sábado, 29 de setembro de 2007

Vergonha de fazer o que é certo



“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto” (Rui Barbosa)






quarta-feira, 12 de setembro de 2007

CAUSAS DA ORIGEM DA FILOSOFIA - TEXTO PARA O 1o. ANO

CAUSAS DA ORIGEM DA FILOSOFIA

Comentávamos, no tópico anterior, que tínhamos de explicar porque os gregos começaram a explicar o mundo de uma forma diferente da explicação mitológica. Em outros termos, o que tornou possível a passagem da cosmogonia à cosmologia?
Há causas para a origem da Filosofia e, agora, vamos analisar algumas delas. Perceba como cada uma delas operou uma mudança significativa no modo de pensar do homem na Antigüidade grega, permitindo a formação de coisas novas como a Filosofia, segundo Jean-Pierre Vernant.

1) Navegações: uma parte considerável da vida dos gregos relacionava-se com o mar, era de onde, por exemplo, conseguiam obter parte significativa de sua alimentação. Vivendo muito no mar, os gregos não encontraram muitos dos monstros marinhos narrados pela história oral e nem vivenciaram seres e histórias narradas por poetas. Assim, as navegações contribuíram para o que Max Weber chamou mais tarde de “desencantamento do mundo”. Fazia-se necessário um saber que explicasse os fatos ocorridos na natureza que não recorresse a histórias sobrenaturais.
2) Calendário e moeda: viver podendo pensar o tempo abstratamente e quantificando valores para realizar trocas não é algo que sempre ocorreu na história da humanidade. Quando os gregos passaram utilizar o calendário e a moeda, introduzida pelos fenícios, conseguiram abstrair valores como símbolo para as coisas, fazendo avançar a capacidade de matematizar e de representação. Tudo isso favoreceu um desenvolvimento mental muito significativo e com grande capacidade de abstração.
3) Escrita: outro fator que potencializou em grande medida o poder de abstração do homem grego foi transcrever a palavra e o pensamento com símbolos: eis o alfabeto. A escrita permite o pensamento mais aguçado sobre algo quando ficamos lendo e analisando alguma coisa, como, por exemplo, uma lei. Ao ser fixada, a lei fica exposta como um bem comum de toda a cidade, um saber que não é secreto como um saber vinculado ao exercício de um sacerdote, mas propriamente público, além de estabelecer uma nova noção na atividade jurídica, a saber, uma verdade objetiva.
4) Política: esta é a principal causa para a origem da Filosofia (e da Ética), já que, até agora, vimos somente a contribuição das técnicas para isso; porém, havia mais recursos técnicos no Oriente que na Grécia, e a Filosofia é uma invenção genuinamente grega, além do Oriente não ter se libertado dos mitos. Note que a palavra política é formada pelo termo grego pólis, cujo significado é cidade, cidade-estado, conjunto de cidadãos que vivem em um mesmo lugar e uma mesma lei. E o mais importante: são os cidadãos que faziam suas próprias leis mediante uma assembléia. Esta prática teve início com os guerreiros que, juntos, discutiam o melhor modo de vencer ao inimigo, cada um dos guerreiros tinha o direito de falar, bastando para isso ir ao centro do círculo formado na assembléia; ao final da guerra, outras assembléias eram feitas para dividir o que foi ganho. Isto é, ocorre a prática do diálogo para a decisão, dando a todos o direito de falar e a condição de serem iguais uns aos outros e à lei partilhada entre eles. Aquele que conseguir convencer a maioria de que sua proposta é a que aproxima-se mais da verdade de como vencer aos inimigos, receberá maior número de votos. Ora, é esta a prática que o filósofo adotou mais tarde: escrevendo ou discursando, tornava pública suas idéias por considerá-las verdadeiras, por pretender encontrar a harmonia perdida do debate entre opiniões divergentes. Debater, trocar opiniões, argumentar, eis a prática democrática, eis a prática filosófica. A Filosofia nasce como uma filha da pólis, como uma filha da democracia.
Eis o que Jean Pierre Vernant chamou de um “universo espiritual da pólis[1]: trata-se de um lugar com proeminência da palavra - a palavra aberta a todos e com igualdade no seu uso era o modo de fazer política; com publicidade - separação entre questões privadas e questões públicas, estabelecendo práticas abertas e democráticas em oposição aos processos secretos; com isonomia – todos eram iguais no exercício do poder e diante das leis que criaram. Além disso, este novo universo espiritual esteve acompanhado e propiciou uma “mutação mental”[2] nos homens: agora era possível explicar o mundo abstratamente excluindo o sobrenatural.
Este novo “universo espiritual da polis” foi determinante para a origem da Filosofia. O que falta sabermos, agora, é porque só algumas pessoas tornaram-se filósofos, e não todas.

[1] VERNANT, Jean-Pierre. As Origens do Pensamento Grego. Tradução de Ísis Borges B. da Fonseca, Rio de Janeiro, 11° edição, 2000, p. 41.
[2] ______. Mito e pensamento entre os gregos: estudos de Psicologia Histórica, p. 453.


EXERCÍCIOS

1 – Como as navegações contribuíram com uma mudança no modo de pensar dos homens da Antigüidade Grega?

2 – Como a moeda e o calendário contribuíram com uma mudança no modo de pensar dos homens da Antigüidade Grega? (5 linhas)

3 – Por que a política é a principal causa para a origem da Filosofia na Antigüidade Grega? Responda citando também a importância dos guerreiros e sua prática democrática. (5 linhas)

4 – O que Jean-Pierre Vernant entende por um novo “universo espiritual da pólis”? (5 linhas)

5 – As navegações, o calendário e a moeda, a escrita e a política contribuíram com a mudança no modo de pensar dos homens na Antigüidade Grega. Você considera que, hoje, a informática, com a virtualidade, pode está mudando o nosso modo de pensar? Explique. (8 linhas)

Fonte: Professor Ms. Humberto Zanardo Petrelli. (http://www.consciencia.org/)

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

OFICINA DE CINEMA

Estão abertas as inscrições para a Oficina de Cinema do COLÉGIO RUI BARBOSA. Serão discutidas as mensagens implícitas nos filmes e as técnicas de filmagem utilizadas. Procure o representante de sua turma.

domingo, 9 de setembro de 2007

PLATÃO. Górgias

PLATÃO. Górgias.

O tema do diálogo Górgias é sobre a Retórica (a arte do discurso). Ela pode ser dividida em três partes:

I. [447a – 460e] Górgias X Sócrates – discussão sobre a natureza da retórica.
Para Sócrates a retórica = técnica (techné) cuja função é apenas persuadir as pessoas.
Não serve para ensinar ou produzir o verdadeiro conhecimento.

II. [461a – 480e] Sócrates X Pólo – discussão sobre a natureza e a utilidade da oratória

III. [481a – 522e] Sócrates X Cálicles – Cálicles defende o exercício do poder pelos mais fortes, sem nenhum compromisso com a moral e os princípios éticos. Mas Platão defende, pela boca de Sócrates, que no exercício do poder político os princípios éticos devem prevalecer sobre a força. E o que é “melhor” não é o mais forte e sim aquele que, em primeiro lugar, é capaz de ter equilíbrio e autocontrole.

Personagens:
1.Górgias: Sofista.
2.Sócrates:. Personagem principal
3.Polo: Sofista, discípulo de Górgias.
4.Cálicles: Personagem fictícia de um político ateniense, defensor de idéias sofistas. Cálicles encontra Querofonte e Sócrates convida-os a assistir em sua casa a uma palestra de Górgias sobre retórica.
5. Querofonte.

Cenário:
Casa de Cálicles

Contexto Político Grego (Ateniense):
Quando Górgias foi escrito por Platão, Atenas vivia uma profunda crise econômica e política. Após uma longa guerra contra Esparta (431-404), Atenas perde a guerra e o poder que tinha entre os gregos. O regime Democrático é substituído por uma Tirania (404-403) por imposição de Esparta. A Democracia que é restaurada, em 403, está mais frágil que nunca. Os recursos econômicos dos atenienses só agora bastante mais escassos, a custo a cidade procura recuperar a sua prosperidade econômica. A antiga aristocracia culpa os oradores e os democratas desta perda do poder e exige um governo forte. No inicio do século IV a.C. devido ao elevado absentismo dos cidadãos nas sessões da Assembléia foi decidido remunerá-los sempre que o fizessem. A Assembléia, dirá Aristóteles, torna-se rapidamente num local de ociosos e cidadãos empobrecidos que dessa forma procuram adquirir algum sustento. O exercito passa a ser constituído por mercenários afastando-se dos cidadãos. As sucessivas guerras empobrecem ainda mais a vida dos atenienses. A Democracia continua resistir, mas a tendência é para a adoção de regimes fortes (tirânicos). No final do século IV a.C., Atenas deixa de ser Independente e a Democracia é substituída definitivamente por uma Oligarquia.

Temas centrais:
1. A Retórica como arte e instrumento político
2. A avaliação dos que exercem esta atividade
3. A Ética na atividade política

PLATÃO. Górgias [469b – 509d.]

Tese de Sócrates: é melhor sofrer uma injustiça que praticá-la.

. Sócrates procura mostrar que o indivíduo que comete um crime (injustiça) e causa danos a outro será visto como injusto e perverso. Conseqüências: isso será negativo para sua reputação e convívio na sociedade, e isso acabará causando-lhe danos diversos.

. Não se pode ser feliz fazendo o Mal, por isso é preferível sofrer uma injustiça a praticá-la.

. Aquele que faz o Mal, ao ser punido, expia sua culpa, fica quite com a sociedade e consegue voltar a ser feliz.

Estrutura do Diálogo Cálicles X Sócrates [481c-522e]

Natureza e Convenção

Cálicles:
Distinção entre Verdade, Justiça e Bem segundo a natureza e segundo a convenção (as leis e costumes da cidade). No primeiro caso temos aquilo que é natural (autêntico) e no segundo o que é artificial.
A Lei da Natureza determina que os mais fortes devem exercer o seu domínio sobre os mais fracos, à semelhança do que ocorre no reino animal.
A Lei das Cidades tem como objetivo impedir este poder.

Utilidade da Filosofia

Sócrates:
A filosofia segue apenas razão, lógica, Justiça e Bem. O que a filosofia procura é aquilo que é eterno e imutável.
As paixões produzem a inconstância nos homens, desviando-os da razão e tornando-os incoerentes.

Cálicles:
A filosofia é apenas útil na juventude como exercício mental [486c-486d]
É prejudicial na idade adulta expondo os homens à chacota dos seus semelhantes, distraindo-os com futilidades e, sobretudo, afastando-os da vida prática e da política.

Os Melhores (parte 1)

Cálicles:
Os melhores são os mais fortes

Sócrates (Discussão Dialética):
O Povo (enquanto coletivo) é mais forte fisicamente que qualquer homem isolado.
A Lei que expressa a vontade do Povo é mais forte que qualquer vontade individual
Logo, a Lei (democrática) emana do povo é, nesta comparação, a melhor e a mais forte

Os Melhores (parte 2)

Cálicles:
Os melhores são os mais sábios (reformulação da afirmação anterior)

Sócrates:
Um sábio tem sempre um saber limitado, dado que não pode dominar todos os assuntos.
Só o povo, porque reúne todos os homens é sábio em todos os assuntos.
Logo, é melhor que qualquer homem isolado.

Os Melhores: Os que devem ter o Poder (parte 3)

Cálicles:
Os melhores são aqueles que se evidenciam pela coragem como lutam para satisfazer os seus desejos (hedonismo) (reformulação da afirmação anterior)
O prazer é o melhor dos bens

Sócrates:
Quem procura o prazer pelo prazer jamais se sentirá satisfeito.
O homem só poderá ser feliz se aprender a dominar as suas paixões.
O prazer pode implicar dor, sofrimento, prejuízo. Quem o procura só pode encontrar infelicidade, sofrimento, fazendo também sofrer os outros. Nunca terá amigos, mas apenas aduladores ou os que o odeiam.
O Bem nunca implica o mal ou qualquer prejuízo, dor ou sofrimento. Quem procura o bem só ode encontrar a felicidade.
Logo, o bem é preferível ao prazer.
Os que devem governar a cidade são os que procuram o Bem e dominam os seus impulsos hedonistas (prazer). Só eles procuram melhorar os homens e afastá-los do prazer e conduzi-los ao bem.
Os retóricos e os políticos nada fizeram para melhorar os homens, muito pelo contrário pioraram-nos.

Ética Política

Sócrates:
A Areté (Virtude) só se obtém através do auto-domínio (autocontrole, equilíbrio) das paixões e na procura do Bem
Os políticos devem ser corajosos em praticar o bem e a justiça
Só o homem bom é feliz, corajoso, forte, justo etc. Nada teme.

Referências Bibliográficas:

REALE. Giovanni. História da Filosofia Antiga II. São Paulo: Loyola, 1994.

MARCONDES. Danilo. Textos básicos de Ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.

http://afilosofia.no.sapo.pt/12prog2Plat2.htm
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ATENÇÃO ALUNOS DO 30 ANO - Os textos para o TQD são:

PLATÃO. Górgias [469b-509d] - É melhor sofrer uma injustiça que praticá-la. Trad. Danilo Marcondes.
PLATÃO. Mênon [70a-74b] - O que é a virtude? Trad. Danilo Marcondes.

Pensamentos

"Conhece a ti mesmo." Sócrates --"A linguagem é a morada do Ser." Heráclito -- "O homem é a medida de todas as coisas." Protágoras -- " Penso, logo existo. " René Descartes -- " O Mundo é minha representação sobre ele. " Artur Schopenhauer -- " Ai ai, o tempo dos pensadores parece ter passado! " Soren Kierkaard -- "Sobre aquilo que não pode ser dito deve se calar.” Ludwig Wittgenstein -- "O Ser é um horizonte de possibilidades." Martin Heidegger -- "A essência precede a existência." Jean Paul Sartre -- " A esperança floresce senão sobre o solo do desespero. " Gabriel Marcel "A razão e a sabedori falam. O Erro e a ignorância gritam." Sto. Agostinho "A melhor lição é o exemplo." Sto. Agostinho