segunda-feira, 29 de junho de 2009

II OLIMPÍADA DE FILOSOFIA DO RS


A II OLIMPÍADA DE FILOSOFIA DO RS (http://www.olimpiadadefilosofia.org/) é um evento educacional incentivado e assessorado pela Associação de Cursos de Filosofia do Sul do Brasil (Fórum Sul de Filosofia) e pelos cursos de Filosofia do RS. A iniciativa consiste na realização de atividades didáticas em torno de um tema geral proposto, referente ao qual as atividades relacionadas com o ensino de filosofia serão desenvolvidas em cada instituição de ensino. Essas atividades são chamadas pré-olímpicas e culminarão em atividades olímpicas regionais no dia 26 de setembro de 2009 e em atividades olímpicas estaduais em 24 de outubro de 2009.

2. PÚBLICO-ALVO
Alunos e alunas do Ensino Médio.

3.TEMA
O tema geral proposto para a II Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul:
“A humanidade tem fome de quê?
O que de fato precisamos para viver...”

4. OBJETIVOS
· Subsidiar uma efetiva contribuição da Filosofia à formação dos participantes;

· Fomentar o espírito crítico e dialógico entre os alunos;

· Desenvolver nos jovens cidadãos o aprimoramento das habilidades de ler e escrever textos filosóficos;

· Promover a interação entre alunos e professores participantes.

5. ATIVIDADES
Atividades preparatórias – PRÉ-OLIMPÍADAS
Realizar-se-ão em todo o Estado do Rio Grande do Sul (em cada região ou pólo de referência) atividades curriculares e extracurriculares protagonizadas pelos estudantes e seus professores sobre a temática da olimpíada. Incluem-se aí oficinas de discussão e produção textual, teatro, poesia, desenhos, vídeos, exposições, música, canto, etc.

As MODALIDADES de produção podem ser assim detalhadas:
· Debates e produção textual: realização de debate/diálogo filosófico, em forma de comunidade de investigação ou outros processos que promovam a solidariedade investigativa, sobre tema, problema e/ou texto preestabelecido. Produção de texto individual ou coletivo com base na atividade precedente.
· Elaboração e apresentação de obra artística com incidência sobre o tema preestabelecido: os trabalhos expostos seriam a base para a realização de debate/diálogo filosófico em forma de comunidade de investigação ou outros processos que promovam a solidariedade investigativa.

6. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO
Para a seleção dos trabalhos às Atividades Pré-Olímpicas Regionais (26 de setemboro/2009) e à II Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul (24 de oututbro de 2009), é sugerida a seguinte estrutura de avaliação:Quanto à modalidade 1 (debates e produção textual), serão avaliados: a capacidade de dar exemplos; a pertinência do desenvolvimento do tema em relação ao problema apresentado; a capacidade de síntese, de análise, de relacionar e comparar; a criatividade; a coerência interna do discurso, não só do individual, mas também do que circula e se constrói no seio do grupo; a construção e formulação de problemas e conceitos filosóficos. Quanto à modalidade 2 (elaboração e apresentação de obra artística com incidência sobre o tema preestabelecido), serão avaliados: além de todos os itens acima listados, sera considerada a potencialidade de cada obra apresentada em estimular o debate coletivo, bem como sua criatividade estética na medida em que tenha incidência sobre a produção de conceitos e problemas
No trabalho seletivo, em cada escola ou turma, sugere-se, ainda, considerar as seguintes perguntas orientadoras: qual trabalho apresentado melhor representa o grupo? Ou: qual trabalho apresentado mais estimulou e/ou representou o trabalho de investigação coletiva?

7. CRONOGRAMA
Atividades Pré-Olímpicas Regionais – 2009
· Agosto/Setembro: adesões às atividades pré-olímpicas regionais, nas escolas, de projetos que abranjam o ensino de Filosofia no contexto da temática estabelecida, considerando-se os seus subtemas e modalidades. Intercâmbio de idéias e projetos.
· Início de setembro: desenvolvimento e seleção de trabalhos, nas escolas, para participação na atividade regional (região/pólo), que será realizado nas dependências da Uri-campus de Frederico Westphalen.
· Dia 26 de setembro: Os alunos ou grupos selecionados em cada escola apresentarão seus trabalhos no encontro da região/pólo.

II Olimpíada de Filosofia do Rio Grande do Sul – 2009
É o encontro final, com os participantes das atividades pré-olímpicas realizadas em todo o Estado, a ser realizado no dia 24 de outubro na PUC/ Porto Alegre. As atividades (modalidades de produção) a serem realizadas nesse encontro não se diferenciariam das propostas na etapa pré-olímpica.

8. PREMIAÇÃO
Os trabalhos selecionados nas atividades regionais, poderão participar das Olimpíadas Estaduais em 24 de Outubro. Serão premiados com livros de filosofia e publicação de seus trabalhos no site oficial da olimpíada.

9. MAIS INFORMAÇÕES
Entre em contato comigo através do e-mail: leovasconcelos@ufmg.br ou através do e-mail contato@olimpiadadefilosofia.org, a inscrição é GRATUÍTA.



terça-feira, 16 de junho de 2009

Texto: Relativismo e Verdade

1. Sofistas - Contemporâneos de Sócrates - A palavra sofista significa 'mestre da sabedoria'. Eram professores que ensinavam por todas as partes da Grécia. Numa época em que a democracia grega exigia a confrontação pública dos cidadãos para resolverem seus problemas comerciais e jurídicos, os sofistas ensinavam, em troca de uma remuneração, a persuasão e a retórica. Os principais sofistas foram Protágoras, Górgias, Pródico e Hípias. A sofística propôs uma "humanização" da cultura, na qual o estudo de ciências teóricas e práticas estivesse encaminhado para a busca da virtude, entendida como adequação à ordem social. É de Protágoras a frase que coloca o homem no meio das preocupações: "o homem é a medida de todas as coisas". Esta frase quer dizer que não há um mundo objetivo desvinculado dos sujeitos que conhecem o mundo. Se num dado momento, para um indivíduo, o tempo está quente, o tempo está quente; mas, se para um outro está frio, o tempo está frio. Disso se conclui que não uma objetividade a respeito do tempo. Deste modo, a 'verdade' sobre o tempo é relativa a cada sujeito. Isso é chamado de relativismo.
Ideias sofísticas: a rejeição à tradição, a relatividade dos critérios morais e epistemológicos, como por exemplo a negação da existência de verdades absolutas, e a ênfase nos problemas da vida cotidiana.
O caráter pejorativo que posteriormente adquiriu o termo sofista deve-se sobretudo às severas críticas que Sócrates, Platão e Aristóteles formularam contra os sofistas. Aristóteles definiu a sofística como a "arte da sabedoria aparente", de relativismo, e acusou os sofistas de serem simples comerciantes do saber. No século XIX, Hegel reconheceu os sofistas como mestres da Grécia e iniciou a revisão crítica de seu pensamento. Estudiosos posteriores assinalaram que Platão e seu mestre Sócrates, contemporâneo e grande adversário dos sofistas, embora ressaltassem o caráter artificial da retórica persuasiva, atacavam basicamente as teses relativistas da sofística inicial. Outros concluíram que o pensamento de Sócrates e Platão não teria sido possível sem a precedência sofista.
2. Sócrates - 470 à 399 c.C. - Segundo palavras de Cícero, "Sócrates fez a filosofia descer dos céus à terra". Antes, os filósofos buscavam obsessivamente uma explicação para o mundo natural, a physis. Para Sócrates, no entanto, a especulação filosófica devia se voltar para outro assunto, mais urgente: o homem e tudo o que fosse humano, como a ética e a política. Sócrates dizia que a filosofia não era possível enquanto o indivíduo não se voltasse para si próprio e reconhecesse suas limitações. "Conhece-te a ti mesmo" era seu lema. Para ele, a melhor maneira de abordar um tema era o diálogo: por meio do método indutivo que denominou "maiêutica", numa alusão ao ofício de sua mãe, que era parteira, era possível trazer a verdade à luz. Assim, ele se voltava para os outros, quer fossem um adolescente como Lísias, um militar como Laques ou sofistas consagrados como Protágoras e Górgias, e os interrogava a respeito de assuntos que eles julgavam saber. Seu senso de humor confundia os interlocutores, que acabavam confessando sua ignorância, da qual Sócrates extraía sabedoria. Neste processo, que foi chamado de método socrático, Sócrates buscava a verdade, ou seja, um argumento demonstrativo objetiv e universal que não hava como ser modificado e aceito por todos.
3. A Ética socrático-platônica
Aristóteles reconheceu o Sócrates platônico como o iniciador da Ética.
A ética socrático-platônica se iniciou através de uma metodologia dialógica pela qual Sócrates, a personagem principal dos diálogos platônicos, inquire os demais personagens sobre os temas: 'homem interior' (psychê), 'verdadeira sabedoria' (sophrosyne) e 'virtude' (arete). A partir das encruzilhadas ou aporias do discurso, Sócrates buscava na fala de seus interlocutores as definições (horismos). Sócrates ao interpelar os cidadãos de Atenas, procurava mostrar-lhes que o verdadeiro valor do homem reside no único bem inatingível pela inconstância da fortuna, a incerteza do futuro, a precariedade do sucesso, as vicissitudes da vida: o bem da alma. O cuidado do homem interior exige, antes de mais nada, o conhecimento de si mesmo, ou seja, o exercício de uma razão voltada para as 'coisas humanas'.
Com objetivo de fazer um reconhecimento de si mesmo para desfazer a falsa imagem de si mesmo e evidenciar a própria ignorância sobre 'como devemos levar a vida', Sócrates propugnava 'conheça-te a ti mesmo'. Reconhecer a própria ignorância torna-se uma "douta ignorância", esta é a verdadeira sabedoria, a partir dela pode-se conhecer a verdadeira virtude.
A ética da virtude-ciência, é a identidade entre ser e saber. Saber o que é a honestidade implica em ser honesto, saber o que é a justiça implica em ser justo. Três conseqüências importantes desta ética:
. O homem sábio é necessariamente bom, o homem malvado é necessariamnte ignorante.
. O sábio nunca faz o mal voluntariamente,
. O homem virtuoso é necessariamente feliz.
Apesar de Aristóteles, aluno de Platão, discordar da 'virtude' como sinônimo de 'saber', credita a Sócrates a fundação da ciência do ethos, Ética, justamente devido à doutrina socrática da virtude-ciência.
Platão, reconhecidademente continuador da ética socrática, tem como idéia diretriz de seu pensamento ético, a ordem (kosmos). A ordenação é dada por sua teoria das ideias; o mundo perfeito e imutável das idéias tem efetividade enquanto um modelo (paradigma) que serve como referência, como medida do mundo mutável e imperfeito. "A idéia da ordem exprime essencialmente uma proporção (analogia) que une elementos e seres diversos no mais belo dos laços e será, portanto, uma relação analógica que Platão irá estabelecer entre as partes da alma e suas virtudes, entre a alma e a cidade e entre a alma e o mundo". Esta é a proporção: as virtudes da alma estão para a alma assim como a cidade bem ordenada está para o mundo (enquanto cosmos). Esta analogia para Platão serve como um 'argumento lógico' que prova sua teoria. Esta relação caracteriza o que disse o Sócrates platônico em República 352 d e que Henrique Lima Vaz assim expressou: "investigar no logos como devemos viver".
O saber pragmático dos gregos (herança mitológica), como 'sabedoria', 'virtude', 'lei' e 'justiça', foi reatualizado por Sócrates como 'ciência da alma'. E para Platão esta ciência torna-se 'metafísica da ordem'; que significa: a ordem da cidade que se dá no cumprimento à lei, na implementação da justiça, no agir honesto e solidário, está referida à perfeição e universalidade das ideias.
Prof. Flávio Netto Fonseca

Pensamentos

"Conhece a ti mesmo." Sócrates --"A linguagem é a morada do Ser." Heráclito -- "O homem é a medida de todas as coisas." Protágoras -- " Penso, logo existo. " René Descartes -- " O Mundo é minha representação sobre ele. " Artur Schopenhauer -- " Ai ai, o tempo dos pensadores parece ter passado! " Soren Kierkaard -- "Sobre aquilo que não pode ser dito deve se calar.” Ludwig Wittgenstein -- "O Ser é um horizonte de possibilidades." Martin Heidegger -- "A essência precede a existência." Jean Paul Sartre -- " A esperança floresce senão sobre o solo do desespero. " Gabriel Marcel "A razão e a sabedori falam. O Erro e a ignorância gritam." Sto. Agostinho "A melhor lição é o exemplo." Sto. Agostinho