terça-feira, 28 de dezembro de 2010

É NECESSÁRIO FORTALECER E PROMOVER A FILOSOFIA NO BRASIL, DIZ UNESCO

É necessário fortalecer e promover a Filosofia no Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declara que é necessário fortalecer e promover a Filosofia no Brasil. De acordo com a UNESCO é por meio da Filosofia, que a população brasileira poderá aprender sobre os fundamentos conceituais dos princípios e dos valores da paz mundial, que são:

* Democracia

* Direitos humanos

* Justiça

* Igualdade

Os projetos nesta área são recentes e relativamente poucos na carteira do setor de Ciências Humanas e Sociais da Representação da UNESCO no Brasil. No entanto, desempenham papel inovador e transformador na sociedade, pois incentivam a reflexão sobre questões centrais ao desenvolvimento social baseado em princípios que valorizam e protegem o ser humano e sua dignidade.


No Brasil, como parte de suas funções de conscientização, o Setor de Ciências Humanas e Sociais da UNESCO utiliza-se de eventos públicos para mobilizar pessoas. Sendo assim, o setor, juntamente com sua parceira, a Associação Palas Athena, organizam anualmente eventos de comemoração do Dia Mundial da Filosofia desde sua criação, em 2002, a cada terceira quinta-feira do mês de novembro. O objetivo dessa celebração é promover a reflexão filosófica e dar visibilidade à filosofia em todas as regiões do mundo, especialmente nos países onde a filosofia não é formalmente ensinada como parte do currículo escolar.

© UNESCO/Nelson Muchagata
Criança desfavorecida no Brasil (foto)



domingo, 26 de dezembro de 2010

Sem a música a vida seria um erro, diz Nietzsche


Atendendo a pedidos dos meus alunos e alunas, segue o vídeoclipe Oficial da música Esperar, da minha ex-banda ROKÁZZ. O Clipe foi gravado na Serraria Souza Pinto em 2008, em Belo Horizonte - MG.



Veja o clipe antigo:

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AS TRÊS FORMAS DE PODER - TEORIA DAS FORMAS DE GOVERNO DE NORBERTO BOBBIO

O filósofo Norberto Bobbio em sua obra A Teoria das Formas de Governo nos diz que se observarmos bem a sociedade, o que ocorre de fato não são os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, mas os poderes econômico, ideológico e político.

O primeiro, poder econômico, é o que se vale da posse de certos bens, necessários e considerados como tais: "numa situação de escassez, para induzir aqueles que não os possuem a manter um certo comportamento, consistente e sobretudo na realização de certo tipo de trabalho" (Idem. Ibidem, p. 955). Estes são os donos dos meios de produção, que têm a posse da terra e das indústrias e têm a empresa em seu nome; em oposição, está o trabalhador que nada tem a não ser a sua força de trabalho (mão-de-obra), única força que tem para, em troca, receber um salário mínimo.

O poder ideológico se baseia na influência das idéias formuladas pelo poder dominante. É claro, tais idéias são expressas, em certas circunstâncias, "por uma pessoa investida de autoridade e difundida mediante certos processos, exercem sobre a conduta dos associados" (Idem. Ibidem, p. 955). Os formadores de idéias têm a função de consenso, isto é, de criar idéias que mantenham as estruturas intactas, preservando a classe dominante. A família, as religiões, a escola, os meios de comunicação sociais e o direito (lei) são alguns dos aparelhos (instituições) que dão sustentação ao sistema.

O poder político tem a estrutura burocrática (administrativa) a seu favor. Quem detém o poder econômico e o poder ideológico tem, conseqüentemente, o poder político. O poder político utiliza-se, muitas vezes, de instrumentos mediante os quais exerce a força física (armas de toda espécie e potência). É o poder que se utiliza da força (coação), empregando as mais diferentes formas de violência, para garantir a permanência dos privilégios de determinado grupo. Todas as três formas de poder se fundamentam e mantêm uma sociedade de desiguais. Isso significa: "dividida em ricos e pobres, com base no primeiro; em sábios e ignorantes, com base no segundo; em fortes e fracos, com base no terceiro; genericamente, em superiores e inferiores" (Idem. Ibidem, p. 955).

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Textos de Filosofia


"Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos essa pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isolado, então, certamente, a resposta será: a companhia de outras pessoas.

Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão.

É claro que todo mundo precisa de comida, de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.

(...) Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele, o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo até de enigmático, de secreto, embora a maioria das pessoas vivencie o mundo como uma coisa absolutamente normal. Isso quer dizer que ele sempre vê as coisas com espanto, a admiração ou a curiosidade, como se fosse a primeira vez.

(...) Em algum lugar, dentro de nós, alguma coisa nos diz que a vida é um grande enigma. E já experimentamos isto, muito antes de aprendermos a pensar.”

GAARDER, Jostein. O que é Filosofia. in O Mundo de Sofia. Companhia das Letras.

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O que é a filosofia senão um modo de refletir, não tanto sobre aquilo que é verdadeiro e aquilo que é falso, mas sobre a nossa relação com a verdade? (...) Não há nenhuma filosofia soberana, é verdade, mas há uma filosofia ou, melhor, há filosofia em atividade. A filosofia é o movimento pelo qual nos libertamos – com esforços, hesitações, sonhos e ilusões – daquilo que passa por verdadeiro, a fim de buscar outras regras do jogo. A filosofia é o deslocamento e a transformação das molduras de pensamento, a modificação dos valores estabelecidos, e todo o trabalho que se faz para pensar diversamente, para fazer diversamente, para tornar-se outro do que se é (...)

FOUCAULT, Michel. Sobre a Filosofia. in Estética dell’esistenza, Etica, Politica, v. 3.

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Segundo a Filosofia, “escolhemos o mal porque pensamos que era um bem, por ignorância”. Em Espinosa, essa má escolha tira nossa força, enfraquece-nos, elimina nossa vontade e se torna vício. No vício, o objeto do desejo se apodera do sujeito e passa a governá-lo. A única forma de eliminar o vício é sentir outro desejo e correr novos riscos, uma vez que o novo desejo pode ser alegre ou triste. Viver é imprevisível.


A vida ética depende da qualidade da nossa vontade e da disciplina para forçá-la rumo ao bem. Como escreve Epicuro:

“Chamamos ao prazer princípio e fim da vida feliz. Com efeito sabemo que é o primeiro bem, o bem inato, e que dele derivamos toda escolha ou recusa e chegamos a ele valorizando todo bem, com critério do efeito que nos causa.

E como o prazer é o primeiro e inato bem, é igualmente por esse motivo que não escolhemos qualquer prazer; antes, pomos de lado muitos prazeres quando, como resultado deles, sofremos maiores pesares; e igualmente preferimos muitas dores aos prazeres quando, depois de longamente havermos suportado as dores, gozamos de prazeres maiores.

Por conseguinte, cada um dos prazeres possui por natureza um bem próprio, mas não se deve escolher cada um deles do mesmo modo, assim como cada dor é um mal, mas nem sempre se deve evitá-las. Convém, então, valorizar todas as coisas de acordo com a medida e o critério dos benefícios e dos prejuízos, pois que, segundo as ocasiões, o bem nos produz o mal e o mal nos produz o bem”


EPICURO. Carta sobre a felicidade (a Meneceu)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO


CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
DISCIPLINA: FILOSOFIA/SOCIOLOGIA
ROTEIRO DE ESTUDOS PARA A PROVA
3ª ETAPA – PROVA ABERTA. DIA: 08 / 11 / 2010
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
1ª SÉRIE EM

HABILIDADES EXIGIDAS:

. Identificar e caracterizar o conflito relativo à razão e à fé no medievalismo.
. Identificar e diferenciar a filosofia de Santo Agostinho e a de Santo Tomás de Aquino.
. Reconhecer e caracterizar o problema do Mal e seus diversos níveis (metafísico-ontológico, moral e físico)
. Reconhecer e caracterizar o conceito de Livre-arbítrio.
. Ser capaz de distinguir entre Livre-abrítrio e Determinismo.
. Ser capaz de identificar o período e as condições para o surgimento da Patrística e da Escolástica.
. Reconhecer e caracterizar a questão dos Universais.
. Ser capaz de identificar os conceitos de Realismo, Nominalismo e Idealismo.
. Identificar e caracterizar problemas sociais, políticos e econômicos medievais abordados em sala de aula.

CONTEÚDO:

FILOSOFIA MEDIEVAL

I. PATRÍSTICA

A)Santo Agostinho
B)O problema do Mal
C)O Livre-arbítrio
D)Determinismo

II. ESCOLÁSTICA

A)Santo Tomás de Aquino
B)A questão sobre os Universais
C)Realismo
D)Nominalismo
E)Idealismo

ORIENTAÇÕES GERAIS:

1. Estude utilizando o caderno e as folhas complementares que se encontram no Magnum sol.
2. Refaça os exercícios trabalhados como forma de testar seus conhecimentos (sobretudo os Deveres de Casa e os Trabalhos).
3. Não deixe para estudar apenas na véspera da prova. Organize-se!
4. Procure ENTENDER os conceitos e não decorá-los.
5. Preste bastante atenção ao escrever as respostas abertas: utilize um bom vocabulário e transmita suas ideias construindo um texto (com INÍCIO, MEIO e CONCLUSÃO e boa caligrafia, respeitando os limites de cada linha).
6. Não ouse responder em tópicos, você perderá pontos.
7. Sempre faça os deveres de casa com afinco, eles são fundamentais para a sua preparação para a prova.
8. E-mail do professor: leonardooliveira@magnum.com.br

Boa prova!
Prof. Leo

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO

CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE, MG.
DISCIPLINA: FILOSOFIA/SOCIOLOGIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
1ª SÉRIE - ENSINO MÉDIO
ATIVIDADE: TRABALHO DE FILOSOFIA/SOCIOLOGIA

ROTEIRO DE TRABALHO:

TEMA: Livre-arbítrio e Determinismo

OBJETIVOS:

• Reconhecer os melindres pertinentes a essas questões;
• Posicionar-se criticamente sobre o tema;
• Tirar conclusões sobre o assunto.

VALOR: 6,0 pontos.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO: O trabalho deverá ser entregue digitalizado, em papel A4. Nos textos produzidos serão avaliados a coerência e coesão textual, de acordo com a norma culta, pontualidade e estética e fontes pesquisadas (referências a sites, livros etc.).

REFERÊNCIAS: Vide Dicas de Aprofundamento na PE da 3ª Etapa e ainda textos trabalhados em sala de aula.

QUESTÃO 01 (3,0 PONTOS)
Com base em nossas discussões em sala de aula e em outros conhecimentos sobre o assunto, REDIJA um texto, explicando o que é Determinismo. Explique também o que é o Maniqueísmo e o porquê que o Maniqueísmo é uma forma de determinismo.

QUESTÃO 02 (3,0 PONTOS)
“Quando Deus pune o pecador, não te parece que lhe diz o seguinte: “Estou te punindo porque não usaste de teu livre-arbítrio para fazer aquilo para o que Eu o concedi a ti”? Ou seja, para agires corretamente. Entretanto, se o homem não fosse dotado de livre-arbítrio, não poderia existir esse bem que consiste na realização da justiça através da condenação dos pecados e da premiação da ação correta. A conduta de um homem não poderia ser caracterizada nem como correta nem como um pecado, não fosse pelo livre-arbítrio.”

SANTO AGOSTINHO. A origem do livre-arbítrio. In: O livre-arbítrio, II, 1, tradução de Danilo Marcondes.

Com base no trecho acima, em nossas discussões em sala de aula e em outros conhecimentos sobre o assunto, REDIJA um texto,explicando a teoria do livre-arbítrio em Santo Agostinho.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

VESTIBULAR UFMG 2011 - ANÁLISE DAS OBRAS DE FILOSOFIA


VESTIBULAR DA UFMG 2011 
 PROVA DE FILOSOFIA DA 2ª ETAPA

LEITURA E ANÁLISE OBRAS DE FILOSOFIA:   

Confissões - de Santo Agostinho
O que é o Utilitarismo - de Stuart Mill
Utilitarismo - de Bernard Williams


LEITURA E ANÁLISE DOS TEXTOS (EM TODOS OS DETALHES)
APROFUNDAMENTO NO PROGRAMA DE FILOSOFIA DA UFMG.

TURMA REDUZIDA COM POUCOS ALUNOS,
MAIOR QUALIDADE DAS AULAS,
MELHOR PREÇO DE BELO HORIZONTE,
PROFISSIONAL COM EXPERIÊNCIA NO ENSINO DE FILOSOFIA PARA UFMG.

PROFESSOR LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
BACHAREL E LICENCIADO EM FILOSOFIA PELA UFMG

LOCAL: ESPAÇO VILLA DOS DONS

ENDEREÇO: RUA HORTA BARBOSA. 887. NOVA FLORESTA. BELO HORIZONTE - MG
                       PRÓXIMO AO COLÉGIO MAGNUM

CONTATO: (31) 2552-7391;
                     leo.o.ufmg@gmail.com     

INÍCIO DAS AULAS:  06 DE NOVEMBRO 2010 (SÁBADO)
TÉRMINO DAS AULAS: 08 DE JANEIRO 2011 (SÁBADO)

FAÇA DOWNLOAD DOS TEXTOS ABAIXO:




COLÉGIO MAGNUM
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG.
DISCIPLINA: FILOSOFIA
9° ANO - ENSINO FUNDAMENTAL

ASSUNTO: O CONHECIMENTO

1. Indique, nas frases abaixo, se o conhecimento apresentado resulta da razão (R) ou intuição (I).

a) Conhecimento mediato. ( )

b) Exige conceitos. ( )

c) Pensamento presente ao espírito. ( )

d) Opera-se por etapas. ( )

e) Exige comprovação. ( )

f) Visão súbita. ( )

g) Exige julgamentos. ( )

h) Usa a linguagem. ( )

Leia atentamente o trecho abaixo:

“Eram cinco cegos que não conheciam o elefante e, um dia, foram apresentados a ele. Um dos cegos apalpou as patas e concluiu: o animal se assemelha a grossas colunas. Outro tomou a tromba e pensou ser ele semelhante a uma cobra, sinuoso e flexível. O terceiro, pegando a cauda, imaginou o elefante, como um chicote fino e com fios na extremidade. Já o quarto, tateando as presas, imaginou-o como um bastão maciço. O último cego, ao apalpar as orelhas do animal, ponderou que ele mais parecia um leque maleável.”

2. Observando o texto acima, responda ao que se pede.

O conhecimento envolve dois momentos: a experiência e a razão. A ligação contínua entre esses dois elementos é que provoca o verdadeiro conhecimento que temos das coisas, do mundo e de nós mesmos.

a) Retire do texto uma frase que demonstre um momento em que ocorre o conhecimento empírico.

b) Em algum momento do texto a razão se manifesta? Justifique sua resposta.

c) Podemos afirmar que os cegos tiveram uma “ilusão da realidade”. Em que sentido essa afirmativa justifica a crítica dos racionalistas aos empiristas?

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O Homem, Livre ou Determinado?

Cada sociedade, em sua essência, possui um sistema em que são estabelecidos padrões comuns ao conjunto de indivíduos que constituem tal estrutura.

No sistema feudal, por exemplo, os padrões sociais eram estabelecidos de forma bem clara. Os servos (classe que sustentava a sociedade em termos de abastecimento subsistencíal) eram determinados pela mentalidade que a nobreza e principalmente o clero estabeleciam.

Ou seja, as classes sociais privilegiadas do referente sistema usavam de artifícios como a teoria da predestinação e do dogmatismo para assegurar seus interesses.

É correto afirmar em detrimento destes fatores que esta classe desfavorecida era totalmente influenciada pela classe dominante? Não. O servo poderia optar por viver de forma diferente, como por exemplo, de fugir do feudo e viver de modo contrário aos princípios que lhes são impostos. Podemos afirmar então que o camponês feudal era completamente livre? Também não. Apesar da liberdade de escolha, a vida fora do Feudo continuaria a ser guiada por diversos fatores, tais como a natureza, o perigo causado pela falta de proteção contra os bárbaros por parte da nobreza, o risco de ser punido por sair dos padrões estabelecidos pela sociedade etc.

Sendo assim, podemos afirmar que o servo era capaz de fazer suas próprias escolhas e obrigado a viver segundo às consequências resultantes de suas atitudes, consequências estas em relação ao contexto em que se vivia.

Ou seja, o servo era livre e determinado.

Será que o indivíduo do século XXI pode ser comparado ao servo feudal, em se tratar de liberdade e determinismo?

Vejamos. A sociedade mudou muito da época Feudal para os dias de hoje. Os meios de comunicação se desenvolveram de forma assustadora. As ciências se aperfeiçoaram demasiadamente. O acesso à informação se tornou menos restrito na maioria dos países. O sistema econômico se espandiu, atingindo proporções que englobam todo o mundo e levam nações separadas por milhares de quilômetros a se relacionarem. Será que essas mudanças tornaram o indivíduo atual completamente livre?

Em uma sociedade que tudo gira em torno do capital, podemos perceber que as atividades são regidas por aqueles que controlam o sistema (donos dos meios de produção industrial e os governos, que interferem na econômia). Assim, é evidente que os meios de comunicação funcionam de acordo com os interesses destes grupos sociais.

Assim como os camponeses feudais (classe desfavorecida da época), a maioria dos indivíduos de hoje são também determinados por uma serie de fatores.

Como exemplo de um destes aspectos temos os meios de comunicação, que exercem a mesma função determinista da teoria da predestinação e do dogmatismo, assegurando os interesses das classes sociais dominantes na atualidade.

O consumismo (difundido pelos meios de comunicação), onde o "ter" é mais valorizado que o "ser", passou a fazer parte da mentalidade da população. Aqui o indivíduo trabalha gerando lucro para o sistema e usa de sua remuneração como potencial de consumo excessivo.

Levando em consideração tudo que foi tratado até agora, podemos afirmar que o ser humano hoje é completamente privado da liberdade? Não. Ele pode assim como o camponês feudal, optar por viver de maneira diferente aos padrões atuais. Mas suas escolhas, com toda certeza, geram consequências (positivas/negativas) que são caracterizadas pelos tempos modernos. Como exemplo simbólico, uma pessoa pode optar por não trabalhar e por não consumir nada derivado do sistema capitalista, se deslocando para o campo e vivendo excluisvamente da exploração da natureza. No entanto, a vida que este terá será regida pela natureza e por outros fatores significativos, como o conflico com algum latifundiário que possua as terras onde este se instalou. Portanto ele não será livre como se espera. Como exemplo significativo, uma outra pessoa pode escolher por fazer um curso superior que não seja valorizado, e por consequência disto seu salário e seu padrão de vida serão limitados.

Ou seja, hoje, no feudalismo e em qualquer dada época, o homem sempre foi e provavelmente será livre e determinado. Onde o contexto social, econômico, natural de onde este vive determina sua vida, sendo que ao mesmo tempo é livre para escolher como age e pensa, tendo obrigatoriamente que assumir as consequências de suas atitudes.

Guilherme Pelli Chalub.

sábado, 4 de setembro de 2010

COERÇÃO ELEITORAL

As disputas políticas têm tirado a paz interior de vários cidadãos de Belo Horizonte. Candidatos fazem suas campanhas sem o mínimo de respeito com os cidadãos, militantes saem poluindo toda a cidade, são conhecidos como "sujões". Jingles repetitivos são amplificados pelos carros de som, cartazes pregados em muros e postes em várias ruas, avenidas de bairros, principalmente aqueles distantes do centro e zona sul. Em matéria publicada no dia 13 de julho, o jornal Estado de Minas chama a atenção para a sujeira da capital e afirma: "Os políticos que mais espalharam sujeiras até o momento foram candidatos a deputado federal, o deputado Miguel Corrêa do PT e o vereador Luiz Tibé do PT do B (foto), que já é um sujão conhecido." Muitos eleitores, digo analfabetos políticos - aqueles eleitores, que apenas votam por votar, não percebem que a atividade política tem a ver com o preço do arroz, da carne, do ônibus, segundo Bertold Brecht - escolhem os candidatos pela animação que o jingle da campanha faz, pela alegria estampada no rosto dos candidatos nos cartazes, essa coerção midiática é muito triste.

Acredito que eleição é o momento sublime de participação dos cidadãos, de transformação de um país, entrando em outro assunto, deveriam proibir campanhas políticas como as do candidato a Deputado Federal do PR Tiririca, "Pior do que está não fica, vote no Tiririca", que ridicularizam a política e desmoralizam toda a nação. Esses dias um aluno me parou no corredor do colégio e mostrou o vídeo no celular dele, em outro colégio uma aluna tinha o mesmo vídeo no Ipod, ambos comentaram comigo que não acreditavam no que diz respeito à política no Brasil.

Eu como professor de Filosofia, tenho dever de formar os futuros cidadãos, fico decepcionado com tudo isso. Há algum critério para se escolher um candidato? Há sim, abaixo segue algumas dicas:

QUER ESCOLHER UM BOM CANDIDATO?

1. COMEÇE A OBSERVAR  SUA CAMPANHA POLÍTICA - SE FOR POLUIDORA, SAIBA QUE ESSE É UM CANDIDATO SUJO!

2. PESQUISE SOBRE SUAS AÇÕES NO PASSADO, PESQUISE NO GOOGLE, POR EXEMPLO VÁ AO SITE FICHA LIMPA E CONFIRA SE ESTÁ CADASTRADO http://www.fichalimpa.org.br/ 

3. VOTE CONSCIENTE E COM SEGURANÇA.

Pense nisso!!!

EXISTÊNCIA

Existir, pensar, agir. Chorar, sorrir, brincar, cantar, decepcionar, sofrer, perder, morrer...
Qual é o mistério que se encontra por de trás da existência? A propósito, a existência realmente existe? Sem dúvida, tal questionamento está inculto em nossos ansestrais a milhares de anos.
Na sociedade atual, em geral, o ser humano se afunda em suas próprias paixões. Domado pelos instintos, o homem muitas vezes renega a condição que possui como ser racional e acaba por se escravizar em seus próprios instintos. Sendo que estes foram criados para garantir a sobrevivência de nossa espécie (me refiro a aspectos biológicos, como a reprodução e a busca por alimentos, comportamentos esses impulsionados pelos instintos), e que quando vividos de maneira errônea deturpam o sentido existêncial do indivíduo. Através da escolha livre, o ser humano, pode optar por viver segundo seus instintos de maneira a satisfazer únicamente seus prazeres supérfluos, (que não são necessários à vida), prazeres estes (nos dias de hoje) incentivados pelo sistema socio-econômico, em que o objeto tem mais valor que o ser.
Cabe a cada indivíduo, ter a consciência de que para viver segundo suas vontades é preciso "renunciar" a razão. Razão esta que sempre nos conduz à fraternidade, e por isso nos cobra com a consciência quando vivemos em prol de nossos desejos. Do mesmo modo, para viver segundo a razão, o homem precisa desenvolver uma espécie de maturidade, onde possa se esforçar para renunciar tudo aquilo que é superfícial, perder para ganhar.
Quem é capaz de se libertar de suas próprias algemas, é capaz de conhecer suas limitações, consequentemente, conhecendo aos poucos a si mesmo.
Partindo deste princípio, creio que para a existência humana assumir sua forma plena, é necessário que este se conheça, para que assim possa mudar, continua e eternamente seu modo de pensar e agir, deixando-se guiar pela natureza racional.

"Onde esta o seu tesouro, aí esta o seu coração"

Texto de Guilherme Pelli Chalub

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

1o ANO - COLEGIO RUI BARBOSA


COLEGIO RUI BARBOSA
 DISCIPLINA: FILOSOFIA
SERIE: 1o ANO - ENSINO MEDIO
ALUNO(A):__________________________________________ TURMA:_____________________



TEXTO 1

    “Qual é a coisa mais importante da vida? Se fazemos essa pergunta a uma pessoa de um país assolado pela fome, a resposta será: a comida. Se fazemos a mesma pergunta a quem está morrendo de frio, então a resposta será: o calor. E quando perguntamos a alguém que se sente sozinho e isolado, então, certamente, a resposta será: a companhia de outras pessoas.
     Mas, uma vez satisfeitas todas essas necessidades, será que ainda resta alguma coisa de que todo mundo precise? Os filósofos acham que sim. Eles acham que o ser humano não vive apenas de pão.
     É claro que todo mundo precisa de comida, de amor e de cuidado. Mas ainda há uma coisa de que todos nós precisamos. Nós temos a necessidade de descobrir quem somos e por que vivemos.
     (...) Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos. Por diferentes motivos, a maioria delas é tão absorvida pelo cotidiano que a admiração pela vida acaba sendo completamente reprimida. Um filósofo nunca é capaz de se habituar completamente com este mundo. Para ele, o mundo continua a ter algo de incompreensível, algo até de enigmático, de secreto, embora a maioria das pessoas vivencie o mundo como uma coisa absolutamente normal. Isso quer dizer que ele sempre vê as coisas com espanto, a admiração ou a curiosidade, como se fosse a primeira vez.
    (...) Em algum lugar, dentro de nós, alguma coisa nos diz que a vida é um grande enigma. E já experimentamos isto, muito antes de aprendermos a pensar.”

GAARDER, Jostein. O que é Filosofia. In
      O Mundo de Sofia. Companhia das Letras.

RESPONDA:

QUESTAO 01.  Cite coisas que são necessárias na vida das pessoas.
QUESTAO 02. Qual é a opinião dos filósofos a respeito dessas necessidades?
QUESTAO 03. “Embora as questões filosóficas digam respeito a todas as pessoas, nem todas se tornam filósofos.” Que característica, em relação à forma de ver o mundo, distingue o filósofo e os não-filósofos?
QUESTAO 04.  “A maior virtude do filósofo é admirar-se”. O que quer dizer admirar-se?


 TEXTO 2

  O que é a filosofia senão um modo de refletir, não tanto sobre aquilo que é verdadeiro e aquilo que é falso, mas sobre a nossa relação com a verdade? (...) Não há nenhuma filosofia soberana, é verdade, mas há uma filosofia ou, melhor, há filosofia em atividade. A filosofia é o movimento pelo qual nos libertamos – com esforços, hesitações, sonhos e ilusões – daquilo que passa por verdadeiro, a fim de buscar outras regras do jogo. A filosofia é o deslocamento e a transformação das molduras de pensamento, a modificação dos valores estabelecidos, e todo o trabalho que se faz para pensar diversamente, para fazer diversamente, para tornar-se outro do que se é (...)

FOUCAULT, Michel. Sobre a Filosofia. In   
     Estética dell’esistenza, Etica, Politica, v. 3.


RESPONDA:

QUESTAO 01. Elabore, usando expressões do texto, um conceito de Filosofia.

QUESTAO 02. O que o autor quer dizer quando afirma: “Não há nenhuma filosofia soberana, é verdade, mas há uma filosofia ou, melhor, há filosofia em atividade”?


sábado, 28 de agosto de 2010

3° ANO - COLÉGIO RUI BARBOSA

COLÉGIO RUI BARBOSA
BELO HORIZONTE - MG
SÉRIE: 3° ANO - ENSINO MÉDIO
DISCIPLINA: SOCIOLOGIA
PROFESSOR: LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS

Leia o texto de Sociologia "Introdução ao estudo da sociedade" e RESPONDA as seguintes questões:


QUESTÃO 01. O que faz com que o conhecimento sociológico se diferencie de outras formas de conhecimento?

QUESTÃO 02. REDIJA um texto, evidenciando as diferenças entre a sociologia e a filosofia

QUESTÃO 03. Em que medida a opinião pública pode ser considerada uma fonte segura de conhecimento dos problemas sociais.

QUESTÃO 04. “Os sociólogos se ocupam do estudo dos problemas sociais”. IDENTIFIQUE os tipos de problemas sociais pelos quais a sociologia se interessa.

QUESTÃO 05. É possível estudar cientificamente a sociedade? Quais são as vantagens e as dificuldades do estudo científico da sociedade? Nesse sentido, a sociologia é útil? EXPLIQUE.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

TRABALHO DE FILOSOFIA - 1ª SÉRIE EM - COLÉGIO MAGNUM

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
DISCIPLINA: FILOSOFIA/SOCIOLOGIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
1ª SÉRIE - ENSINO MÉDIO
ATIVIDADE: TRABALHO DE FILOSOFIA/SOCIOLOGIA


ROTEIRO DE TRABALHO:


Tema: ÉTICA E POLÍTICA E O SURGIMENTO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS.

I - Justificativa: Conscientizar os alunos para as questões ético-político-econômico-social, através dos problemas éticos/morais levantados por Aristóteles, desde a Antiguidade e pelas Ciências Sociais nos dias de hoje.

II - Objetivo: Refletir teoricamente sobre a Ética e a Política em Aristóteles, a importância do seu pensamento para o cidadão e para a polis da Antiguidade grega e para os nossos dias, refletir acerca dos problemas levantados pelas Ciências Sociais, Fatos Sociais, As Instituições.

III - Desenvolvimento: O trabalho deverá ser respondido com base nos textos distribuídos em sala de aula, e os que se encontram no Magnum Sol (http://sol.magnum.com.br/magnumsol)

IV - Critérios para a avaliação: Serão observados os seguintes itens - coerência, coesão e pertinência dos argumentos, respostas completas construindo um texto (com INÍCIO, MEIO e CONCLUSÃO), bem estruturadas e elaboradas, de acordo com o texto ou o conteúdo estudado, uso das normas da língua culta, pontualidade na entrega, referências bibliográficas pesquisadas (fonte) e apresentação estética – o trabalho deverá ser digitado e entregue impresso.


RESPONDA ÀS QUESTÕES ABAIXO:

QUESTÃO 01 – Com base em nossas discussões em sala de aula, REDIJA um texto, explicando a de que se ocupam as Ciências Sociais, quais são as suas partes e qual é o objeto de estudo.

QUESTÃO 02 – Com base em nossas discussões em sala de aula, REDIJA um texto, explicando o que é Fato Social e a coercitividade dos fatos sociais.

QUESTÃO 03 – Observe a charge e leia o texto a seguir:


                                                                    Animal político. Não alimente.

                                                                               LAERTE. Classificados. São Paulo: Devir, 2001. p. 25.

“É evidente, pois, que a cidade faz parte das coisas da natureza, que o homem é naturalmente um animal político, destinado a viver em sociedade, e que aquele que, por instinto, e não porque qualquer circunstância o inibe, deixa de fazer parte de uma cidade, é um ser vil ou superior ao homem [...].”

ARISTÓTELES. A política. Tradução de Nestor Silveira Chaves. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. p. 13.

Com base nas ideias da charge e em nossas discussões em sala de aula, REDIJA um texto, explicando ao que Aristóteles entende por Animal Político.

TRABALHO DE FILOSOFIA - 9ª SÉRIE EM COLÉGIO MAGNUM

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
TURMA: 9ª SÉRIE.
ATIVIDADE: TRABALHO DE FILOSOFIA

LEIA O TEXTO “CONSCIÊNCIA” E RESPONDA AS QUESTÕES ABAIXO:


QUESTÃO 01 – Qual é a importância da consciência psicológica para o problema moral?

QUESTÃO 02 – Que relação existe entre consciência psicológica e consciência moral?

QUESTÃO 03 – Por que uma coação interna pode eximir o homem da responsabilidade moral?

QUESTÃO 04 – EXPLIQUE o que é coação externa.

QUESTÃO 05 – Quais as principais etapas da formação da consciência moral segundo Piaget?

QUESTÃO 06 – Observe a charge abaixo:



Com base em nossas discussões em sala de aula, explique as ideias criticadas na charge.

sábado, 17 de julho de 2010

O Ministério da Educação adverte: não adianta chutar no Enem.

O Ministério da Educação adverte: não adianta chutar no Enem.


Imagine que você e um amigo acertaram o mesmo número de respostas na prova do Enem. Estão empatados, certo? Provavelmente não. Com a nova metodologia de avaliação do exame, adotada a partir deste ano, é impossível usar o número de acertos para saber a nota.


Essa novidade tem nome estranho, chama-se Teoria de Resposta ao Item (TRI), e é o método escolhido pelo governo para avaliar o resultado do Enem. Trata-se de um sistema capaz de analisar as questões que o estudante respondeu corretamente e dar um peso específico para cada acerto.




As perguntas são divididas em grupos (fáceis, médias e difíceis). As de maior dificuldade garantem mais nota para o aluno.

O novo método tem função semelhante à do tira-teima, usado na televisão para esclarecer lances polêmicos no futebol. Nos jogos, ele permite saber com precisão o lugar de um jogador. A TRI funciona da mesma forma. “Quando contamos só o número de acertos medimos o resultado do aluno por centímetros. Na TRI você consegue medir por milímetros”, compara Tadeu da Ponte, coordenador executivo de vestibular do Insper (ex-Ibmec SP). A instituição é uma das poucas no Brasil a adotar o método de avaliação em suas provas.


DETECTOR DE CHUTES E OUTROS...


Na TRI a regra é clara: se o aluno chutou a resposta, a nota diminui. Como eles sabem se você acertou sem querer? Através de estatísticas. Se o aluno errou muitas perguntas fáceis, a chance de ter acertado uma difícil tentando adivinhar a alternativa certa é maior. Logo, pode ter chutado.

Fonte: Fábio Calvetti

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ATIVIDADE

QUESTÃO 01


O fim justifica os meios? ou seja, é moralmente legítimo usar meios imorais para atingir um fim moral? Por exemplo: roubar para não morrer de fome? Mentir para poupar o outro?
REDIJA um texto, explicando a seguinte frase: os fins justificam os meios?



QUESTÃO 02

"Há no fundo das almas um princípio inato de justiça e de virtude pelo qual julgamos as nossas ações e as do próximo como boas ou más, e é a esse princípio que denomino consciência. Consciência! Instinto divino, voz celeste e imortal... juiz infalível do bem e do mal.”
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da educação. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992.

De acordo com o texto e com as nossas discussões em sala de aula, REDIJA um texto, explicando qual é a origem da consciência de acordo com Rousseau.

Vita brevis, tempus fugit.

Prof. Leonardo Oliveira de Vasconcelos

sábado, 3 de julho de 2010

O PARADOXO DA TOLERÂNCIA

A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se concedermos uma tolerância ilimitada, até aos que são intolerantes, se não estivermos dispostos a defender a sociedade tolerante contra o avanço dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos e a tolerância com eles (será destruída).
Karl Popper

A tolerância pára no limiar do crime.
José Saramago

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Educação, uma Emancipação do Olhar

Prezados amigos e colegas,

estou postando um texto de um grande amigo Anderson Manuel de Araújo, vale a pena refletir.

“Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas”. (Nietzsche).

O filósofo Platão nos apresenta em seu livro República, a Imagem da Caverna, mais conhecida como Mito da Caverna. Na Imagem da Caverna, temos uma situação onde se encontram homens presos por correntes, desde crianças, no interior de uma caverna. Eles estão presos de tal modo que não podem mover o pescoço, logo, são obrigados a olhar para frente eternamente. E o que eles vêem, eternamente? Sombras de objetos projetadas por um fogo na parede da caverna. Acontece que um deles é libertado e tem a oportunidade de olhar o mundo a partir de um outro lugar, a saber, fora da caverna. Um prisioneiro é solto e pode conhecer os objetos que eram projetados pelo fogo na parede da caverna, e ele pode ainda mais, sair da caverna e ver o sol.

Ora, o mesmo se passa conosco, afirma Sócrates, a respeito da nossa condição humana. Dizemos condição humana, porque somos homens que vivemos no mundo, e, porque vivemos no mundo, relacionamo-nos com homens no mundo. E, imersos em relacionamentos humanos, no mundo, somos sujeitos a diversas posições a respeito de nós mesmos e do mundo. E essas posições nem sempre são fruto de reflexões, ou de imagens críticas de nós mesmos e do mundo. Muitas vezes, são imagens distorcidas, tomadas como “a verdade”, “o sentido”, “o real”, caracterizadas por serem eleitas na ausência de reflexão.

Assim, não cabe à educação propor a visão de uma verdade ou do real, mas condições de possibilidades que nos permitem ser facilitadores da visão dos diversos sentidos de mundo, diria o educador Paulo Freire. Platão e a Imagem da Caverna nos orientam nesta posição. Pois, estamos falando de uma educação do olhar. Na língua grega há diversos modos do verbo “ver” que se ligam a modos de conhecimento. Assim, o verbo “ver” é utilizado muitas vezes pelos gregos para se referirem às muitas formas de conhecimento.

Retornemos, pois, à caverna. Os prisioneiros eram obrigados a ver sempre as mesmas coisas, tinham o olhar orientado para uma única direção. Eles poderiam refletir sobre o que viam? Sim. No entanto, somente sobre o que lhes era apresentado. Não podiam caminhar e buscar uma outra imagem, não tinham um olhar emancipado. Podiam, talvez, fechar os olhos. A liberdade dos prisioneiros se resumiria, talvez, nesta possibilidade de fechar os olhos. Mas, também, nem não sabiam ou nem quereriam, uma vez que não tinham outras possibilidades de “passar o tempo” e de se divertirem.

Mas, um dos prisioneiros tem a oportunidade de ver “mais”, de conhecer melhor o mundo. E, aqui, apontamos para uma condição de possibilidade de uma educação que emancipa o olhar. É uma educação que oportuniza meios, ou momentos, para que o educando ou o aluno, possa ver “mais”. Não é a idéia de ver muito mais, como adição na matemática. Mas, que oportuniza pelo menos mais de uma visão acerca de si mesmo e acerca do mundo.

A educação assumiria, então, as posições de mãe ou de pai, porque usamos o termo emancipação. No entanto, ela é um pai-mãe “ideal”. É o que o professor, o facilitador ou o educador faz com o seu aluno. A educação seria justamente o contrário de um paternalismo. Ela deve emancipar o olhar do aluno. E o desafio para o professor “facilitador” é o de mostrar para o aluno que ele é sujeito, portanto, homem dotado de uma capacidade reflexiva que o permite conhecer sentidos do mundo, e que o torna capaz de escolher ou não, alguns sentidos do mundo. Educação seria, talvez, mostrar, sutilmente, a possibilidade de uma vida sem os pais, logo, a tarefa do educador é, neste sentido, emancipar o olhar do aluno.

Assim, pensamos que a educação teria, de um lado, o privilégio de poder corrigir o olhar das pessoas. E, por outro lado, o professor teria que ser um polýtropon, palavra grega que significa “aquele que se vira de muitos modos”. O professor teria que, primeiramente, estar, não emancipado, mas no processo de emancipação do olhar. Pois, sabemos que o conhecimento se dá num processo, e não podemos, se estivermos numa atitude reflexiva e, portanto, filosófica, apontar para uma posição totalmente emancipada, segura de si, dogmática.

O professor teria que, então, antes de cuidar para que aconteça a emancipação dos outros, estar, ele mesmo, no processo emancipatório. Ele deve cuidar-se de si, ocupar-se de si. Só então ele poderá ocupar-se dos outros. Assim, a educação assume também um caráter terapêutico, mas despretensioso. Porque não podemos pensar na relação professor-aluno como uma relação de mestre e discípulo, mas numa relação que é construída entre sujeitos. Enquanto possibilito que o outro veja outros sentidos de mundo, também conheço, através dele, outros sentidos de mundo, e, juntos, construímos outros sentidos de mundo.

Assim, uma educação que liberta, e que por isso mesmo é humana, é aquela que se preocupa com o olhar das pessoas. E, para que ela ocorra, faz-se necessário que o professor seja um polýtropon despretensioso, que ele não tenha a intenção de agradar ou de “bajular” o olhar do aluno, mas que se vire de muitos modos para libertar o olhar do aluno de uma única imagem, ou melhor, que ele aponte pelo menos possibilidades que permitam ao aluno escolher se deseja se libertar ou não, de uma imagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BORNHEIM, Gerd. Introdução ao Filosofar. Porto Alegre: Globo, 1978. p.47-80.
NIETZSCHE, F. Humano Demasiado Humano. Os pensadores. Trad. Rodrigues Torres Filhos. São Paulo: Abril, 1974. p. 158.
PLATÃO, A República. Trad. Carlos Alberto Nunes. 3ª ed. Belém: EDUFPA, 2000. p.319-357.

terça-feira, 15 de junho de 2010

BRASIL - RUMO AO HEXA





Vai seleção...!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Alienação e Ideologia

Alienação e Ideologia 



Alienação


Alienação é o fenômeno pelo qual os homens criam ou produzem alguma coisa, dão independência a esta criatura como se ela existisse por si mesma e em si mesma, deixam-se governar por ela como se ela tivesse poder em si e por si mesma, não se reconhecem na obra que criaram, fazendo-a em ser outro, separado dos homens, superior a eles e com poder sobre eles.

Na alienação social, os seres humanos não se reconhecem como produtores de instituições sociopolíticas (como, por exemplo, o Estado, a família, o casamento, a propriedade, o mercado, etc.) e oscilam entre duas atitudes: ou aceitam passivamente tudo que existe, por ser tido como natural, divino ou racional, ou se rebelam individualmente, julgando que, por sua própria vontade e inteligência, pode mais do que a realidade que os condiciona. Nos dois casos, a sociedade é o outro (alienus), algo externo a nós, separado de nós e com poder total ou nenhum poder sobre nós.

A alienação social se exprime numa "teoria" do conhecimento espontânea, formando o senso comum da sociedade. Por seu intermédio, são imaginadas explicações e justificativas para a realidade tal como é diretamente percebida e vivida.

Um exemplo desse senso comum aparece no caso da "explicação" da pobreza, em que o pobre é pobre por sua própria culpa (preguiça, ignorância) ou por vontade divina ou por inferioridade natural. Esse senso comum social, na verdade, é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita pelos pensadores ou intelectuais da sociedade – sacerdotes, filósofos, cientistas, professores, escritores, escritores, jornalistas, artistas -, que descrevem e explicam o mundo a partir do ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante da sua sociedade.

Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum social é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista, as opiniões e as idéias de uma das classes sociais – a dominante e a dirigente – tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda a sociedade.

A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da ideia de "humanidade", ou da ideia de "nação" e "pátria", ou da ideia de "raça", etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social de classes, mas por diferenças individuais de talentos e de capacidades, da inteligência, da força de vontade maior ou menor, etc.

A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as idéias.

Adaptado de CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995. p. 170-174.


Ideologia


O termo foi criado por Destut De Tracy (Idéologie, 1801) para indicar " a análise das sensações e das idéias", segundo o modelo de Condillac. A ideologia foi a corrente filosófica que assinalou a transição do empirismo iluminista ao espiritualismo tradicionalista que floresceu na primeira metade do século XIX.

Dado que alguns ideólogos franceses lhe foram hostis, Napoleão adotou o termo em sentido depreciativo, chamando de "ideólogos" aos "doutrinários", ou seja, as pessoas privadas de sentido político e, em geral, sem contato com a realidade.

Neste momento se inicia o significado moderno do termo que se aplica, não a uma espécie qualquer de analise filosófica, senão a uma doutrina mais ou menos privada de validade objetiva, porém mantida pelos interesses evidentes, ou escondidos dos que a utilizam.

A noção de Ideologia, neste sentido, resulta, na segunda metade do século XIX, fundamental para o marxismo é um de seus maiores instrumentos polêmicos contra a cultura denominada "burguesa". Marx afirmou a dependência das crenças religiosas, filosóficas, políticas, morais, das relações de produção e de trabalho, tal como se constituíram em toda fase da história econômica – é a tese do materialismo histórico. Por essa concepção entende-se ideologia como o conjunto dessas crenças, enquanto não tem outra validade que a de expressar uma determinada fase das relações econômicas e, portanto, de servir à defesa e aos interesses que prevalecem em cada fase dessas relações de produção.

Em 1916, Vilfrido Pareto. A noção de ideologia corresponde, em Pareto, a uma teoria não-científica, ou seja, uma teoria não lógico-experimental. Ciência e ideologia pertencem assim a dois campos separados que nada têm em comum: a primeira ao campo da observação e da razão, a segunda ao campo do sentimento e da fé. Conclui que a ideologia tem como função, em primeiro lugar, persuadir, isto é, dirigir a ação.

Mannheim, outro teórico da ideologia, distingue um conceito particular e um geral do termo ideologia. No sentido particular se entende "ao conjunto das imitações mais ou menos deliberadas de uma situação real, com cujo exato conhecimento contrastam os interesses dos que sustentam a ideologia mesma". No sentido mais geral se entende ideologia por "visão de mundo" de um grupo humano, uma classe social, por exemplo. Mannheim distingue ideologia de utopia, afirmando que a utopia se realiza enquanto a ideologia não.

Portanto, em geral, se pode denominar Ideologia a toda crença adotada como controle dos comportamentos coletivos, entendendo o termo crença em seu significado mais amplo, como noção que compromete a conduta e que pode ter ou não validade objetiva. Assim entendido, o conceito de ideologia resulta puramente formal, já que pode ser adotada como Ideologia tanto uma crença fundada sobre elementos objetivos, como uma crença totalmente infundada, tanto uma crença realizável como uma crença não realizável. O que faz da ideologia uma crença não é, com efeito, sua validade ou falta de validade senão sua capacidade de controle dos comportamentos em uma situação determinada.

(Nicola Abbagnano. Dicionário de Filosofia)

sábado, 5 de junho de 2010

DESAFIO BLOG BOATEMÁTICA

Aos queridos alunos do COLÉGIO RUI BARBOSA,

estou ajudando a divulgar o desafio do meu grande amigo professor Marco Aurélio Amarante Ribeiro (Matemática), quem resolver a equação abaixo, ganhará um prêmio (pontos) na disciplina de Matemática.

RESOLVA:

Dada a equação:

x! = x

CRITÉRIOS E INSTRUÇÕES:

I) Comente algo no Blog BOATEMÁTICA colocando sua foto. Esta será sua ficha de inscrição. Pode ser qualquer comentário.

II) Encontre uma técnica de resolução que exiba a solução S = {1,2} . Uma simples substituição mostra que a solução acima é verdadeira.

III) Mostre que a solução é formada por APENAS esses dois números.

Obs: Você terá que apresentar sua resolução no quadro para uma banca de professores de Matemática e Física e para uma platéia de alunos. Não poderá utilizar nenhum recurso na apresentação, a não ser "cuspe e giz". Poderá no entanto consultar antes de sua apresentação quem e o que quiser: ex: Professores (menos o Coréi), livros, internet, pai de santo...

Boa sorte!


Para saber mais acesse: http://profcorelio.blogspot.com/

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dever de Casa

COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MG
9° ANO - ENSINO FUNDAMENTAL
DISCIPLINA: FILOSOFIA
PROFESSOR: LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
ATIVIDADE: PARA CASA - MÊS DE MAIO


QUESTÃO 1- Leia a sinopse abaixo e responda ao que se pede.

O filme "Um Sonho Possível" (The Blind Side, 2009) conta a história de Michael Oher (Quinton Aaron), apelidado de Big Mike um jovem negro vindo de um lar destruído, que é ajudado por uma família branca, liderada por Leigh Anne (Sandra Bullock) que acredita em seu potencial. Com a ajuda do treinador de futebol, de sua escola e de sua nova família, Oher terá de superar diversos desafios a sua frente, o que também mudará a vida de todos a sua volta.

O longa é inspirado em uma história real e dirigido por John Lee Hancock, que também escreveu o roteiro a partir do livro The Blind Side: Evolution of a Game, de Michael Lewis.




Fonte: thttp://cinema.cineclick.uol.com.br/filmes/ficha/nomefilme/um-sonho-possivel/id/16160


Com base no filme e em nossas discussões em sala de aula, REDIJA um texto, explicando as principais dificuldades pelo qual passou o personagem Michael Oher de acordo com o filme "Um Sonho Possível".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Filosofia: da menoridade à maioridade

Filosofia: da menoridade à maioridade


Uma das razões dos estudos de Filosofia no Ensino Fundamental e Médio é a de possibilitar aos alunos o entendimento do mundo em que vivem. A maioria dos filósofos procurou, em suas obras, refletir sobre as suas épocas, alguns descrevendo-as outros criticando-as.

Disse André Comte-Sponville, filósofo francês, "Toda filosofia é um combate. Sua arma? A razão. Seus inimigos? A tolice, o fanatismo, o obscurantismo. Seus aliados? As ciências. Seu objeto? O todo, com o homem dentro. Ou o homem, mas no todo. Sua finalidade? A sabedoria: a felicidade, mas na verdade."

Uma das tarefas do professor e mais especificamente do professor de Filosofia é fazer com que os alunos se habilitem a analisar o mundo em que vivem, ou seja, a fazerem uma crítica sistemática e racional de todas as informações que recebem diariamente a fim de que encontrem as verdades que os levarão à felicidade. Além do "espírito geométrico", tão necessário às ciências, a fruição do "belo" contido nas belas músicas, nos belos textos, nas belas poesias, nas belas artes, é necessária para se adquirir, como disse o filósofo Pascal, "o espírito de finesse", que significa o aprimoramento da sensibilidade, não só pelos sentidos, mas principalmente pela reflexão racional que consiga perceber as diferenças e o imbricamento entre a estética e a cognição, que possibilte uma ação ética. Quando todos estamos dentro dos muros da escola, a vida não parou: a escola é vida - ansiedades, alegrias, choros, revoltas, afetos, ciências, ensino e aprendizagem. A escola se pretende o lugar, a ela reservado pela tradição pedagógica, em que o ritual de passagem se dê: o infante, aquele que não fala, adquire a maioridade, aquele que consegue a automia de falar em público sem o auxilio de outrem.

A Filosofia, portanto, não está nos bancos da escola para ser um conforto ou uma preciosidade com a qual se passaria sem. Ela responde a um reclame vindo de todos cantos. Teria o cientista condições de decidir sobre o uso ético de suas descobertas e invenções? O que fazer com o "genoma"?, com os transgênicos?, com a "clonagem"? Respostas a estas perguntas não são pertinentes apenas a cientistas, está a cargo também de filósofos, sociólogos, antropólogos. Além disso, o que fazer com a "mídia" diária a convocar a todos ao consumo desvairado e infindável? Devemos pagar o progresso com a moeda da desumanização e conviver com a violência por ela gerada? Pessoas são pessoas enquanto procuram realizar suas infinitas potencialidades, consumir é apenas uma delas.

Assim, é possível perceber que a Filosofia, enquanto uma disciplina, está na escola para problematizar e possibilitar com que alunos saibam como "aprender a aprender" lidar com o mundo em que vivem. Esta é uma das condições para que tenham chances de serem felizes.

Autor: Flávio Netto Fonseca
Professor de Filosofia em Belo Horizonte - MG
E-mail: flnetto@hotmail.com

Referências bibliográficas:


COMTE-SPONVILLE, André. Apresentação da filosofia. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2002.

KANT, Immanuel. O que é esclarecimento? São Paulo: Editora Vozes, 974.





1ª SÉRIE - EM_DEVER DE CASA

DEVER DE CASA 1ª SÉRIE EM

TEXTO: A sociologia é uma ciência?
A preocupação com a compreensão dos muitos fenômenos sociais não é algo recente e muito menos surgiu com a sociologia. No entanto, a sociologia consiste em um conjunto de conclusões coerentemente estruturadas sobre a realidade social que parte da observação e descrição dos fatos e peculiaridades dos fenômenos sociais. A sociologia busca uma abordagem científica da realidade.ObservaçãoA sociologia, como ciência, também pretende explicar o que acontece na sociedade. Contudo, com o conhecimento garantido pela observação sistemática dos fenômenos sociais, a sociologia pode transformar-se em instrumento de intervenção social, como, por exemplo, por meio de planejamento social. Sendo assim, como é possível diferenciar a sociologia de outras formas de conhecimento da realidade social? Como é possível distinguir a abordagem sociológica? Como critério diferenciador podemos adotar o fato de a sociologia não se preocupar menos com as possibilidades do conhecimento da realidade e dedicar-se mais à formulação de leis sociológicas.É importante destacar que não se trata de leis normativas que indiquem como se deve agir (isto é papel da ciência moral, da Ética), e sim leis constatativas, isto é, que indiquem como de fato se age.Como ciência, a sociologia tem de obedecer a alguns princípios gerais válidos para todos os ramos do conhecimento científico, apesar das particularidades dos fenômenos de natureza e, consequentemente, da abordagem científica da sociedade.E tal constatação leva-nos a perguntar: mas o que é ciência? Em primeiro lugar, do ponto de vista da forma, a ciência caracteriza-se como um sistema de conceitos, proposições e teorias. Como um sistema, e não um mero conjunto de ideias, os conceitos, proposições e teorias que constituem uma ciência são interdependentes e logicamente articulados. Embora toda ciência, qualquer que seja o seu grau de desenvolvimento, tenha áreas polêmicas e questões abertas, ela persegue sempre o ideal de um corpo de ideias logicamente harmonizadas entre si. O mesmo ocorre com a sociologia. Essa característica, no entanto, embora necessária à ciência, não é exclusiva dessa categoria de conhecimento; os sistemas filosóficos também a apresentam. A coerência e a objetividade são, no final das contas, buscadas em todas as formas de conhecimento.Outra característica importante do conhecimento científico pode ser observada nos seus objetivos. A ciência tem como principal finalidade a explicação da realidade baseada na observação sistemática dos fatos. Na medida em que as explicações são confiáveis, elas podem se transformar em um instrumento de previsão e, quando possível, de controle e transformação da realidade.A sociologia, portanto, pretende explicar racionalmente acontecimentos que têm suas origens na sociedade. Como um tipo de conhecimento baseado na observação sistemática dos fatos, a sociologia, contudo, pode transformar-se em instrumento de intervenção social, como, por exemplo, através do planejamento social.A sociologia, como toda ciência, parte da observação sistemática de casos particulares para daí chegar à formulação de generalizações sobre a vida social. Portanto, a observação sistemática dos fatos da sociedade é uma condição sem a qual não há possibilidade de se produzir o conhecimento sociológico.O objeto de estudo da sociologia: os problemas sociaisEm geral, é muito comum que aquelas pessoas que não estão familiarizadas com o a sociologia imaginem que essa ciência tenha como objetivo a resolução dos problemas sociais, o que é um equívoco. É verdade que a sociologia surgiu da busca por soluções racionais, científicas, de acordo com a pretensão de Auguste Comte, para os problemas sociais provocados pela Revolução Industrial e pela decomposição da ordem social aristocrática na França do início do século XIX.No entanto, supor que a Sociologia tenha como objetivo de estudo os problemas sociais e como objetivo resolvê-los é um equívoco, uma vez que a ciência tem como objetivo último explicar, e tão-somente explicar, os fatos observáveis, como eles e, sobretudo, quais as causas. Embora não se possam observar na sociedade relações de causa e efeito do mesmo tipo das que ocorrem no mundo físico, as ciências sociais e, portanto, a sociologia, têm o mesmo objetivo que as ciências naturais: a compreensão dos fatos à nossa volta, indo além da observação casual.Isso não quer dizer que os sociólogos devam excluir os problemas sociais do âmbito de suas preocupações. Os problemas sociais são do interesse do sociólogo porque são fenômenos sociais, possíveis de serem observados e compreendidos cientificamente. A sociologia estuda os fenômenos sociais em geral, quer sejam percebidos ou não como problemas. Imaginar que a sociologia seja uma ciência dos problemas sociais constitui um equívoco parecido com a suposição de que a biologia tenha como objetivo de estudo apenas as manifestações patológicas, doentias, de vida.Ao sociólogo interessam, antes, os problemas sociológicos, quer dizer, os problemas relativos ao que os seres humanos são seres sociais influenciados por interação, padrões sociais e socialização.Um problema social pode ser mais bem definido se dividirmos a expressão em duas partes: o problema e o que o torna social. Para um (problema ou qualquer coisa) tornar-se social, é preciso que envolva sistemas sociais e a participação de pessoas nesses sistemas. Por exemplo, podemos descrever o uso abusivo de drogas como um problema social porque se origina em condições sociais particulares que o tornam possível e o promovem. Surge a Sociologia Auguste Comte (1798 – 1857) é tradicionalmente considerado o pai da Sociologia. Foi ele quem pela primeira vez usou essa palavra, em 1839, no seu Curso de Filosofia Positiva. Mas foi com Émile Durkheim (1858-1917) que a sociologia passou a ser considerada uma ciência e como tal se desenvolveu. Durkheim formulou as primeiras orientações para a Sociologia e demonstrou que os fatos sociais têm características próprias, que os distinguem dos que são estudados pelas outras ciências. Para ele, a Sociologia é o estudo dos fatos sociais. Um exemplo simples nos ajuda a entender o conceito de fato social, segundo Durkheim:Se um aluno chegasse à escola vestido com roupa de praia, certamente ficaria numa situação muito desconfortável: os colegas riram dele, o professor lhe daria uma enorme bronca e provavelmente o diretor o mandaria de volta par pôr uma roupa adequada.Existe um modo de vestir que é comum, que todos seguem. Isso não é estabelecido pelo indivíduo. Quando ele entrou no grupo, já existia tal norma, e, quando ele sair, a norma provavelmente permanecerá. Quer a pessoa goste, quer não, vê-se obrigada a seguir o costume geral. Se não o seguir, sofrerá uma punição. O mesmo modo de se vestir é um fato social. São fatos sociais também a língua, o sistema monetário, a religião, as leis e uma infinidade de outros fenômenos do mesmo tipo.Para Durkheim, os fatos sociais são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social. Embora existam na mente do indivíduo, são exteriores a ele e exercem sobre ele um poder coercitivo. Resumindo, podemos dizer que os fatos sociais têm as seguintes características:*generalidade – o fato social é comum aos membros de um grupo;*exterioridade – o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;*coercitividade – os indivíduos vêem-se obrigados a seguir o comportamento estabelecido.Em virtude dessas características, para Durkheim os fatos sociais podem ser estudados objetivamente, como “coisas”. Como a Biologia e a Física estudam os fatos da natureza, a Sociologia pode fazer o mesmo com os fatos sociais.As obras de Durkheim foram importantíssimas para definir os métodos de trabalho dos sociólogos e estabelecer os principais conceitos da nova ciência. Entre essas obras, destacamos: A divisão do trabalho social, As regras do método sociológico e O Suicídio.

De acordo com o texto acima responda:

QUESTÃO 01. O que faz com que o conhecimento sociológico se diferencie de outras formas de conhecimento?

QUESTÃO 02. REDIJA um texto, evidenciando as diferenças entre a sociologia e a filosofia

QUESTÃO 03. Em que medida a opinião pública pode ser considerada uma fonte segura de conhecimento dos problemas sociais.

QUESTÃO 04. “Os sociólogos se ocupam do estudo dos problemas sociais”. IDENTIFIQUE os tipos de problemas sociais pelos quais a sociologia se interessa.

QUESTÃO 05. É possível estudar cientificamente a sociedade? Quais são as vantagens e as dificuldades do estudo científico da sociedade? Nesse sentido, a sociologia é útil? EXPLIQUE.

Übung macht den Meister
(O exercício faz o mestre)
Pense nisso!
Prof. Leo

Pensamentos

"Conhece a ti mesmo." Sócrates --"A linguagem é a morada do Ser." Heráclito -- "O homem é a medida de todas as coisas." Protágoras -- " Penso, logo existo. " René Descartes -- " O Mundo é minha representação sobre ele. " Artur Schopenhauer -- " Ai ai, o tempo dos pensadores parece ter passado! " Soren Kierkaard -- "Sobre aquilo que não pode ser dito deve se calar.” Ludwig Wittgenstein -- "O Ser é um horizonte de possibilidades." Martin Heidegger -- "A essência precede a existência." Jean Paul Sartre -- " A esperança floresce senão sobre o solo do desespero. " Gabriel Marcel "A razão e a sabedori falam. O Erro e a ignorância gritam." Sto. Agostinho "A melhor lição é o exemplo." Sto. Agostinho