quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

INTRODUÇÃO À SOCIOLOGIA

A SOCIEDADE COMO OBJETO DE ESTUDO
OPERÁRIOS, DE TARSILA DO AMARAL
Cena do filme O Garoto Selvagem, de 1969.
Victor de Aveyron (criança selvagem encontrada na França) aprendeu a andar, a comer, a se vestir e a fazer objetos por intermédio do contato com outras pessoas, ou seja, por intermédio de relações sociais. Mas não assimilou apenas as coisas práticas da vida. Ao estabelecer relações com outros seres humanos, aprendeu também a se comportar, a expressar sentimentos e a agir da mesma forma que as pessoas com as quais passou a conviver. Em uma palavra, ele se socializou, ou seja, tornou-se um membro da sociedade.
O estudo de como os seres humanos se relaciona na vida social, das formas pelas quais interagem uns com os outros, estabelecendo regras e valores, das coisas que produzem e das trocas simbólicas no curso dessas relações constituem tarefa de um grupo de disciplinas reunidas sob o nome de Ciências Sociais. A Sociologia é uma dessas disciplinas.

 O comportamento humano é complexo e diversificado. Cada indivíduo recebe influências do meio em que vive, forma-se de determinada maneira e age no contexto social de acordo com sua formação. O indivíduo aprende com o meio, mas também o transforma com suas ações. Assim, o ser humano não é um produto passivo do meio, mas constrói a si mesmo interagindo com o meio e modificando-o.
 Há comportamentos estritamente individuais - como andar, respirar, dormir,  que se originam na pessoa como organismo biológico. São comportamentos estudados pelas Ciências Físicas e Biológicas. Já ações como trabalhar, jogar vôlei ou futebol, fazer greve, participar de reuniões, assistir a aulas, estudar, casar-se, educar os filhos são comportamentos sociais, pois se desenvolvem por meio de interações no contexto da sociedade.
Essas interações sociais não podem ser plenamente explicadas pela Biologia ou pela Física. Para compreendê-las, estudá-las de forma sistemática e explicá-las foram criadas as Ciências Sociais. Elas pesquisam e estudam o ser humano como ser social em suas várias formas de manifestação.
 O objeto de estudo das Ciências Sociais, portanto, são os seres humanos no contexto de suas relações sociais. O método empregado nesse estudo é o da investigação científica.

O MÉTODO CIENTÍFICO NAS CIÊNCIAS SOCIAIS

Em geral, temos opiniões formadas sobre diversos assuntos. Por exemplo, se um pai castiga seu filho, somos levados a pensar que o menino transgrediu alguma regra, comportou-se mal ou tirou notas baixas na escola. Esse é um tipo de conhecimento que faz parte de nossas percepções cotidianas. Não constitui um conhecimento científico.
Entretanto, essa mesma atitude do pai que castiga o filho pode ser objeto de análise da ciência. Para isso é preciso que seja aplicado a ela um método científico de investigação.

Em ciência, a palavra método designa um conjunto de procedimentos, ou de atividades ordenadas, necessários ao conhecimento do objeto de estudo em um nível de profundidade que não pode ser apreendido pela observação superficial do cotidiano. Trata-se de um processo racional, que utiliza conceitos, categorias de análise, hipóteses e outros recursos para chegar a um resultado, seja este a explicação de um fenômeno ou a formulação de leis que regem certos conjuntos de fenômenos.
Tudo isso levou o pensador inglês K. Pearson a afirmar que “a ciência não são os fatos, mas o método com que são tratados". Os fatos são, na verdade, a matéria-prima com que trabalha a ciência.

 DIVISÕES DAS CIÊNCIAS SOCIAIS
 Com o avanço do conhecimento da sociedade, tornou-se necessário dividir as Ciências Sociais em diversas áreas de conhecimento, de modo a facilitar a sistematização dos estudos e das pesquisas. Essa divisão abrange atualmente diversas disciplinas. Veja a seguir algumas delas.
 Sociologia - Estuda as relações sociais e as formas de associação, considerando as interações que ocorrem na vida em sociedade. A Sociologia envolve, portanto, o estudo da estrutura social, dos grupos e das relações sociais, da divisão da sociedade em classes e camadas, da mobilidade social, das instituições, das relações de trabalho, dos processos de cooperação, competição e conflito na sociedade, etc.

 Economia - Tem por objeto as atividades humanas ligadas à produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços. Portanto, são fenômenos estudados pela Economia as atividades agrícolas e industriais, o comércio, o mercado financeiro (bancos, bolsas de valores, etc.), a distribuição da renda, a política salarial, a produtividade das empresas, etc.
Antropologia - Estuda a produção cultural, as semelhanças e as diferenças culturais entre os vários agrupamentos humanos, assim como a origem e a evolução das culturas. São objetos de estudo da Antropologia os tipos de organização familiar, as religiões, a magia, os ritos de iniciação dos jovens, o casamento, etc.

Ciência Política - Ocupa-se da distribuição de poder na sociedade, assim como da formação e do desenvolvimento das diversas formas de governo. Estuda também os partidos políticos, os mecanismos eleitorais, etc.
 Não existe uma divisão nítida entre essas disciplinas. Embora cada uma das Ciências Sociais esteja voltada preferencialmente para um aspecto da realidade social, elas são complementares entre si e frequentemente atuam juntas para explicar os complexos fenômenos da vida em sociedade.

O MÉTODO EM SOCIOLOGIA
Em Sociologia, o método científico utiliza diversas categorias de análise, como as de grupo social, classe, estratificação social, fato social, interação, estrutura social, instituição, etc. Também fazem parte dele, entre outros, instrumentos de análise como o estudo de caso, a análise comparativa, a análise quantitativa e a análise qualitativa.

 O estudo de caso é um tipo de instrumento metodológico no qual se aborda apenas uma unidade social (um "caso") - uma família, uma cidade, uma instituição, etc. - que serve de base para a compreensão de fenômenos mais amplos. Assim, o estudo de uma família de camponeses do sertão de Pernambuco, por exemplo, pode oferecer ao sociólogo uma vi são da sociedade rural dessa região em seu conjunto e não apenas dessa família em particular.
 A análise comparativa envolve procedimentos que levam o sociólogo a estabelecer relações de causa e efeito de certos grupos de fenômenos com base na comparação entre fenômenos diversos. Comparando uma família de camponeses que vive no meio rural com outra de operários da indústria em uma grande cidade, por exemplo, ele pode fazer o levantamento das semelhanças e das diferenças entre uma e outra. Com base nesses dados, ele pode identificar as causas de comportamentos, hábitos de vida, valores e tendências políticas de uma e de outra.

 A análise quantitativa, por sua vez, utiliza em larga escala dados estatísticos e nu­méricos. Muitas pesquisas de mercado servem de matéria-prima para análises quantitativas. Podemos analisar, por exemplo, certas preferências culturais entre diversas faixas etárias de uma população: tantos por cento de adolescentes preferem tal programa de televisão, enquanto tantos por cento de pessoas de idade entre 40 e 60 anos preferem outro. Pode­ se ainda fazer uma diferenciação por sexo, ou utilizando quaisquer outros critérios.

 Já a análise qualitativa procura estabelecer conexões lógicas de causa e efeito entre os fenômenos, recorrendo à interpretação e utilizando ou não dados estatísticos. É o caso, por exemplo, da análise do sociólogo alemão Max Weber sobre a relação entre a religião calvinista – surgida na Europa, no século XVI, durante o período conhecido como Reforma Protestante - e o "espírito do capitalismo", ou seja, o con­junto de valores, interesses e atitudes da burguesia, grupo social que liderou o processo de formação da sociedade capitalista.

De fato, os valores da burguesia daquela época - que exaltavam o trabalho árduo, a poupança e a frugalidade - foram decisivos para a formação de uma economia baseada no comércio e na acumulação de dinheiro para ser investido na produção. Esse processo seria chamado por Karl Marx (1818 - 1883), outro pensador alemão, de acumulação primitiva de capital e estaria nas origens da sociedade capitalista moderna.

 Seja qual for o método de análise adotado pelo sociólogo, é importante considerar a observação do pensador francês Raymond Boudon: "O ponto de partida de qualquer pesquisa - quantitativa ou qualitativa - é geralmente uma pergunta do tipo por quê? - Por que o suicídio varia conforme as épocas e os lugares? Por que as pessoas decidem votar em tal candidato? Por que alguns casamentos ter minam em divórcio? Por que há mais divórcios em certos países do que em outros?".
OLIVEIRA, Persio de. Introdução à Sociologia. Capítulo 1.

Pensamentos

"Conhece a ti mesmo." Sócrates --"A linguagem é a morada do Ser." Heráclito -- "O homem é a medida de todas as coisas." Protágoras -- " Penso, logo existo. " René Descartes -- " O Mundo é minha representação sobre ele. " Artur Schopenhauer -- " Ai ai, o tempo dos pensadores parece ter passado! " Soren Kierkaard -- "Sobre aquilo que não pode ser dito deve se calar.” Ludwig Wittgenstein -- "O Ser é um horizonte de possibilidades." Martin Heidegger -- "A essência precede a existência." Jean Paul Sartre -- " A esperança floresce senão sobre o solo do desespero. " Gabriel Marcel "A razão e a sabedori falam. O Erro e a ignorância gritam." Sto. Agostinho "A melhor lição é o exemplo." Sto. Agostinho