quarta-feira, 24 de julho de 2019

Fim dos impostos sobre games pode ser votado pela CCJ nesta semana.





A CCJ pode votar nesta quarta-feira a PEC 51/2017, que inclui os jogos eletrônicos e consoles de video-games produzidos no Brasil na lista de produtos que contam com isenção tributária - como livros, CDs e DVDs.

A proposta recebeu voto favorável do relator, senador Telmário Mota (Pros-RR). Se for promulgada pelo Congresso Nacional, estados e municípios ficarão proibidos de impor taxação a esses produtos. A iniciativa partiu de sugestão legislativa encampada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Em sua justificação, argumenta-se que a alta carga tributária tem inviabilizado o crescimento daquele segmento, reivindicando-se a imunidade tributária como saída para impulsionar seu desenvolvimento.

A sugestão legislativa foi apresentada em 2017 no portal e-Cidadania teve quase 76 mil manifestações de apoio. São necessárias 20 mil para que uma ideia seja discutida pelos senadores.

Para Telmário, a PEC 51/2017 não evidencia privilégio para um setor econômico, “mas sim o aproveitamento de oportunidade real para o desenvolvimento dos jogos eletrônicos, com o incremento do emprego, dos lucros e também da arrecadação”.

“Estamos seguros de que a imunidade, embora tenha impacto sobre a arrecadação específica dos impostos dispensados, no contexto geral, vai promover um incremento de arrecadação de tal monta que o saldo será positivo para os entes federativos”, acrescentou o relator no parecer, exaltando, ainda, seu mérito em desferir um “golpe fatal” sobre a pirataria desses produtos.

Depois de passar pela CCJ, a proposta segue para dois turnos de discussão e votação no Plenário do Senado. 

#game #games #gamer #videogame #jogo #PraCegoVer 


PEC 51/2017

Autoria: Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, Senadora Marta Suplicy (MDB/SP), Senador Hélio José (PROS/DF), Senador Valdir Raupp (MDB/RO), Senadora Ângela Portela (PDT/RR), Senadora Fátima Bezerra (PT/RN), Senador Paulo Paim (PT/RS), Senadora Regina Sousa (PT/PI), Senador Lindbergh Farias (PT/RJ), Senador Paulo Rocha (PT/PA), Senador Acir Gurgacz (PDT/RO), Senador Eduardo Amorim (PSDB/SE), Senador José Medeiros (PODEMOS/MT), Senador Sérgio Petecão (PSD/AC), Senador Romário (PODEMOS/RJ), Senador Randolfe Rodrigues (REDE/AP), Senador Magno Malta (PL/ES), Senador Telmário Mota (PTB/RR), Senador Cidinho Santos (PL/MT), Senador Wellington Fagundes (PL/MT), Senador Elber Batalha (PSB/SE), Senador José Pimentel (PT/CE), Senador Romero Jucá (MDB/RR), Senador Armando Monteiro (PTB/PE), Senador Ataídes Oliveira (PSDB/TO), Senador Wilder Morais (PP/GO), Senador Vicentinho Alves (PL/TO), Senadora Lídice da Mata (PSB/BA)

Assunto: Econômico - Tributação.

Natureza: Norma Geral

Ementa: Acrescenta a alínea "f" ao inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, instituindo imunidade tributária sobre os consoles e jogos para videogames produzidos no Brasil

Explicação da Ementa: Decorrente de Ideia Legislativa do e-Cidadania, altera a Constituição Federal para vedar a instituição de impostos pela União, Estados e Municípios sobre consoles e jogos para videogames produzidos no Brasil.

FONTE: 

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/132049




segunda-feira, 17 de junho de 2019

A HISTÓRIA DOS PORCOS ESPINHOS Arthur Schopenhauer (Filósofo alemão)

A HISTÓRIA DOS PORCOS ESPINHOS Arthur Schopenhauer (Filósofo alemão) 
  
Há milhões de anos durante a era glacial, quando parte do nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram por não se adaptarem às condições. Os porcos-espinhos percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de um companheiro feriam o que estava mais próximo, justamente aquele que mais oferecia calor. Por isto, decidiram afastar-se uns dos outros; e começaram de novo a morrer congelados. Então precisaram fazer uma escolha ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.  Com sabedoria decidiram ficar juntos. Aprenderam assim a conviver mantendo uma distância ideal, nem muito perto para se espetar, nem muito distante para não perder o calor e também, a suportar pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro. E assim, sobreviveram à longa era glacial. 

Moral: O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele em que as pessoas aprendem a conviver com os defeitos do outro e valorizar suas qualidades.  Relacionamo-nos com amigos, parentes, colegas de trabalho familiares... Cada relacionamento com a devida distância, com algumas pessoas podemos nos aproximar mais e trocamos confidências, com outras, apenas cumprimentamo-nos. Às vezes nos sentimos solitários, outras sentimos que é necessário tirar um tempo só para nós. Quando nos aproximamos muito, às vezes esquecemos de respeitar o espaço das outras  pessoas, e, às vezes, quando dependemos muito dos outros, perdemos a nossa independência. É por isso que precisamos do nosso espaço. 

sábado, 15 de junho de 2019

Decisão da OIT de manter Brasil na lista de países que violam convenções internacionais pode impactar negativamente na economia

Decisão da OIT de manter Brasil na lista de países que violam convenções internacionais pode impactar negativamente na economia

Comissão de Normas da OIT inicia, neste sábado (15/6), análise sobre a permanência definitiva do país no rol

Turquia, Etiópia, Iraque, Líbia, Myanmar, Nicarágua, Tajiquistão, Uruguai, Iêmen, Zimbábue, Argélia, Bielorrúsia, Bolívia, Cabo Verde, Egito, El Salvador, Fiji, Honduras, Índia, Cazaquistão, Laos, Filipinas e Sérvia. Ao lado desse rol de nações com baixíssimo índice de desenvolvimento humano - métrica da ONU para avaliar o progresso dos países com base em três dimensões: saúde, educação e renda - está o Brasil. Os 24 países integram a “lista curta” da Organização Internacional do Trabalho (OIT) por violação a convenções internacionais ratificadas.

Neste sábado (15/6), a Comissão de Aplicação de Normas Internacionais do Trabalho, reunida na 108ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, analisará a permanência definitiva do Brasil na lista.  Para os peritos da OIT, a Lei 13.467/2017 (reforma trabalhista) fere a Convenção 98 da OIT, que trata da aplicação dos princípios do direito de organização e de negociação coletiva, da qual o Brasil é signatário desde 1952, ano em que foi promulgado Decreto Legislativo específico.
Para a presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), juíza Noemia Porto, o fato de o Brasil constar na “lista curta” expõe a falta de dignidade no mundo do trabalho, podendo ter reflexos negativos na economia brasileira. “A imagem do Brasil como um país que viola direitos trabalhistas pode impactar nas relações comerciais internacionais. Muitos países levam as normas da OIT muito a sério, podendo se negar a comercializar com o Brasil”, alerta.
A magistrada também falou de sua preocupação com os impactos da Lei 13.467/2017 no acesso à Justiça, “gerando a falsa impressão de que os conflitos diminuíram, mas, na verdade, permanecem fora dos olhos da Justiça’’. Na avaliação da presidente da Anamatra, a reforma trabalhista deixou o trabalhador à margem de um amparo técnico-jurídico, em um fenômeno de desfiliação social, além de ter estimulado contratações atípicas, como a pejotização e o trabalho intermitente, “causando o empobrecimento do salário”. Isso impacta também, explica a presidente, no sistema de Previdência Social, que vem sendo alvo do Governo Federal por um suposto deficit em suas contas, um dos principais argumentos utilizados para a aprovação da “Nova Previdência”, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 6/2019, que atinge o caráter público dos benefícios, entres outros vários problemas, prejudicando milhões de trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos.
As ponderações da presidente constam na nota técnica da Anamatra, entregue, durante a 108ª Conferência, ao diretor-geral da OIT, Guy Rider, com um balanço dos 18 meses de vigência da Lei 13.467/2017, que fez mais de 200 mudanças em 117 artigos da CLT. O estudo da entidade aborda diversos temas do relatório dos peritos da OIT. No tocante às negociações coletivas, a Anamatra assinala que houve a redução em 45,2% no número de Convenções Coletivas de Trabalho e de 34% dos Acordos Coletivos de Trabalho, representando uma redução média de 39,6% de negociações coletivas. O documento também aponta que a Lei não atenuou o quadro de desigualdade social no Brasil; precarizou as formas de contratação de trabalhadores como intermitentes ou autônomos; restringiu o acesso à Justiça, com 34% a menos de ações, o que também diminuiu a arrecadação de custas e contribuições previdenciárias. Clique aqui e confira a íntegra do documento.
Liberdade de associação e trabalho decente - A juíza Luciana Conforti, diretora de Formação e Cultura da Anamatra, acompanha a 108ª Conferência, em Genebra, e participou, nessa quinta (13/6), de um fórum temático sobre liberdade sindical, realizado durante o evento. Nas discussões, representantes de governos, trabalhadores, empregadores e organizações internacionais apontaram que a liberdade de associação e a de negociação coletiva – valores fundamentais da OIT e objetos de convenções internacionais– são os alicerces do trabalho decente.
“As queixas das entidades sindicais brasileiras, sobre o abalo trazido pela reforma trabalhista à estrutura organizacional sindical, com o fim da contribuição obrigatória e à própria autonomia das negociações coletivas, com questionamentos sobre o desconto em folha dessa contribuição, têm despertado o interesse de outros países na discussão do ‘Caso Brasil’ na Conferência Internacional”, relata Conforti.
Segundo a Declaração da OIT sobre os Princípios Fundamentais no Trabalho, adotada em 1988, garantias como a liberdade sindical e de negociação coletiva, entre outras, têm como objetivo de “manter o vínculo entre progresso social e crescimento econômico, revestindo-se de especial significado ao assegurar aos próprios interessados a possibilidade de reivindicar livremente e em igualdade de oportunidades uma participação justa na riqueza para a qual têm contribuído para gerar, assim como a de desenvolver plenamente seu potencial humano”.

Reportagem Viviane Dias Maciel. Disponível em Acesso 15 de Jun 2019 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Conheça melhor o Positivismo da República e da sociedade brasileira!

Conheça melhor o Positivismo da República e da sociedade brasileira!

Ideólogo de um sistema social e político que transplantasse do espaço a mesma ordem cósmica heliocêntrica (Sol no Centro do Universo organizando tudo os seus satélites subordinados), o filósofo francês Augusto Comte, fundou um novo sistema sociológico.

Positivismo e seu principal lema: amor por princípio, ordem por base e progresso por fim.

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Harmonia na Terra entra as classes sociais como vitais para o progresso humano. Ordem e Progresso, para ficar bem atual com o mantra republicano do Marechal Deodoro até Temer -expresso na 
Bandeira Nacional.

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Dividindo a Humanidade em três fases ou estados sociais e ideológicas como prática de governo: 
Teológico (forte da presença religiosa em Deus e da monarquia absoluta no poder político), Metafísico (presença forte dos filósofos e dos parlamentares) e Positivista 
(governo dominado por sociólogos e por técnicos-burocratas científicos na ditadura republicana da ciência), Comte definia a ditadura republicana como o mais perfeito dos governos.

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Mesmo um sistema político-ideológico do Século XIX, o Positivismo ainda está presente muito fortemente no Brasil do Século XXI.
A bandeira do Brasil tem lá o dístico Ordem e Progresso. Os políticos diversos falam em harmonia das classes sociais, dentro de um pacto corporativista como fez Getúlio Vargas em seus governos.
As ciências humanas e filosóficas são muito valorizadas, as relações sociais tensas e a extrema esquerda é sempre duramente combatida em nome da manutenção da ordem social em busca do progresso de todos.

Há uma frase lapidar de Comte, que traduz o que seja o espírito ideológico e social do seu Positivismo:

"Os mortos cada vez mais governam os vivos", querendo dizer da importância da história e dos fatos do passados na construção da ordem e do progresso futuros.

É o Positivismo mais vivo do que nunca!

Disponível em Acesso 19 Mai 2019.

domingo, 19 de maio de 2019

Resenha Crítica do Filme O Júri (Runaway Jury. Dir. Gary Fleder. EUA, 2003)


Baseado no livro The Runaway Jury de John Grisham, o filme é dirigido e produzido por Gary Fleder, que aborda a formação do tribunal do Júri americano enfatizando a ética jurídica envolvida em todo esse processo. Relata também como é simples e sem dificuldade a comercialização de armas na população norte-americana e os danos irreparáveis que essa comercialização causa a diversas famílias. O filme é marcado por corrupção, manipulação e sabotagem.
O filme dá início com o assassinato de Jacob Wood, corretor de uma grande empresa americana e pai de família, em seu próprio ambiente de trabalho, onde um ex-funcionário que havia sido despedido três dias antes, adentrou ao local onde carregou o cartucho de 36 tiros de sua Performa 990 semiautomática, e quando chega ao terceiro andar atira contra seus ex-colegas matando onze e ferindo gravemente cinco, atirando em seguida contra si mesmo.
Após dois anos a viúva do gerente, Celeste Wood, entra com um processo contra a indústria Vicksburg Firearms que fabricou a arma que fora usada no assassinato, por acreditar que esta era responsável indiretamente pelo assassinato de seu marido, vez que facilitava a venda de seus produtos expandindo o acesso a armas de fogo.
O caso é levado a júri onde a viúva é representada por Wendall Rohr, um advogado honesto e idealista que acredita ser a ética a direção certa para o sucesso da causa. Do outro lado, representando a indústria de armas, tem-se o advogado Durwood Cable juntamente com o famoso e desonesto consultor de júri Rankin Fitch que vai fundo no caso, usando meios ilegais e coordenando uma equipe para fazer uma investigação sobre a vida dos prováveis jurados usando grampos e perfis psicológicos a fim de selecionar aqueles que compõem um júri mais favorável a seu cliente.
Entretanto essa mesma indústria de armas já havia sido processada e levada a júri há alguns anos pela cidade de Gardner, devido a um tiroteio na escola provocado por um aluno chamado James Pratt. O garoto adentrou na escola com armas que havia comprado sem dificuldade alguma, e saiu atirando ocasionando a morte de vários alunos. A cidade processou, perdeu e faliu, sendo Rankin Fitch o responsável, vez que comprou o veredicto.
No entanto, o que Wendall Rohr e Rankin Fitch não sabiam é que Nick Easter, jurado número 9 que mostra ter um grande poder de persuasão para influenciar o julgamento, tinha uma grande motivação para estar ali. Juntamente com sua namorada Marlee, eles programam todo um esquema para manipular o corpo de jurados, chantageando os dois lados do processo.
Fitch, desconfiando de Nick, manda revirar o local onde ele mora a fim de encontrar alguma prova de que ele está realmente controlando o corpo de jurados, o que fica de fato comprovado, porém, Fitch não comunica ao juiz, pois tem a intenção de comprar o veredicto.
Marlee marca um encontro primeiramente com Fitch e depois com Rohr onde faz a proposta para ambos de dez milhões de euros pela compra do veredicto. Fitch se recusa a pagar a proposta preferindo ter Marlee como uma inimiga. Já Rohr, entra em conflito com sua consciência, ficando em dúvida se é melhor violar a ética pagando e ganhando a causa, ou agir com honestidade mantendo-se fiel à lei com grande risco de perder.
No depoimento do dono da indústria de armas, Sr. Jankle, afirma se apoiar na 2ª Emenda Constitucional onde permite que cada cidadão tenha posse e porte de armas, porém, no decorrer do depoimento com as perguntas feitas por Rohr, ele acaba se alterando e consequentemente se prejudicando.

CORREA, Aline dos Santos. Resenha crítica do filme O Júri (Runaway Jury. Dir. Gary Fleder. EUA, 2003). Disponível em Acesso 17 de Maio de 2019.


sábado, 18 de maio de 2019

A importância do pensamento crítico para a compreensão das mudanças na sociedade contemporânea

A então Diretora-Geral da UNESCO, Irina Bokova, em 2014, transmitiu a seguinte mensagem, a propósito do Dia Mundial da Filosofia: "a importância do pensamento crítico para a compreensão das mudanças na sociedade contemporânea." A mudança força-nos a encontrar novas formas de conviver e construir sociedades mais justas, mas também pode corroer a confiança e provocar tensão. 

A UNESCO sempre enfatiza a importância do ensino da Filosofia em todas as sociedades no que concerne à abertura do diálogo intercultural entre as Nações, de modo a formar cidadãos para uma sociedade democrática, crítica, onde a liberdade de expressão seja uma realidade. Pretende-se, também, a partilha de sistemas filosóficos que promovam a paz, a justiça, que coloquem em questão os dogmas e promovam a reflexão e a cidadania. 



Sócrates - Nueva Acrópolis Málaga encuentro para celebrar el Día Mundial da Filosofia. Disponível em Acesso 18/5/2019.

Sócrates vai pelas ruas de Atenas, interpelando aqueles que encontra pelo caminho: "Conhece-te a ti mesmo!" Não te preocupes com as riquezas, procura a verdade e torna-te filósofo! Isto não é do agrado dos Atenienses. No final de um processo, Sócrates é condenado a beber cicuta (veneno). Irá ele fugir? Deverá um filósofo temer a morte? 


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Carta Aberta ao Presidente Bolsonaro sobre os pronunciamentos acerca da Filosofia e da Sociologia - Open Letter Regarding President Bolsonaro’s Recent Pronouncements on Defunding Philosophy and Sociology

Carta Aberta ao Presidente Bolsonaro sobre os pronunciamentos acerca da Filosofia e da Sociologia

Após publicar em seu twitter que o Ministério da Educação (MEC) "descentralizará investimentos nas faculdades de Filosofia e Sociologia no Brasil" com a finalidade de "focar em áreas (veterinária, engenharia e medicina) que gerem retorno imediato ao contribuinte". Dessa forma, o presidente Jair Bolsonaro gerou uma polêmica internacional pelas suas declarações e diversos protestos e uma Carta Aberta ao Presidente Bolsonaro assinada por centenas de professores universitários (PHd's, Dr., Me. e Teachers) de Filosofia e Sociologia e de diversas áreas dos conhecimento dentro das grandes Universidades norte-americanas e de vários países da Europa, enfim de todos os continentes. A polêmica não é em razão da redução dos investimentos na área de humanas, mas sim pelas suas justificativas "a função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte", como se os investimentos nessas áreas não fosse algo rentável para a nação, continua "ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta (...)" como se a Filosofia e a Sociologia enquanto ciência humana, não tivesse utilidade para a construção do conhecimento humano. Confira as postagens abaixo:



Open Letter Regarding President Bolsonaro’s Recent Pronouncements on Defunding Philosophy and Sociology



We, the undersigned academics around the world, would like to express our alarm and concern about President Bolsonaro’s recent claims that he is planning to defund Philosophy and Sociology (and possibly other areas in the Humanities and social sciences). Brazilian public universities have produced internationally recognized major research in both of these areas. Philosophy and Sociology are fundamental disciplines of any modern university, and, given the interdisciplinary nature of the university, defunding them will affect not only research in these specific areas, but also the reputation, and the quality of research and teaching, of Brazilian universities across all areas. In fact, it is ironic that Philosophy is singled out in this respect, as philosophers in Brazil were among the pioneers of paraconsistent logic, a research program that has had impact in such diverse areas as robotics and expert systems for medical diagnosis.

President Bolsonaro implies in his remarks that public funding should flow exclusively to professional schools. These are certainly important programs. However, a democratic society depends not only on its commercial productive output, but also on its social institutions, its understanding of their foundations and governing principles, as well as its understanding of how these policies and institutions affect its population. Research in social sciences and humanities, and especially Philosophy and Sociology, is vital to such an understanding. The contribution of academics to public debates is also of crucial importance to a well functioning democracy.

Students taking courses in these areas learn to think critically about their conditions, and the broader condition of the society and the world around them. But also the wider public and Brazilian society benefit from the intellectual expertise from philosophers and sociologists.

Thus an attack on Philosophy and Sociology, as well as the humanities and social sciences more generally, is an attack on the very fabric of a democratic society. We call on the Bolsonaro government to reconsider such proposals, and we call on all citizens of Brazil to join us in preserving public support of the social sciences and humanities in Brazil.
http://dailynous.com/2019/04/30/open-letter-regarding-president-bolsonaros-recent-pronouncements-defunding-philosophy-sociology/



segunda-feira, 15 de abril de 2019

Inteligência Emocional: Como Equilibrar Razão e Emoção?

Por Natália Ceará*

Nosso cérebro é dividido em hemisfério esquerdo e direito. Para entender melhor o que você lerá nesse artigo, é interessante saber primeiramente,  que o hemisfério esquerdo é, predominantemente, focado em nossas habilidades de cálculo, raciocínio lógico e matemático, entre outras funções (mais ligadas ao intelecto e lado racional das tomadas de decisão e pensamentos). Já o lado direito é, também de maneira predominante, focado em nossos sentimentos/emoções, responsável por nossa criatividade, pela linguagem, desenvolvimento de novas habilidades (artísticas, por exemplo) e de relacionar-se. Portanto, precisamos desenvolver ao longo da vida ambos hemisférios, para que nossa inteligência emocional alcance níveis mais elevados e adequados à nossa maturidade e crescimento pessoal e profissional.




O que é a Inteligência Emocional?

Segundo Daniel Goleman, Inteligência Emocional é “a capacidade de reconhecer nossos sentimentos e os das outras pessoas, de maneira a nos motivarmos a poder lidar adequadamente com as nossas emoções, tanto em relação a nós mesmos quanto às pessoas com as quais nos relacionamos.”
“É uma forma diferente de inteligência, composta principalmente de autoconhecimento, habilidade social e capacidade de perceber sentimentos alheios.”

Sim, a empatia é um dos fatores de maior importância para nosso coeficiente de inteligência emocional. E é bem diferente de apenas reconhecer o que outro sente, é mais como um “sentir junto com a pessoa”.

E como as emoções podem ser definidas?

Alguns estudiosos chegaram a uma definição:

-Emoção é um complexo estado de sentimentos, com componentes somáticos, psíquicos e comportamentais, relacionados ao afeto e humor. (Kaplan e Sadock, 1993).
-Todas as emoções são, em essência, impulsos, legados pela evolução, para uma ação imediata, para planejamentos instantâneos que visam lidar com a vida.

Inteligência Emocional no homem e na mulher:

Segundo o artigo “Inteligência Emocional: Cérebro masculino versus cérebro feminino”, de um portal de psicologia de Portugal:

“Um grupo de cientistas da Johns Hopkins University fez um estudo no qual descobriram que existe uma região no córtex chamado lóbulo ínfero-parietal (LIP). Essa estrutura é maior nos homens do que nas mulheres. (…) Também descobriram que, nos homens, o lado esquerdo do LIP é maior do que no lado direito, o que os leva a ter maior tendência em habilidades matemáticas. Esta é a mesma área que foi demonstrada ser maior no cérebro de Albert Einstein e de outros físicos e matemáticos”.
No mesmo artigo, Jill M. Goldstein e colegas (da faculdade de Medicina de Harvard) são citados em sua pesquisa, onde utilizaram a ressonância magnética para medir área corticais e sub-corticais em mulheres. Os pesquisadores descobriram que determinadas partes do córtex frontal (envolvido em funções cognitivas muito importantes) são proporcionalmente mais volumosas em mulheres do que em homens, assim como partes do córtex límbico (sistema responsável pela regulação e compreensão das emoções). (…) Um outro estudo demonstrou que a área de Broca e Wernicke (áreas do cérebro que controlam a linguagem), eram respectivamente 20% e 18% maiores nas mulheres.

Na Universidade de Yale descobriram que o cérebro das mulheres processa a linguagem simultaneamente nos dois hemisférios, enquanto que os homens tendem a processá-la com mais frequência no hemisfério esquerdo (focado no racional e na lógica, como vimos no início do artigo). É importante ressaltar que não há maneira melhor ou pior, nem correta ou errada de processar as informações e situações que vivenciamos. São apenas diferentes!
Portanto, homens e mulheres processam fatos e situações tanto emocionalmente quanto racionalmente, contudo, no homem, predomina-se o raciocínio lógico e racional, o que não quer dizer que não consigam sentir e se emocionar, porém, que processam e demonstram seu lado emotivo de maneira diferente e tardia, até mesmo pelas convenções culturais que perduraram e ainda têm certa força nos dias de hoje.
Já a mulher, processa as diferentes situações tanto racional quanto emocionalmente ao mesmo tempo, tendo que lidar com a razão e a emoção de maneira simultânea. Os estudos apontam  que, o que sentem a respeito de algo parece prevalecer ao que pensam com relação a mesma coisa.
A boa notícia é que ambos evoluem conforme o tempo e o amadurecimento, e com isso as habilidades ligadas à inteligência emocional podem melhorar em ambos sexos!

Razão X Emoção:

O Q.I. não assegura prosperidade, prestigio ou felicidade. O que parece importar mais é como a pessoa reage às vicissitudes da vida. Quem lida bem com os próprios sentimentos e com os dos outros, tem maior probabilidade de sentir-se satisfeito e ser eficiente.
Harvard: acompanhou-se 95 estudantes (classes da década de 40): os que obtiveram melhores notas não foram os mais bem sucedidos na meia idade (salário, produtividade, status, relacionamento afetivo, amigos e família) . Estes não se sentiam felizes ou satisfeitos. (Pesquisa Harvard capitulo 3 – Inteligência Emocional – Daniel Goleman)

O “sequestro emocional”:

-Temos duas mentes: a que raciocina e a que sente;
-Em muitas ocasiões, nossos impulsos emocionais dominam nossa razão;
-Como uma espécie de alarme: reagimos e só depois raciocinamos e percebemos com maior nitidez o que fizemos ou falamos;
-O problema é que muitas vezes nossas reações emocionais são inadequadas, ou seja, somos sequestrados por nosso emocional, que não nos permite, em todas as ocasiões, pensar e raciocinar antes de tomar uma decisão e agir.

Fatores que contribuem para a Inteligência Emocional:

Auto-conhecimento: 
Saber reconhecer um sentimento enquanto ele ocorre, tomando consciência das suas emoções;

Controle emocional:
Capacidade de lidar com as próprias emoções, adequando-se a cada situação;

Automotivação:
Dirigir emoções para objetivos determinados;

Empatia:
Saber reconhecer as emoções nas outras pessoas, tal como se estivesse sentindo-as igualmente;

Habilidades nos relacionamentos interpessoais.

Habilidade de compreender os outros; a maneira de como aceitar e conviver com o outro.




“Conhece-te a ti mesmo” – Um breve conto:

Um guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno, contudo, o monge respondeu-lhe com desprezo:
– Não passas de um rústico… Não vou desperdiçar meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria e, sacando a espada, berrou:
– Eu poderia te matar por tua impertinência!!!
– Isso – respondeu o monge calmamente – é o inferno.
Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação.
– E isso – disse o monge – é o céu.
Podemos aperfeiçoar a nossa Inteligência Emocional?
O ideal é que a Inteligência Emocional seja desenvolvida logo a partir da infância. No entanto, é possível ser aperfeiçoada durante toda a vida, inclusive na idade adulta.
Identificando suas principais “falhas” emocionais, você poderá aprender a ser um melhor ouvinte ou a controlar suas emoções não só a seu favor, mas também preservando e respeitando os que estão a sua volta.
     

Referências:

Daniel Goleman. Inteligência Emocional. (Livro).
Armanda Vieira, Joana Isabel Moreira e Rita Morgadinho. Inteligência Emocional: Cérebro masculino versus cérebro feminino. Ano: 2008. (Artigo)

*Natália Ceará - Bem Viver Mais. Disponível em Acesso 15 Abr. 2019.

domingo, 14 de abril de 2019

Discurso sobre a Dignidade do Homem de Pico della Mirandola e O Bicho de Manuel Bandeira


Trecho 1

Discurso sobre a Dignidade do Homem De hominis dignitate oratio (Extracto de Pico della Mirandola)

"Adão, não te atribuímos nem lugar certo, nem aparência que te seja própria, nem alguma função específica, para que detenhas e explores aquele lugar, aparência e função que com segurança tenhas preferido, segundo tua escolha e decisão. A natureza limitada de todas as outras coisas está restringida por leis prescritas por nós. Tu, por nenhuma restrição limitado, por teu próprio arbítrio, em cuja mão eu te pus, determinarás a tua natureza. [...] Não te fizemos nem celestial nem terreno, mortal nem imortal, para que, de ti próprio, erijas, como um escultor ou narrador livre e honrado, em segurança, a forma que preferires."

MIRANDOLA, Pico della. Discurso sobre a dignidade humana. ß 5, 18-22. (Tradução do original em latim).

Trecho 2


O Bicho (de Manuel Bandeira)
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem
Manuel Bandeira
Rio, 27 de dezembro de 1947.

Manuel Bandeira. Estrela da Vida Inteira.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993

(20ª ed.), pp. 201-202 e 222.


QUESTÃO 01. A partir da leitura dos trechos acima e considerando outros conhecimentos sobre o assunto, REDIJA um texto, identificando a característica que fundamenta a ideia de dignidade humana.

A Truta - Crônica de Luís Fernando Veríssimo


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A Truta 

Por Luís Fernando Veríssimo* 


O homem pediu truta e o garçom perguntou se ele não gostaria de escolher uma pessoalmente.
- Como, escolher?
- No nosso viveiro. O senhor pode escolher a truta que quiser. 
Ele não tinha visto o viveiro ao entrar no restaurante. Foi atrás do garçom. 
As trutas davam voltas e voltas dentro do aquário, como num cortejo. Algumas paravam por instante e ficavam olhando através do vidro, depois retomavam o cortejo. E o homem se viu encarando, olho no olho, uma truta que estacionara com a boca encostada no vidro à sua frente.
- Essa está bonita... disse o garçom.
- Eu não sabia que se podia escolher. Pensei que elas já estivessem mortas.
- Não, nossas trutas são mortas na hora. Da água direto para a panela. 
A truta continuava parada contra o vidro, olhando para o homem.
- Vai essa, doutor? Ela parece que está pedindo... 
Mas o olhar da truta não era de quem queria ir direto para uma panela. Ela parecia examinar o homem. Parecia estar calculando a possibilidade de um diálogo. Estranho, pensou o homem. Nunca tive que tomar uma decisão assim. Decidir um destino, decidir entre a vida e a morte. 
Não era como no supermercado, em que os bichos já estavam mortos e a responsabilidade não era sua - pelo menos não diretamente. Você podia comê-los sem remorso. Havia toda uma engrenagem montada para afastar você do remorso. As galinhas vinham já esquartejadas, suas partes acondicionadas em bandejas congeladas, nada mais distante da sua responsabilidade. Os peixes jaziam expostos no gelo, com os olhos abertos mas sem vida. Exatamente, olhos de peixe morto. Mas você não decretara a morte deles. Claro, era com sua aprovação tácita que bovinos, ovinos, suínos, caprinos, galinhas e peixes eram assassinados para lhe dar de comer. Mas você não estava presente no ato, não escolhia a vítima, não dava a ordem. Não via o sangue. De certa maneira, pensou o homem, vivi sempre assim, protegido das entranhas do mundo. Sem precisar me comprometer. Sem encarar as vítimas. Mas agora era preciso escolher.
- Vai essa, doutor? 
- insistiu o garçom.
- Não sei. Eu...
- Acho que foi ela que escolheu o senhor. Olha aí, ficou paradinha. Só faltando dizer ''Me come''.
O homem desejou que a truta deixasse de encará-lo e voltasse ao carrossel junto com as outras. Ou que pelo menos desviasse o olhar. Mas a truta continuava a fitá-lo. Ele estava delirando ou aquele olhar era de desafio?
- Vamos - estava dizendo a truta. - Pelo menos uma vez na vida, seja decidido. Me escolha e me condene à morte, ou me deixe viver. A decisão é sua. Eu não decido nada. Sou apenas um peixe, com cérebro de peixe. Não escolhi estar neste tanque. Não posso decidir a minha vida, ou a de ninguém. Mas você pode. A minha e a sua. Você é um ser humano, um ente moral, com discernimento e consciência. Até agora foi um protegido, um desobrigado, um isento da vida. Mas chegou a hora de se comprometer. Você tem uma biografia para decidir. A minha. Agora. Depois pode decidir a sua, se gostar da experiência. O que não pode é continuar se escondendo da vida, e....
- Vai essa mesmo, doutor? - quis saber o garçom, já com a rede na mão para pegar a truta.
- Não - disse o homem. 
- Mudei de ideia. Vou pedir outra coisa. E de volta na mesa, depois de reexaminar o cardápio, perguntou:
- Esses camarões estão vivos?
- Não, doutor. Os camarões estão mortos.
Pode trazer. 

*Escritor. 
Crônica publicada no jornal O Globo, 23/08/2009 e posta no IHU, 24/08/2009.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Dever de casa n°2 - 9°Ano EF


COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS
SÉRIE: 9° ANO ENSINO FUNDAMENTAL
PROF. LEONARDO OLIVEIRA DE VASCONCELOS
DISCIPLINA: FILOSOFIA
ATIVIDADE: DEVER DE CASA – N°2

Responda em seu caderno.

QUESTÃO 1. Aponte os modos de viver a vida segundo Kierkegaard.
QUESTÃO 2. Explique por que o desespero está inserido na vida estética.
QUESTÃO 3. Diferencie a vida estética da vida ética.
QUESTÃO 4. Leia o trecho bíblico retirado do Evangelho de São Marcos a seguir:
"Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo Evangelho salva-la-á! Portanto, de que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? (Marcos, 8, 35-36).
Explique essa frase à luz das ideias de Kierkegaard.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

9°EF - DEVER DE CASA - N°1


COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO
UNIDADE CIDADE NOVA - BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS
SÉRIE: 9° ANO ENSINO FUNDAMENTAL
DISCIPLINA: FILOSOFIA
ATIVIDADE: DEVER DE CASA – N°1

Responda em seu caderno.

QUESTÃO 1. Explique qual deve ser a principal preocupação da Filosofia para Sören Kierkegaard.
QUESTÃO 2. Explique o que é o Existencialismo.
QUESTÃO 3. Pesquise e responda o que é o idealismo proposto por Georg W. Friedrich Hegel (1770-1831)?
QUESTÃO 4. O que o filósofo Georg W. Friedrich Hegel (1770-1831) entende por Dialética? Explique.
QUESTÃO 4. Diferencie a dialética do filósofo grego Heráclito (535-475 a.C.) da dialética do filósofo alemão Hegel (1770-1831).
QUESTÃO 5.
Suponha que você esteja lendo um livro policial e que, a cada página, receba uma informação importante sobre o caso que está sendo investigado. Aos poucos, você vai identificando os personagens envolvidos, relacionando os fatos, as ações e as afirmações, até que, nas últimas páginas, descobre tudo. Você descobre quem é o criminoso e quais foram os motivos que o levaram a cometer o crime. Enfim, com a revelação do caso, você compreende o livro de modo mais completo, percebendo a relação entre suas partes.
Podemos comparar o seu processo de compreensão global da narrativa policial com a ideia de Hegel sobre a atividade do Espírito, desenvolvida na obra Fenomenologia do Espírito. Para Hegel, o Espírito Absoluto (ou Razão Absoluta) não se apresenta de uma vez e em sua totalidade à consciência humana. É só gradualmente que o ser humano vai avançando na compreensão do Espírito.”
Com base no trecho acima, explique o que é Espírito Absoluto Hegeliano.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Texto: Qual é o Problema? de Stephen Kanitz

Qual é o Problema? 

O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para os problemas errados.

Um dos maiores choques de minha vida foi na noite anterior ao meu primeiro dia de pós-graduação em administração.


Havia sido um dos quatro brasileiros escolhidos naquele ano, e todos nós acreditávamos, ingenuamente, que o difícil fora ter entrado em Harvard, e que o mestrado em si seria sopa.

Ledo engano.

Tínhamos de resolver naquela noite três estudos de caso de oitenta páginas cada um.

O estudo de caso era uma novidade para mim.

Lá não há aulas de inauguração, na qual o professor diz quem ele é e o que ensinará durante o ano, matando assim o primeiro dia de aula.

Essas informações podem ser dadas antes.

Aliás, a carta em que me avisaram que fora aceito como aluno veio acompanhada de dois livros para ser lidos antes do início das aulas.

O primeiro caso a ser resolvido naquela noite era de marketing, em que a empresa gastava boas somas em propaganda, mas as vendas caíam ano após ano.

Havia comentários detalhados de cada diretor da companhia, um culpando o outro, e o caso terminava com uma análise do presidente sobre a situação.

O caso terminava ali, e ponto final.

Foi quando percebi que estava faltando algo.

Algo que nunca tinha me ocorrido nos dezoito anos de estudos no Brasil.

Não havia nenhuma pergunta do professor a responder.

O que nós teríamos de fazer com aquele amontoado de palavras?

Eu, como meus outros colegas brasileiros, esperava perguntas do tipo “Deve o presidente mudar de agência de propaganda ou demitir seu diretor de marketing?”

Afinal, estávamos todos acostumados com testes de vestibular e perguntas do tipo “Quem descobriu o Brasil?”.

Harvard queria justamente o contrário.

Queria que nós descobríssemos as perguntas que precisam ser respondidas ao longo da vida.

Uma reviravolta e tanto. Eu estava acostumado a professores que insistiam em que decorássemos as perguntas que provavelmente iriam cair no vestibular.

Adorei esse novo método de ensino, e quando voltei para dar aulas na Universidade de São Paulo, trinta anos atrás, acabei implantando o método de estudo de casos em minhas aulas.

Para minha surpresa, a reação da classe foi a pior possível.

“Professor, qual é a pergunta?”, perguntavam-me.

E, quando eu respondia que essa era justamente a primeira pergunta a que teriam de responder, a revolta era geral:
“Como vamos resolver uma questão que não foi sequer formulada?”.

Temos um ensino no Brasil voltado para perguntas prontas e definidas, por uma razão muito simples: é mais fácil para o aluno e também para o professor.

O professor é visto como um sábio, um intelectual, alguém que tem solução para tudo. E com o tempo os alunos acreditam.

E os alunos, por comodismo, querem ter as perguntas feitas, como no vestibular.

Nossos alunos estão sendo levados a uma falsa consciência, o mito de que todas as questões do mundo já foram formuladas e solucionadas.

O objetivo das aulas passa a ser apresentá-las, e a obrigação dos alunos é repeti-las na prova final.

Em seu primeiro dia de trabalho você vai descobrir que seu patrão não lhe perguntará quem descobriu o Brasil e não lhe pagará um salário por isso no fim do mês.

Nem vai lhe pedir para resolver “4/2 = ?”. Em toda a minha vida profissional nunca encontrei um quadrado perfeito, muito menos uma divisão perfeita, os números da vida sempre terminam com longas casas decimais.

Seu patrão vai querer saber de você quais são os problemas que precisam ser resolvidos em sua área. Bons administradores são aqueles que fazem as melhores perguntas, e não os que repetem suas melhores aulas.

Uma famosa professora de filosofia me disse recentemente que não existem mais perguntas a ser feitas, depois de Aristóteles e Platão.

Talvez por isso não encontramos solução para os inúmeros problemas brasileiros de hoje.

O maior erro que se pode cometer na vida é procurar soluções certas para os problemas errados.

Em minha experiência e na da maioria das pessoas que trabalham no dia-a-dia, uma vez definido qual é o verdadeiro problema, o que não é fácil, a solução não demora muito a ser encontrada.

Se você pretende ser útil na vida, aprenda a fazer boas perguntas mais do que sair arrogantemente ditando respostas. Se você ainda é um estudante, lembre-se de que não são as respostas que são importantes na vida, são as perguntas.

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Editora Abril, Revista Veja, edição 1898, ano 38, nº 13, 30 de março de 2005, página 18. Stephen Kanitz. http://blog.kanitz.com.br/problema

Administração - Instituição que a maioria das civilizações cria para promover a eficiência, economia de recursos, continuidade dos projetos sociais e cooperação humana.
Implica na criação de instituições de ensino, pesquisa, jornalismo administrativo, literatura nacional e autônoma de conhecimentos básicos de administração para todas as outras profissões, via o MBA.
No Brasil, a lei 7098 de 1945 obrigou o fechamento de todas as Faculdades de Administração, artigo 9, razão pela qual não criamos a Instituição Administração, somente as Instituições Justiça, República, Cultura, etc.


Vestibular - Mecanismo que universidades públicas usam para ensinar os mais inteligentes da sociedade, que aprenderiam melhor por si só.

Intelectual - Aqueles que definem sociedades entre os Inteligentes, eles, e os Burros, a maioria. Eles não admitem, mas os taxistas que levam suas filhas para a escola usam o intelecto, mais do que eles.

Administrador - Classe social cuja missão é realizar os sonhos dos outros. 
Antônimo: Empreendedor, Empresário classe social cuja missão é realizar somente seus próprios sonhos.

Pensamentos

"Conhece a ti mesmo." Sócrates --"A linguagem é a morada do Ser." Heráclito -- "O homem é a medida de todas as coisas." Protágoras -- " Penso, logo existo. " René Descartes -- " O Mundo é minha representação sobre ele. " Artur Schopenhauer -- " Ai ai, o tempo dos pensadores parece ter passado! " Soren Kierkaard -- "Sobre aquilo que não pode ser dito deve se calar.” Ludwig Wittgenstein -- "O Ser é um horizonte de possibilidades." Martin Heidegger -- "A essência precede a existência." Jean Paul Sartre -- " A esperança floresce senão sobre o solo do desespero. " Gabriel Marcel "A razão e a sabedori falam. O Erro e a ignorância gritam." Sto. Agostinho "A melhor lição é o exemplo." Sto. Agostinho