quarta-feira, 26 de julho de 2023

Sobre a obra "Introdução à Lógica" de Irvin Copi

Irving Marmer Copi (1917 - 2002) foi um filósofo e lógico norte-americano conhecido por suas contribuições na área da lógica formal e filosofia da lógica. Em sua obra "Introdução à Lógica", Copi aborda o estudo da lógica como uma disciplina que trata das formas válidas de raciocínio e inferência.


Para Copi, a lógica é o estudo das estruturas argumentativas válidas, ou seja, das regras que governam a correta aplicação do pensamento racional. Ela se concentra em analisar as relações entre proposições e os diferentes tipos de argumentos, investigando a validade e a consistência desses argumentos.

A lógica propõe formas simbólicas para representar as estruturas argumentativas, como os conectivos lógicos (como "e", "ou", "se... então", "não", entre outros) e quantificadores (como "para todo" e "existe"). Essas representações simbólicas permitem a análise rigorosa e formal dos argumentos, independentemente de seu conteúdo específico.



Copi enfatiza a importância da clareza e precisão na formulação dos argumentos, evitando ambiguidades e falácias. Ele acreditava que a lógica é uma ferramenta valiosa para o pensamento crítico, ajudando a identificar falhas e inconsistências em argumentos, sejam eles encontrados na filosofia, ciência, matemática ou qualquer outra área do conhecimento.

Em resumo, para Irving Copi, a lógica é o estudo formal das formas válidas de raciocínio e inferência. Ela se preocupa em analisar as relações entre proposições e argumentos, fornecendo ferramentas para avaliar a validade e a consistência do pensamento racional. A lógica é uma disciplina essencial para o desenvolvimento do pensamento crítico e para a análise rigorosa de argumentos em diversas áreas do conhecimento.

O livro se encontra para compra no seguinte link: Introdução à Lógica | Amazon.com.br

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Principais pontos da obra Sociedade do Cansaço

 A obra "Sociedade do Cansaço" foi escrita pelo filósofo sul-coreano Byung-Chul Han e publicada em 2010. Nesse livro, Han explora e critica a natureza da sociedade contemporânea, caracterizando-a como a "sociedade do cansaço". Essa expressão refere-se a uma análise cultural e social sobre os aspectos que moldam a experiência humana na era moderna.


De acordo com Byung-Chul Han, a sociedade do cansaço é marcada por uma série de mudanças culturais e tecnológicas que afetam profundamente a vida das pessoas. Alguns dos pontos-chave abordados na obra são:

Excesso de positividade: Han argumenta que a sociedade moderna é dominada por uma atitude de positividade excessiva, na qual os indivíduos são constantemente incentivados a serem produtivos, otimistas e a atingirem metas. Esse imperativo da positividade pode gerar uma pressão psicológica para o desempenho constante e o sucesso, levando ao cansaço emocional.

Sociedade do desempenho: Na sociedade do cansaço, as pessoas são incitadas a se tornarem empreendedoras de si mesmas, sempre buscando melhorias e autossuperação. Isso leva a um estado de vigilância constante em relação ao próprio desempenho, criando uma sensação de cansaço e ansiedade por nunca serem suficientemente bem-sucedidas.

Tecnologia e comunicação: O advento das tecnologias digitais e das redes sociais intensificou a sensação de cansaço. As pessoas estão constantemente conectadas e disponíveis para interações virtuais, o que leva à perda de tempo de repouso e reflexão. Além disso, a comparação constante com as vidas aparentemente perfeitas de outros nas redes sociais pode aumentar os sentimentos de insatisfação e exaustão.

Individualismo e solidão: Han também aponta para o aumento do individualismo e da competição na sociedade atual, o que pode levar a sentimentos de isolamento e solidão. A falta de comunidade e conexões significativas pode contribuir para o cansaço emocional.

Sociedade do consumo e descarte: A cultura do consumo rápido e descartável também é destacada por Han. Nessa sociedade, as pessoas são encorajadas a consumir incessantemente, o que pode levar ao esgotamento de recursos e à exaustão mental.

Em resumo, a "Sociedade do Cansaço" é uma análise crítica sobre os efeitos da cultura contemporânea no bem-estar psicológico e físico das pessoas. Han argumenta que o excesso de positividade, a ênfase no desempenho individual e o impacto das tecnologias digitais podem levar a um estado de cansaço generalizado e uma sensação de desgaste nas pessoas. Essa obra desafia os leitores a repensarem sua relação com o trabalho, o tempo livre, a tecnologia e a cultura do consumo, buscando uma abordagem mais equilibrada e saudável para a vida contemporânea.

O livro se encontra para compra no seguinte link: Sociedade do cansaço | Amazon.com.br


Dez atitudes filosóficas para os estudantes de Filosofia

Como estudante de filosofia, é importante desenvolver algumas atitudes e abordagens específicas para aprimorar sua compreensão e prática nessa disciplina intelectual. Abaixo estão algumas das principais atitudes filosóficas que podem ser benéficas para você:

1ª atitude: curiosidade intelectual

A filosofia é movida pela busca incessante por conhecimento e compreensão. Mantenha-se curioso e aberto a questionar conceitos, ideias e pressupostos, sempre buscando entender as questões mais profundas da existência humana.

2ª atitude: questionamento crítico

Desenvolva a habilidade de questionar de forma rigorosa e sistemática. Não aceite respostas superficiais ou dogmáticas. Em vez disso, investigue as razões por trás de afirmações e crenças, buscando a lógica e a validade dos argumentos.

3ª atitude: pensamento reflexivo

Dedique tempo para refletir sobre questões filosóficas e os argumentos apresentados por filósofos passados e contemporâneos. A reflexão cuidadosa pode ajudá-lo a aprofundar seu entendimento e a desenvolver suas próprias ideias.

4ª atitude: leitura e estudo constante

A filosofia possui uma rica tradição e uma vasta quantidade de textos escritos ao longo dos séculos. Leia tanto os clássicos quanto obras modernas relevantes. Isso ampliará seus horizontes e permitirá que você se envolva em debates filosóficos em diferentes contextos.

5ª atitude: tolerância à ambiguidade

A filosofia muitas vezes lida com questões complexas e sem respostas definitivas. Esteja preparado para lidar com a ambiguidade e a incerteza, reconhecendo que algumas questões podem não ter soluções simples.

6ª atitude: capacidade de argumentação

Aprenda a articular claramente seus pensamentos e ideias em argumentos bem estruturados. Pratique a habilidade de defender suas posições com fundamentos lógicos e evidências relevantes.

7ª atitude: respeito pelas opiniões dos outros

A filosofia é uma disciplina que incentiva o diálogo e a troca de ideias. Respeite as opiniões dos outros, mesmo que você discorde delas. O respeito mútuo é fundamental para o avanço do pensamento filosófico.

8ª atitude: abertura para perspectivas diversas

Explore diferentes correntes filosóficas e perspectivas culturais. Isso ajudará a evitar visões estreitas e a ampliar sua compreensão sobre as variadas formas de abordar questões filosóficas.

9ª atitude: autocrítica

Esteja disposto a questionar suas próprias crenças e preconceitos. A autocrítica é uma habilidade valiosa para evitar a armadilha do pensamento dogmático e para estar aberto a novas ideias.

10ª atitude: aplicação da filosofia na vida cotidiana

A filosofia não deve ser apenas um exercício intelectual abstrato, mas também uma ferramenta para a compreensão e a melhoria da vida cotidiana. Busque aplicar os insights filosóficos para lidar com questões práticas e éticas que surgem em sua vida.

Essas atitudes filosóficas podem ajudá-lo a mergulhar no mundo da filosofia de maneira significativa e enriquecedora, possibilitando o desenvolvimento de uma mente crítica e aberta, além de uma compreensão mais profunda do mundo e de si mesmo.

quarta-feira, 19 de julho de 2023

BLOG PENSAR NO JORNAL DO PROFESSOR DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC) EM 2009

Recordar é viver!

Segue abaixo trechinho da entrevista dada em 2009 à jornalista Renata Chamarelli, do Jornal do Professor do MEC - revista eletrônica do MEC edição quinzenal (cf. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/) falando sobre a importância do Blog Pensar como mais uma ferramenta nas aulas de Filosofia, a entrevista foi realizada remotamente, é claro. Agradeço a todos pelo sucesso, confira!

Espaço do Professor

Professor cria blog para facilitar discussões filosóficas
13.02.2009





















Uma vida sem reflexão não é digna de ser vivida. A famosa frase de Sócrates é o texto que dá boas-vindas ao internauta que acessa o blog Pensar (http://blogpensar.blogspot.com/). Fruto do trabalho do professor de filosofia Leonardo Oliveira de Vasconcelos, que leciona no Colégio Rui Barbosa (http://www.ruibarbosa.net/), em Belo Horizonte, o blog surgiu da necessidade de um contato maior com os alunos após as aulas. “Ao comentar pensamentos, os alunos se sensibilizam pelas ideias expostas, despertando um maior interesse nas minhas aulas”, justifica.

Criado em fevereiro de 2007, o blog contribui para uma maior interatividade dos alunos de filosofia de Vasconcelos. Por meio dele, o professor envia atividades de sala de aula, notas de roda pé de comentários expostos em sala, imagens, vídeos, músicas e textos de autores diversos. “Escrevo pequenos textos, versos e reflexões, sempre com o objetivo de despertar nos alunos um olhar mais crítico sobre a realidade do mundo e da vida”, explica. O docente garante que o blog é um sucesso entre os alunos do ensino fundamental e médio. Já foram registrados cerca de 50,8 mil acessos desde que o blog entrou no ar.

Licenciado em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Vasconcelos vê na filosofia um exercício mental. “Ler um texto no blog e comentá-lo, dar sua opinião se expondo, já é um grande passo para nos libertarmos das nossas “cavernas” da timidez, da arrogância, do egoísmo, da autossuficiência”, defende, ao fazer referência a Alegoria da Caverna, de Platão. Por meio do blog, o professor garante que consegue se aproximar melhor daquilo que se passa no interior de cada aluno.

Por Renata Chamarelli

Veja a entrevista em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/journalContent.action?editionId=15&categoryId=2

segunda-feira, 17 de julho de 2023

A sociedade do cansaço

A sociedade do cansaço 

Entramos no período de recesso escolar e aproveitei para colocar as leituras em dia. Estou lendo a obra "Sociedade do Cansaço" do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han que trata sobre a importância do descanso. O descanso reside em sua capacidade de combater o que ele chama de "sociedade do cansaço". Han argumenta que, na atualidade, a sociedade é caracterizada por uma cultura do excesso de desempenho, hiperconexão e produtividade incessante, o que leva a um esgotamento físico e mental generalizado.


Para os estudantes do ensino médio, essa pressão pode ser especialmente intensa. Eles enfrentam altas expectativas acadêmicas, a necessidade de estar sempre conectados às redes sociais e a competição constante para alcançar bons resultados e entrar em boas universidades. Nesse contexto, o descanso é visto por Han como uma forma de resistência contra a cultura do excesso e da exaustão.

Ao tirar um tempo para descansar, seja através do sono adequado, de momentos de lazer ou do afastamento das pressões sociais, os estudantes podem romper com a lógica da produtividade desenfreada. O descanso não é apenas uma pausa momentânea, mas uma necessidade vital para recuperar a energia, a criatividade e a saúde mental.

Além disso, Han enfatiza que é no descanso que se encontra a capacidade de reflexão e contemplação. Quando estamos constantemente ocupados e sobrecarregados, perdemos a oportunidade de nos conhecermos verdadeiramente e de refletir sobre nossas escolhas e propósitos. O descanso nos permite recuperar a conexão com nós mesmos e com nossos desejos mais autênticos.

Portanto, o filósofo Byung-Chul Han nos convida a valorizar o descanso como um ato de resistência e de autocuidado, capaz de nos libertar da tirania do cansaço e do excesso de estímulos. Para os estudantes do ensino médio, é uma ferramenta valiosa para encontrar equilíbrio em meio a uma sociedade que muitas vezes parece exigir o máximo de nós o tempo todo.

O livro se encontra para compra no seguinte link: Sociedade do cansaço | Amazon.com.br

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Por que a Filosofia Clássica é Importante hoje? (Entrevista com David Fideler)

 

Traduzido para o português pelo Dr. Marcus Resende

 

David Fideler, autor de vários livros, entre os quais  Um café com Sêneca: Um Guia Estoico Para a Arte de Vivertrabalhou como professor universitário, editor e diretor de um centro de humanidades. Estudou filosofia grega clássica e religiões mediterrâneas na Universidade da Pensilvânia e é PhD em filosofia. Nascido nos Estados Unidos, ele vive atualmente em Saraievo, com sua esposa e filho. Ele é o editor do website Stoic Insights e um conselheiro do Centro da Academia de Platão em Atenas. Recentemente, David foi entrevistado por Michael Nevradakis para a revista grega Orthos Logos sobre “Porque a Filosofia Clássica importa hoje”. Essa é a versão da entrevista em português.

Michael Nevradakis (MN): Sua história de vida tem sido interessante, percorrendo seu caminho para a Bósnia, especificamente para Saraievo, saindo do oeste de Michigan. Conte-nos sobre essa trajetória e sobre o que trouxe você para esta parte do mundo.

 

David Fideler (DF): Essa é uma pergunta interessante, e há muitas dimensões para ela. Uma parte dela é que minha esposa é daqui. Mas outra razão para eu ter vindo para cá se deve à longa história de pluralismo espiritual em Saraievo, onde nós vivemos. Quando os judeus foram expulsos da Espanha, em 1492, muitos vieram para cá, e aqui nós temos um dos maiores cemitérios judaicos antigos em toda a Europa. Eles gostaram da vida em Saraievo e a chamaram de “Pequena Jerusalém” da Europa. E eles viveram pacificamente com mulçumanos, cristãos ortodoxos e católicos.  

 

Hoje, a coisa incrível para nós é que todos esses grupos religiosos se deram bem e viveram em harmonia, em Saraievo, por cerca de 500 anos, até a guerra da Bósnia nos anos 90. Por exemplo, a mesquita principal está praticamente em frente a uma sinagoga antiga. E estes dois prédios estão a três minutos de caminhada da Antiga Igreja Ortodoxa e da Catedral Católica. Então, há essa pequena área, na qual todos esses prédios religiosos, de diferentes confissões, estão localizados.

 

Saraievo é também incrível por ser o ponto de encontro de muitas culturas diferentes, que você pode ver refletidas na arquitetura. É a fronteira sul do Império Austro-Húngaro, a fronteira norte do Império Otomano, a fronteira leste da Igreja Católica, e a fronteira oeste da Igreja Ortodoxa. Em um momento você pode caminhar através de uma área com arquitetura Austro-Húngara e, de repente, entrar em uma área com arquitetura Otomana.

MN: O que primeiro motivou você a se dedicar, neste momento e com essa idade, à filosofia grega clássica e aos escritos de Platão e dos estoicos?

 

DF: Quando eu era adolescente, eu fiquei interessado em Platão e Pitágoras. Então, eu comecei a ler esses tipos de textos, incluindo os diálogos de Platão, ainda na adolescência. Eu também estava interessado nas religiões gregas, incluindo as religiões de mistério e como elas influenciaram o desenvolvimento do cristianismo. Ao longo dos anos, eu trabalhei em muitas diferentes áreas e tópicos relacionados a filosofias e religiões antigas, e meu interesse nunca diminuiu, embora tenha se expandido para outras áreas. Por exemplo, eu também estudei a história da ciência e a redescoberta do conhecimento clássico no renascimento italiano.

MN: O que é o estoicismo e a filosofia estoica?

 

DF: O estoicismo é uma escola filosófica que teve sua origem em Atenas, em torno do ano 300 AEC. Foi fundada por Zenão de Cítio, que falava na Stoa Poikile, ou “Stoa Pintada”, na ágora. Zenão e seus seguidores, em Atenas, produziram dezenas, ou mesmo centenas de escritos, mas, infelizmente, nenhum destes sobreviveu ao tempo em forma completa. E a Stoa Pintada é, hoje, apenas uma ruína sem atrativos.

 

Dito isso, existem muitos relatos sobre o pensamento estoico, muito influenciados por Sócrates. Alguns escritores antigos até chamavam os primeiros estoicos de “socráticos.”

 

Os estoicos seguiram Sócrates ao acreditar que “virtude é o único bem verdadeiro”. Quanto a isso, eles queriam dizer que as pessoas devem desenvolver um excelente caráter interior. Então, a partir disso, tudo que fazemos deve ser caracterizado pela excelência.

 

Eles também acreditavam que a natureza estava permeada pelo logos ou a racionalidade. Zenão dizia que, se um ser humano deseja encontrar a felicidade ou a eudaimonia, deve “viver em acordo com a natureza.” Isso significa que os seres humanos devem desenvolver sua própria natureza racional, ou a centelha do logos que temos em nós. Isso nos permitiria aceitar as leis da natureza e nos conduzir a vidas felizes e tranquilas.

 

Enquanto os primeiros estoicos gregos se concentraram no estudo da natureza (física), lógica e ética, os estoicos romanos se concentraram mais na ética – como viver uma vida boa e feliz.

 

Os estoicos acreditavam que algumas coisas estão “sob nosso controle”, especialmente desenvolver um bom caráter, enquanto muitas outras coisas não estão sob nosso controle. Eles também acreditavam que muitos tipos de emoções se baseiam em juízos mentais. Uma afirmação estoica muito famosa é: “não são as coisas que nos afetam, mas o nosso juízo sobre as coisas”. Hoje isso é chamado de teoria cognitiva da emoção, que os estoicos descobriram, e forma a base da moderna Terapia Cognitiva Comportamental (TCC).

MN: É dito que o estoicismo foi a filosofia mais influente do império romano. Como ela impactou o mundo durante e depois dessa época da história?

DF: Os três mais famosos estoicos romanos foram Sêneca (4 AEC – 65 EC), Epicteto (50-135 EC), e Marco Aurélio (121 – 180 EC). E, diferente dos primeiros estoicos gregos, a maior parte de seus escritos nos chegaram.

 

Os escritos de Sêneca somam centenas de páginas, e são a mais compreensiva descrição da filosofia estoica que temos em qualquer escrito remanescente. Epicteto era um escravo grego que se tornou liberto, e que fundou sua própria escola de filosofia estoica em Roma, depois da morte de Sêneca. E, Marco Aurélio, certamente, era tanto um estudante da filosofia estoica quanto um imperador romano. Suas Meditações atualmente vendem mais de 100.000 cópias em inglês por ano. No que se refere à influência do estoicismo, podemos ver que ele foi aceito pelas pessoas, desde um escravo até um imperador romano. E sua influência continua hoje.  

 

O estoicismo entrou em declínio depois de Marco Aurélio, mas foi muito influente durante o Renascimento italiano. Na verdade, Petrarca, o fundador do humanismo renascentista, lia um pouco de Sêneca todos os dias, o qual é um hábito que eu também desenvolvi.

 

Há cerca de uma década, ou um pouco mais, o interesse pelo estoicismo tem renascido no mundo de língua inglesa. Eu acho que isso acontece porque o nosso tempo se assemelha muito ao período helenístico e ao início do Império Romano. Em outras palavras, o nosso mundo se sente cada vez mais fora do controle. Esse foi o sentimento antes do Covid e antes da guerra na Ucrânia, e agora este mundo se sente ainda mais fora do controle. Um dos atrativos do estoicismo, penso eu, é que ele ensina às pessoas como viver uma vida boa, recompensadora e tranquila, independente do que esteja acontecendo no mundo, de forma geral. Outro aspecto que é atraente sobre o estoicismo é que algumas pessoas o veem como algo que se assemelha a uma forma de budismo ocidental.

 

O crescimento do interesse pelo estoicismo, porém, não está limitado apenas ao mundo de língua inglesa. Meu livro Café da Manhã com Sêneca, que é um guia para as ideias de Sêneca, dirigido a uma audiência geral, já foi impresso mundialmente em dezesseis línguas.

MN: Você é também reconhecido como um especialista na escola pitagórica e no pitagorismo. O que esta filosofia e escola de pensamento nos ensina hoje?  

 

DF: De acordo com antigas descrições, Pitágoras foi o primeiro a se autodeclarar filósofo ou “amante da sabedoria”. Ele foi o primeiro a chamar o universo de kosmos, “uma boa ordem”. Apesar de não termos nenhum dos escritos originais de Pitágoras, eu acredito que nós temos acesso às suas mais importantes ideias, as quais podemos encontrar em Platão e em outros escritores, relacionadas a número, kosmos e harmonia.

 

Os pitagóricos acreditavam que o mundo tem uma estrutura matemática. Hoje, nós podemos ver isso nas proporções matemáticas da natureza e das coisas vivas, e nas leis matemáticas que nós descobrimos na natureza. Pitágoras disse que o universo é um kosmos, ou uma boa ordem, mas o motivo do porque é uma boa ordem, deve-se à harmonia e à proporção matemática. As partes de um ser vivo, ou de um prédio bem projetado, se harmonizam para criar o equilíbrio de toda a estrutura.

MN: Como esse tipo de pensamento filosófico é relevante e aplicável nos dias de hoje, no aspecto individual e no coletivo?

 

DF: Harmonia significa “encaixar”, e o próprio mundo, assim como os seres vivos, consistem da relação entre o todo e as partes. Harmonia dá origem ao equilíbrio. Porém, sem harmonia, a vida em si não existiria, porque a vida depende desses tipos de relacionamento. Isso torna o princípio da harmonia muito relevante.

 

Harmonia é também essencial para criar coisas bonitas, como edifícios. Os gregos e romanos eram muito conscientes desses princípios, os quais foram redescobertos na Renascença. Podemos usar a harmonia para entendermos muitas coisas sobre as obras da natureza. Mas nós também podemos usar a harmonia, do mesmo jeito que eles fizeram na Renascença, para criar um mundo que é equilibrado, satisfatório, e no qual vale a pena viver. O arquiteto renascentista Leon Battista Alberti entendeu a harmonia muito bem, e a descreveu dessa maneira: “Eu defino beleza como a harmonia de todas as partes [...] encaixadas com tal proporção e conexão que nada pode ser acrescentado, diminuído ou alterado, exceto para pior”.    

MN: Qual é o seu ponto de vista sobre o significado da vida?

 

DF: Eu entendo que o significado da vida não é uma teoria ou um conceito, mas uma experiência que nos ocorre quando nossas vidas fazem sentido. E a vida das pessoas faz sentido quando elas têm uma profunda conexão com uma realidade que vai além de nossa limitada individualidade. Essa realidade pode ser a sua família ou outras pessoas. Pode ser também a sociedade. Pode ser identificada em uma atitude de ajudar outras pessoas. Pode ser a natureza. Pode ser o universo como um todo. Para pessoas religiosas, a realidade pode ser Deus ou a dimensão espiritual dela mesma. Ou pode ser todas essas coisas juntas.    

 

Fazer sentido significa que nós precisamos sentir uma conexão com uma realidade maior, que vai além da nossa limitada individualidade, porque se nós estamos isolados, não percebemos o significado – sentimos solidão. Este sentido de significado depende também de um tipo de harmonia. Como disse Sêneca: “A amizade cria entre nós uma parceria em todas as coisas [...] Você deve viver para o outro se quiser viver para si mesmo”.

 

MN: Fale-nos sobre a filosofia como uma arte de viver, como explicada em seu livro mais recente, cujo título é Um café com Sêneca: Um Guia Estoico Para a Arte de Viver.

 

 

DF: Há cerca de doze anos eu comecei a ler Sêneca e desenvolvi um pequeno ritual de leitura de ler uma de suas cartas, matinalmente, durante o café da manhã.

 

A ideia da filosofia como uma arte de viver é um retorno a Sócrates, e Sêneca faz parte dessa tradição. Hoje, a filosofia se tornou muito especializada, muito intelectual e muito dissociada da vida diária. Sêneca, por sua vez, foca no lado prático da filosofia, ou em como a filosofia pode nos ajudar a lidar com importantes problemas da vida diária: em como superar emoções negativas como preocupação, ansiedade e ira; em como desenvolver um melhor caráter pessoal; em como lidar com contratempos e adversidades; em como entender a si mesmo e viver com autenticidade; e em muitos outros tópicos.

 

Sêneca não era somente um filósofo, era também um tipo de protopsicólogo que escreveu coisas que não eram identificadas até cinquenta anos atrás. Ele estava muito à frente do seu tempo. Ele também acreditava no poder da amizade e das relações pessoais para nos ajudar a nos tornarmos pessoas melhores e nos fazer progredir na vida e na filosofia. Você pode ver como isso era importante para Sêneca, porque cada um dos seus escritos filosóficos foram endereçados a uma pessoa – seja um amigo ou um membro da família.

 

MN: O que o pensamento clássico e a prática relacionada à política, tal como a República de Platão, nos oferece em termos de soluções para os desafios que o mundo enfrenta hoje?

 

DF: Um dos objetivos da República de Platão era definir a natureza da justiça, a qual está dentro de nós e na sociedade. Na República, Platão discute as outras virtudes cardinais: sabedoriacoragem e moderação. Estas quatro virtudes eram também essenciais para os estoicos. Se nós pudéssemos realmente entender essas quatro virtudes e colocá-las em prática, eu estou certo de que estaríamos vivendo em um mundo melhor. O objetivo de Platão, ao fundar a Academia, era o mesmo objetivo dos humanistas da Renascença. Ambos queriam criar líderes mais virtuosos para melhorar a sociedade.

 

MN: Você também escreveu anteriormente, “No mundo antigo, as ideias estoicas sobre a igualdade humana e companheirismo contribuíram para a ideia cristã primitiva da fraternidade universal na humanidade.” Fale-nos sobre essa fraternidade universal da humanidade e até que ponto algo dessa natureza é possível.

 

DF: Os estoicos acreditavam que todos os seres humanos possuem a faculdade da razão, ou o logos. A ideia de que somos criaturas racionais está também refletida no termo homo sapiens. Por causa dessa centelha de razão que possuímos, nascemos semelhantes uns aos outros, e somos irmãos e irmãs uns dos outros. Isso significa que somos todos membros de uma Cosmópolis, ou “uma comunidade global”.

 

Certamente, se você acredita que outros seres humanos são seus irmãos ou suas irmãs, você os tratará bem, com amor e respeito. Isso está intimamente relacionado à palavra latina humanitas, que significa, ao mesmo tempo, humanidadebondadebenevolênciacivilização e aprendizado.

 

Isso pode ser aplicado ao mundo real? Claro que pode. Mas precisamos, primeiro, nos identificar como seres humanos, antes de nos identificar com qualquer outro tipo de grupo, tribo ou nacionalidade. Antes de pensarmos em nossas diferenças, precisamos, primeiro, entender que somos parte de uma humanidade comum que nos une com os demais huma nos.

MN: Há alguns anos atrás você organizou um Simpósio sobre o futuro da educação e das humanidades, em Atenas, e visitou o local da Academia de Platão. Como foi seguir as pegadas de Platão, contemplar e discutir ideias em um lugar tão especial?

 

DF: Foi, finalmente, fantástico estar lá, porque muito tempo atrás, em 1996, eu fui contratado pela Ross School para escrever uma história da Academia de Platão e das outras escolas que nasceram dela. Isso é algo que muitos filósofos nunca pensaram a respeito: Por que Platão fundou a Academia e o que realmente aconteceu lá? Se você quer, realmente, entender Platão, acho que essas perguntas são essenciais.

 

Um motivo pelo qual eu me tornei tão interessado na Academia de Platão é porque ela era muito desprezada. O outro motivo é que eu tenho muito interesse pela filosofia da educação, e eu estou sempre insatisfeito com o tipo de sistema educacional que nós temos hoje. Por isso eu queria retornar ao princípio da educação no mundo ocidental e entender o que Platão estava tentando atingir ao estabelecer sua escola. Talvez, penso eu, poderíamos aprender algo de valor dessa experiência para melhorar a educação de hoje.

 

MN: Da forma que entendo, você, assim como outros estoicos e filósofos, incluindo Donald Robertson (com quem tivemos a oportunidade de conversar no ano passado), estão envolvidos no recém-lançado projeto do Centro da Academia de Platão. O que este projeto significa e o que o inspirou?

 

DF: Ele é, na verdade, um tipo de milagre, mas o Parque Academus, em Atenas, onde Platão fundou sua escola, sobreviveu por mais de 2.000 anos. Ele está rodeado por um bairro, mas é uma milagre histórico continuar sendo uma parque, e ninguém construiu casas sobre ele por um período de 230 séculos.  

 

Há muito tempo, eu sonhava em oferecer um seminário em Atenas sobre as antigas escolas filosóficas de lá, começando com a Academia de Platão. Mas, então, Donald Robertson mudou-se para Atenas, e veio com essa grande ideia de criar um centro de conferência perto do local da Academia de Platão, o que tornava muito mais viável a possibilidade de fazer as coisas naquele lugar.

O objetivo do Centro Acadêmico de Platão não é reestabelecer a Academia de Platão. Certamente, precisaríamos de um Platão para isso. A ideia é criar um pequeno centro de conferência perto do Parque Academus, o qual irá sediar eventos relacionados à filosofia clássica. Existem, também, planos de criar um centro sobre o questionamento e o diálogo socrático, que foi o mais importante método educacional usado na Academia de Platão. Além de colocar a Academia de Platão “de volta ao mapa”, como eles dizem, as pessoas associadas ao projeto querem preservar o parque e seus sites arqueológicos e melhorar a economia da vizinhança em Atenas.

OL: Você acha que nós podemos usar essas ideias da filosofia clássica para ajudar a resolver os conflitos em nosso mundo muito polarizado de hoje?

 

DF: Sim, totalmente. Não há como negar que as pessoas são diferentes em muitas maneiras, algo que os filósofos antigos reconheceram: somos uma mistura de semelhanças e diferenças. Mas, no nível mais profundo, somos todos seres humanos, com as mesmas necessidades humanas. Todos nós queremos ter uma boa vida e viver em um mundo onde a justiça e a equidade são maiores do que a corrupção.

 

No pensamento dos pitagóricos, de Platão e dos estoicos, existia uma importante ênfase sobre a ideia de unidade como um princípio cósmico – e também sobre os tipos de coisas que nos unem, como seres humanos, como a ideia da cosmópolis. Então, deveríamos, primeiro, sempre pensar sobre a nossa humanidade comum e tentar nos engajar em um diálogo com as pessoas que pensam diferentemente, não necessariamente para mudar suas mentes, mas com o propósito de uma compreensão mútua.

 

Infelizmente, eu acho que muito da polarização social e política de hoje é dirigida pelos meios de comunicação e mídias sociais, porque esse tipo de polarização é muito lucrativa, mesmo que seja muito prejudicial. As pessoas que encorajam esse tipo de polarização, geralmente apelam para os piores aspectos da natureza humana, então eu quero fazer o oposto e explorar nossa humanidade comum. Eu estou convencido de que superar a polarização e realizar o ideal da unidade e igualdade humana – irmandade – é uma das tarefas mais urgentes de nosso tempo. Como disse Sêneca, “Elimine a comunhão e você irá destruir a unidade da raça humana, da qual nossa vida depende”.   

 

Para Leitura Posterior

 

·        Livros de David, Café da Manhã com Sêneca: Um Guia Estoico Para a Arte de Viver

·        Uma Pequena História da Academia de Platão, por David Fideler

 

Originalmente publicado em:

https://platosacademy.org/why-ancient-philosophy-matters-today/

Republicado no Viva Vox Estoicismo por Aldo Dinucci sob permissão de David Fideler. Disponível em: <(https://aldodinucci.blogspot.com> Acesso 18 mai. 2023.


O livro se encontra para compra no seguinte link: 

Um café com Sêneca: Um guia estoico para a arte de viver | Amazon.com.br


Jovem de 12 nos de João Pessoa já leu mais de 500 livros

 

Jovem de 12 nos de João Pessoa já leu mais de 500 livros.   


“Ele descobriu o prazer de viajar sem sair do lugar”, diz sua mãe, Renata Medeiros.

Samyr Medeiros, da Comunidade do Aratu, em João Pessoa, aprendeu a ler com seis anos de idade e metade da sua vida foi com os livros. Hoje com 12 anos ele já desbravou mais de 500 obras de autores diversos. "Minha mãe me dava livros de presente e eu comecei a gostar. Eu ficava lendo para passar o tempo", relata o menino. Samyr atingiu a marca de 500 livros em 2018, a partir daí a mãe parou de contar.

Leia a matéria completa disponível em: Adolescente paraibano de 12 anos já leu mais de 500 livros: 'prazer de viajar sem sair do lugar' | Paraíba | G1 (globo.com)

1º lugar em Medicina na USP 2023 foi conquistada por jovem de Escola Pública da Paraíba

1º lugar em Medicina na USP 2023 foi conquistada por jovem de Escola Pública da Paraíba 

"Custei a acreditar quando vi meu nome no primeiro lugar geral do curso mais concorrido de uma das melhores faculdades do Brasil", diz a paraibana. 

Estudando por conta própria, Maria Clara Lira, de 17 anos, estudante do Instituto Federal da Paraíba (IFPB) no município de Cajazeiras (PB) classificou-se em primeiro lugar em medicina na USP (Universidade de São Paulo). A aprovação se deu por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM USP 2023). Fonte: Correio Braziliense.



terça-feira, 3 de maio de 2022

ESTUDO ATIVO & REPETIÇÃO ESPAÇADA

Os smartphones e seus apps são uma revolução tecnológica que transforma o homem e a sociedade, pois hoje temos na palma da mão e nas pontas dos dedos um maior acesso à informações e ao conhecimento. Através da internet temos acesso imediato a qualquer biblioteca do mundo, a vários sites, livros digitalizados, e-books além de milhares de arquivos em formato pdf, podcasts e vídeos ensinando quase tudo e numa velocidade absurda. Contudo, essa revolução tecnológica trouxe benefícios e prejuízos para a nossa aprendizagem, pois como transformar a mera informação e em conhecimento? Para responder a essas questões faz jus recorrermos à necessidade à Educação. Ora, apesar de todos os benefícios que a tecnologia pode oferecer ela também pode provocar muitos malefícios, prova disso é que a maior dificuldade de um estudante seja do ensino fundamental, médio ou superior é ter uma aprendizagem efetiva, manter a atenção, o foco, o dinamismo na aprendizagem por conta da concorrência cognitiva: disputa de atenção em meio a tantas informações, distrações que os apps e as redes sociais oferecem, dessa maneira tornando um desafio o hábito de estudos, enfim para que as informações sejam consolidadas em conhecimento é necessário conhecermos cada vez mais das metodologias de estudo ativo e repetição espaçada. Para tal fim, a estudante de medicina Rafaela Veloci em seu canal no YouTube, que conta com 27 mil inscritos, fez alguns vídeos, compartilhando essas metodologias e de algumas técnicas e dicas de como aprimorar o estudo ativo e a repetição espaçada, como ela aprende de forma mais eficaz de acordo com o que as pesquisas mostram ser a melhor forma de aprender. Que tal aprendermos com a experiência dela? Pegue papel e caneta para fazer as suas anotações e assista atenciosamente os vídeos abaixo:

Estudo ativo & repetição espaçada:


Qual é o melhor método de estudos para você? (memória visual, auditiva e cinestésica) 





segunda-feira, 21 de março de 2022

Estudante que sabe estudar

Estudante que sabe estudar 

Queridos(as) leitores(as),

segue abaixo um excelente vídeo sobre aprender a estudar do canal da Susane Ribeiro @susaneribeiro no YouTube. Pegue papel e caneta e anote! Confira abaixo: