações mais ou menos deliberadas de uma situação real, com cujo exato conhecimento contrastam os interesses dos que sustentam a ideologia mesma". No sentido mais geral se entende ideologia por "visão de mundo" de um grupo humano, uma classe social, por exemplo. Mannheim distingue ideologia de utopia, afirmando que a utopia se realiza enquanto a ideologia não.

Portanto, em geral, se pode denominar Ideologia a toda crença adotada como controle dos comportamentos coletivos, entendendo o termo crença em seu significado mais amplo, como noção que compromete a conduta e que pode ter ou não validade objetiva. Assim entendido, o conceito de ideologia resulta puramente formal, já que pode ser adotada como Ideologia tanto uma crença fundada sobre elementos objetivos, como uma crença totalmente infundada, tanto uma crença realizável como uma crença não realizável. O que faz da ideologia uma crença não é, com efeito, sua validade ou falta de validade senão sua capacidade de controle dos comportamentos em uma situação determinada.

(Nicola Abbagnano. Dicionário de Filosofia)

sábado, 5 de junho de 2010

DESAFIO BLOG BOATEMÁTICA

Aos queridos alunos do COLÉGIO RUI BARBOSA,

estou ajudando a divulgar o desafio do meu grande amigo professor Marco Aurélio Amarante Ribeiro (Matemática), quem resolver a equação abaixo, ganhará um prêmio (pontos) na disciplina de Matemática.

RESOLVA:

Dada a equação:

x! = x

CRITÉRIOS E INSTRUÇÕES:

I) Comente algo no Blog BOATEMÁTICA colocando sua foto. Esta será sua ficha de inscrição. Pode ser qualquer comentário.

II) Encontre uma técnica de resolução que exiba a solução S = {1,2} . Uma simples substituição mostra que a solução acima é verdadeira.

III) Mostre que a solução é formada por APENAS esses dois números.

Obs: Você terá que apresentar sua resolução no quadro para uma banca de professores de Matemática e Física e para uma platéia de alunos. Não poderá utilizar nenhum recurso na apresentação, a não ser "cuspe e giz". Poderá no entanto consultar antes de sua apresentação quem e o que quiser: ex: Professores (menos o Coréi), livros, internet, pai de santo...

Boa sorte!


Para saber mais acesse: http://profcorelio.blogspot.com/

Pensamentos

"Conhece a ti mesmo." Sócrates --"A linguagem é a morada do Ser." Heráclito -- "O homem é a medida de todas as coisas." Protágoras -- " Penso, logo existo. " René Descartes -- " O Mundo é minha representação sobre ele. " Artur Schopenhauer -- " Ai ai, o tempo dos pensadores parece ter passado! " Soren Kierkaard -- "Sobre aquilo que não pode ser dito deve se calar.” Ludwig Wittgenstein -- "O Ser é um horizonte de possibilidades." Martin Heidegger -- "A essência precede a existência." Jean Paul Sartre -- " A esperança floresce senão sobre o solo do desespero. " Gabriel Marcel "A razão e a sabedori falam. O Erro e a ignorância gritam." Sto. Agostinho "A melhor lição é o exemplo." Sto. Agostinho